O ministro da Administração Interna, Luís Neves, terá ameaçado “esmagar” e “destruir” o antigo candidato presidencial e ex-chefe de Estado-Maior da Armada, Henrique Gouveia e Melo. A notícia está a ser avançada pela CNN Portugal, que também dá conta de uma denúncia que foi feita contra o responsável na Polícia Judiciária (PJ) pelo investigador e especialista em Segurança Internacional, Paulo Dias.
Ao canal de televisão, Paulo Dias deu conta das ameaças de Luís Neves contra o antigo chefe de Estado-Maior da Armada, dizendo haver mesmo um “ódio de estimação” do governante dirigido a Gouveia e Melo. “Não é segredo. Era comentado pelo mesmo em várias reuniões, com várias pessoas”, afirmou, acrescentando: “Inclusive houve almirantes que tiveram que interceder sobre o senhor Luís Neves para que ele tivesse alguma calma”.
Contactado pela CNN Portugal, Henrique Gouveia e Melo confirmou ter tido conhecimento das supostas ameaças de Luís Neves. “Os comentários ficam com quem os faz”, reagiu. O almirante assegurou que tentou manter sempre uma cooperação institucional entre a Marinha e a Polícia Judiciária, tendo disponibilizado todos os meios necessários, nomeadamente no combate ao narcotráfico.
Em relação a Paulo Dias, o investigador contou à CNN Portugal que apresentou uma queixa ao piquete da PJ no passado dia 20 de outubro. O especialista em Assuntos Internacionais alegou que, numa reunião realizada este ano, o seu nome teria sido proposto para apoiar o projeto de implementação das novas bodycams destinadas à PSP e à GNR, já que tinha participado no passado numa iniciativa idêntica na Autoridade Marítima Nacional, onde desempenhou funções de assessor.
Segundo referiu o investigador, durante uma reunião, Luís Neves ter-se-á oposto ao seu envolvimento no projeto. Terá alegado que o investigador “recebia dinheiro de empresas” e que teria um “dossiê” comprometedor sobre Paulo Dias. “A última ameaça foi inclusive em 2026, este ano, em que ele numa reunião diz que tem um dossiê sobre mim”, afirmou, referindo que teve conhecimento destas acusações por quem esteve presente na reunião.
“Portanto, eu acredito que, tendo um dossiê sobre mim, não estão a ser investigado, estou a ser espiado”, acusou Paulo Dias, que interpreta o tal dossiê como “uma ameaça”. “Quando alguém refere que tem um dossiê sobre mim, eu não vou querer acreditar que a Polícia Judiciária dê informações a um ex-diretor da PJ sobre uma investigação que esteja em curso ou sobre elementos de que não goste.”
Paulo Dias fez um distinção, no entanto: “Apresentei uma queixa contra Luís Neves, não contra o ministro, mas contra Luís Neves em si”. Na denúncia, estão, disse, vários factos, declarações e testemunhos recolhidos ao longo dos últimos anos. “Concretizo todas as ameaças que foram feitas e proferidas e o que foi testemunhado por várias pessoas dentro e fora da Polícia Judiciária.”
Confrontado com estas acusações pela CNN Portugal, Luís Neves respondeu por escrito e garantiu que “desconhece o teor e a intenção da alegada denúncia” de Paulo Dias. No mesmo sentido, negou “categoricamente as acusações”. O ministro assinalou que “acredita na Justiça, responderá em sede própria e reserva-se o direito de tomar as medidas que forem necessárias para defender a sua honra e o seu bom nome ao serviço do Estado há mais de três décadas”.