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Benfica 5, St. Gallen 0. Jogo a contar para a segunda mão da segunda preliminar de acesso à Liga Europa e depois de um desaire na Suíça a abrir a temporada, o Benfica deu um ar da sua graça, venceu por 5 a 0 e vai passar à próxima fase da Liga Europa, terceira preliminar frente ao Arts, num jogo em que já deu para ver mais ou menos o dedo de Marco Silva. Já o St. Gallen chegou a querer fazer exatamente o mesmo, a cantar de galo, como fez na primeira mão, e não teve a mesma hipótese. Pressionou alto, mas o Benfica foi sempre dono e senhor do jogo e não teve dificuldades em passar a linha de pressão adversária.
Depois da decepção que foi o jogo na Suíça, em que o Benfica, além de jogar mal, diria que também teve um resultado mau, porque o St. Gallen aquilo que fez na Suíça era aquilo que queria fazer no Estádio da Luz. Só que aqui, no Estádio da Luz, foi um Benfica completamente diferente. Princípios de temporada, oscilações grandes, principalmente a nível físico dos jogadores, uns a chegarem mais atrasados em relação a outros, mas dentro daquilo que era a expectativa do Benfica perante este adversário, que é francamente inferior ao Benfica, para não dizer outra coisa, eu diria que o Benfica hoje era a expectativa de tentar perceber que Benfica é que vamos ter hoje depois daquela hecatombe que foi na Suíça. Tirando os primeiros oito minutos, conforme disse o treinador do St. Gallen, que estava ali a querer discutir o resultado.
Os primeiros cinco, oito minutos.
Os cinco, oito minutos, em que o St. Gallen jogou bem, é verdade que jogou bem. O Benfica, assim que apanhou o fio à meada, como se costuma dizer, começou a desenvolver o seu jogo. E aí, sim, foi uma surpresa grande, positiva, para a equipa do Benfica, um Benfica desenvolto, solto, a combinar muito bem, a ser dinâmico e depois a ser rápido na reação à perda. Ou seja, foi um Benfica muito mais envolvente, muito mais criativo, muito mais intenso, o que fez com que o Benfica, mesmo assim, marcasse um gol através de uma desatenção da defesa do St. Gallen, de um lançamento do Bá, que coloca a bola no espaço para o Rafa e o Rafa de primeira também dá para o Pavlídis, que isolado fez o gol. Ou seja, foi um gol muito facilitado pela defesa do St. Gallen, mas com o mérito do Benfica, que soube aproveitar esses espaços que o adversário deu. E o Benfica só não está ao intervalo a ganhar por mais.
Foi perdulário.
Foi perdulário.
E também há aqui uma diferença, é que face ao primeiro jogo da primeira mão, no meio-campo houve mexidas, saíram Miguel Figueiredo, jovem, e também Manu Silva, entraram Eso Barine Xheia e Leandro Barrér, que como tu gostas de destacar aqui nas emissões, é um pulmão com homem.
Diria que teve influência, que é verdade, mas acho que o Marco Silva disse bem que não foi por causa do Manu Silva e do menino que jogou no meio-campo na Suíça, que o Benfica jogou mal. O Benfica jogou mal coletivamente, porque coletivamente a equipa não funcionou. E agora entrou o Leandro Barrér, que é um jogador intenso, que é um jogador que também aparece na área sem bola para finalizar, que é um jogador que taticamente teve ali uma dupla função, que eu achei muito interessante, já que o Rafa, no papel, está colocado extremo-direito, mas depois na prática joga muito mais perto do Pavlídis, o que deixa o defesa esquerdo do adversário subir no terreno. Era o Leandro Barrér que iria dar uma ajuda ao Bá, porque estava a marcar o extremo-esquerdo, e quem é que ia fazer o segundo pivô no meio-campo tinha que ser sempre o Sudakov, que era aquele 10, parece estar mais à frente, mas neste caso tinha que estar mais atrás em termos defensivos. Houve ali umas nuances engraçadas em termos táticos do Benfica, já se começa a notar. Combinações quando a bola vem do central, a bola vem para o Sudakov, que já sabe onde é que vai passar a bola de primeira para o espaço onde aparece o Pavlídis para ligar depois o jogo para o Sudakov e assim depois ligar o jogo ofensivo. Houve ali umas movimentações muito boas. O Kaminski, taticamente muito bem a fechar o seu flanco. A nível ofensivo, com algumas deficiências. Teve ali uma outra jogada de um contra um, em que ganhou vantagem, mas depois não teve aquela ponta final, aquela rapidez que um extremo deve ter para poder servir os seus colegas. Diria que o Benfica, assim que marcou o segundo gol, sim, descansou um bocadinho mais. Ainda por cima ficou a jogar 11 contra 10 de uma falta indiscutível que o jogador suíço é muito bem expulso. Eu diria que o Benfica aí já estava muito por cima do jogo. Com a expulsão, ainda ficou muito mais por cima do jogo.
Mas Marco Silva alertou para um eventual relaxamento da equipa encarnada, sobretudo depois de estar mais confortável, quer no marcador, quer também com a vantagem no número de jogadores em campo, e acusou a sua equipa de ter sofrido mais transições perigosas nesse momento em que jogava com mais um do que no restante do jogo. Marco Silva aqui também sempre preocupado em não ser demasiado crítico, mas encontrar sempre pontos de melhoria para transmitir também, de alguma forma, a dinâmica à equipa de que é preciso acertar todos os detalhes para ter um Benfica à sua imagem. Ainda assim, este St. Gallen não conseguiu na segunda parte também, apesar de ter tentado levar o seu jogo em diante, não conseguiu fazer o esquema da pressão. Um Benfica que na segunda parte também teve a oportunidade de se libertar por Sudakov. Da segunda parte, fica essa nota para um St. Gallen incapaz e um Sudakov que começou a crescer?
Eu acho que a equipe toda do Benfica cresceu sempre imenso e Sudakov se sentiu sempre confortável quando tinha espaços. Porque o St. Gallen ao marcar homem a homem dava muito espaço naquele meio-campo para quem tivesse a bola poder jogar. Eu percebo o que o Marco Silva quer dizer com isto, de chamar a atenção nos últimos 10 minutos, porque os treinadores gostam. Se disser assim: "Olha, o Benfica ganhou por 5-2, mas é melhor o Benfica ganhar por 2-0 ou 5-2?" O treinador diz logo que é melhor ganhar por 2-0, porque não quer sofrer gols. E está a chamar a atenção que isto foi tudo muito bonito, foi um bom jogo, mas atenção, nós cometemos erros ali também, que mais tarde e no futuro, isso pode nos sair caro. E daí a chamada de atenção do Marco Silva, que eu acho bem. Mas eu diria que o Benfica, quando entrou, como se costuma dizer, os cobras, os craques, aqueles que normalmente são titulares, foi quando o Benfica caiu mais. E caiu mais por quê? Porque precisamente não estão com o ritmo de jogo, não estão fisicamente bem e provavelmente por isso, a reação à perda já não foi igual e daí, mesmo quando o St. Gallen tivesse duas ou três saídas, podia ter dado gol para o St. Gallen. Ou seja, esses jogadores que são considerados, entre aspas, cá fora, na teoria, os favoritos para serem titulares, têm que dar a perna, como se costuma dizer, têm que apanhar a condição física necessária para poder realmente dar aquela dinâmica que aqueles jogadores que entraram no início, no primeiro 11, aqui no Estádio da Luz, que deram, porque são jogadores que estavam já há algum tempo a trabalhar, há um mês, a trabalhar com o Marco Silva, já sabem o que o Marco Silva quer, mas acima de tudo, para fazeres aquilo que o treinador quer, tens que estar bem fisicamente. Se não tiveres fisicamente bem, é evidente que não vais fazer aquilo que o treinador quer e as coisas começam a ficar empenadas, como se costuma dizer. Viu-se o Benfica desenvolto, mas nem o Benfica esteve tão mal no primeiro jogo, naquilo que é uma apreciação já para o futuro, nem o Benfica esteve tão bem hoje para apreciação geral já para o futuro. O que eu quero dizer com isto é que calma, que ainda vai haver muitos jogos difíceis e vai ser nas dificuldades que vamos ver depois o caráter e a organização de uma equipe.
Resta saber, depois desta vitória por 5-0 do Benfica frente ao St. Gallen, na segunda mão da segunda pré-eliminatória da Liga Europa, Augusto Inácio, o que foi o pior nesta noite de hoje na Luz?
O melhor e o pior estão ligados na mesma pessoa. O melhor, o António Silva, foi realmente o melhor do jogo.
O melhor é o jogo que ele fez, o pior é ele sair.
O pior é ele sair. Acho que posso utilizar isto da melhor forma.
Fica assim resumido. E fica também feito e entregue mais um relatório de jogo. O relatório do jogo entre Benfica e St. Gallen, da segunda mão da segunda pré-eliminatória da Liga Europa. E é muito difícil dizer isto muitas vezes para ser completo, mas o que é certo é que o Benfica conseguiu, vai chegar à terceira pré-eliminatória de acesso à Liga Europa. Nós cá estaremos, fica feito e entregue o relatório do jogo do Augusto Inácio. Um grande abraço, Augusto. Até à próxima.
Um abraço.
Rádio Observador. Aconteça o que acontecer. O relatório do jogo com a análise do Augusto Inácio à vitória do Benfica por uma mão cheia de gols frente ao St. Gallen por 5-0 vai ficar disponível no observador.pt e nas plataformas podcast. E já daqui a pouco vamos receber o Pedro Henriques para mais uma edição do Sem Falta. Análise ao trabalho da equipe de arbitragem, hoje liderada por Florian Badstübner.