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Mais um relatório de jogo na Rádio Observador, desta feita com Mário Cajica. Mário, vamos olhar para o jogo que deu vitória ao Sporting, duas bolas a zero frente ao Famalicão, em casa, no jogo pré-clássico, onde uma derrota significaria uma fuga ainda maior do bloco do Porto. Reunidas essas condições, o Sporting cumpriu os serviços mínimos?
Sim, é uma exibição competente do Sporting. O Famalicão faz uma bela partida, principalmente no primeiro tempo, onde limitou o Sporting em alguns momentos do jogo. Aliás, Rúben Amorim reage bem ao intervalo com a alteração e consegue mexer com a partida. Mas tudo isso porque, efetivamente, houve um bom Famalicão na forma como condicionou o Sporting na sua zona de construção, na forma como criou perigo, muitas vezes a pressionar com três, quatro jogadores a campo inteiro. E não é qualquer equipa que faz isso de forma tão audaz como este Famalicão fez em Alvalade, percebendo claramente que o Sporting podia ter, e estava a ter, algumas dificuldades nesse aspecto. O gol do Sporting nasce de um erro de Adrián Marín, mas também mérito para a equipa do Sporting pela forma como condiciona, como pressiona. Mas tirando esse erro individual, a primeira parte do Famalicão é muito competente e consegue jogar o jogo pelo jogo com a equipa do Sporting.
E olhando também para a prestação da equipa, e sendo também uma equipa tradicionalmente difícil para o Sporting, capaz de colocar problemas ao Sporting, o que explica também a classificação que o Famalicão vai tendo nesta liga, se depois tem esta capacidade de entrar num jogo quase olhos nos olhos com o atual campeão nacional?
É uma equipa diferente, este Famalicão. Eu continuo a achar que havia mais qualidade para ter outro tipo de resultados e creio que o Famalicão em alguns jogos entrou ali já numa toada muito negativa, em que as coisas começavam a não correr bem de início e a equipa deixava-se cair. Com Rui Pedro Silva e com, principalmente, o reforço deste plantel, parece-me que o Famalicão para esta segunda metade do campeonato vai ter uma palavra a dizer completamente diferente. Tem jogadores de maior qualidade, o Assunção, agora o João Carlos Teixeira, como se viu hoje, também uma excelente exibição. A equipa está mais sólida, havia jogadores também muito jovens e sabemos que este Famalicão é uma equipa que aposta muito em jogadores jovens para crescerem. O próprio Ugarte é um caso evidente disso mesmo. Ivan Jaime, que agora também está a despontar. Enfim, muitos jogadores que vão aparecendo deste Famalicão, mas naturalmente, há dores de crescimento e quando os resultados não aparecem, e sendo um plantel muito jovem, as coisas complicam. Complicaram-se com Ivo Vieira, agora com Rui Pedro Silva, vamos ver que resposta é que a equipa dará, mas parece-me claramente que este Famalicão, principalmente a partir deste momento, tem capacidade para fazer muito mais.
O Famalicão foi pro intervalo, ainda assim a perder por 1 a 0, depois de desperdiçar um pênalti. Tendo em conta este cenário, na segunda parte, apesar de algum domínio do Sporting, Famalicão foi continuando a dar alguma preocupação ao Sporting na defesa e o Sporting não foi capaz de ir para além de um gol que surgiu de uma bola vinda de canto. Continuou a boa estratégia por parte da equipa do Rui Pedro Silva na segunda parte?
Sim, mas houve também algumas mudanças de Rúben Amorim que permitiram que o Sporting crescesse um bocadinho no terreno. Ou seja, a equipa começou a ligar melhor os setores. Continuo a achar que isto vai ser uma grande dor de cabeça para Rúben Amorim, a forma como vai poder gerir este meio-campo, mas o Sporting efetivamente está a jogar melhor com o Ugarte.
E com Palhinha.
Ou o próprio Matheus Nunes. A questão é que me parece que o Sporting com o Ugarte está a jogar bem melhor. Ou seja, há aqui uma decisão que Rúben Amorim vai ter que tomar, principalmente a pensar no clássico, porque hoje há aqui dois momentos-chave: a saída de Feddal, que estava a ser uma fonte de problemas, e vamos perceber também qual é que será a ideia de Rúben Amorim, mas parece-me claro que hoje ficou bastante visível que Matheus Reis tem de ser o dono daquele lado esquerdo na defesa e depois, sim, ser complementado com outro lateral. E depois no meio-campo, porque o Sporting com o Ugarte foi muito melhor, cresceu muito, soube, acima de tudo, ligar o jogo com o próprio Matheus Nunes, que apareceu com mais espaço, porque a equipa já conseguia ultrapassar aquela primeira barreira de pressão com o Ugarte, que é um elemento com maior capacidade para ter a bola nos pés e, claro, fazer essa ligação com o ataque. Portanto, é uma dor de cabeça boa, porque lá está, Rúben Amorim tem jogadores de grande qualidade. Ainda há Daniel Bragança, enfim, há aqui um plantel, de facto, de muita qualidade para Rúben Amorim, mas o treinador vai ter que tomar decisões e creio que essa é uma grande dor de cabeça com a qual vai ter de lidar durante esta semana, naturalmente.
E vamos, desde já, sem mais demoras, Mário Cajica, olhar para o que foi o melhor esta noite em Alvalade.
Eu vou dar a António Adán, porque pelo segundo jogo consecutivo segurou o Sporting num momento crucial. Hoje, a grande penalidade defendida já referente ao Belenenses SAD, faz uma grande defesa quando o jogo estava 2 a 1 e se o Belenenses SAD marcasse, podia ali mexer.
Mas não tinha corrido com a mesma feição.
Claro, o jogo podia não cair pro outro lado, mas não seria tão facilitado. E hoje, aquela grande penalidade é decisiva na partida, claro. Adán, continuo a dizer, neste momento, o melhor guarda-redes a atuar em Portugal, de longe. Está, de facto, num grande momento. É um guarda-redes muito seguro, que transmite segurança à equipa. E estamos a falar num campeonato onde há grandes guarda-redes como o Vlachodimos, como o próprio Diogo Costa. Enfim, isto só prova e só é meritório para este grande guarda-redes, que hoje volta a ser absolutamente crucial. Dar também uma menção honrosa para as entradas de Manuel Ugarte e também para a forma como o Sporting cresceu com Matheus Reis já no corredor central.
E em sentido contrário, o que foi o pior esta noite em Alvalade, Mário?
Difícil dizer, porque efetivamente há que dar mérito à forma como o Famalicão esteve em campo. Eu vou dar aqui duas notas que não são totalmente negativas, mas talvez o menos positivo hoje.
Sempre é bom olhar nessa nota.
É o menos positivo, digamos assim. A impetuosidade de Pedro Porro, sabendo que tem cartão amarelo. Mesmo na grande penalidade, não sei até que ponto é que não poderia ter visto o cartão amarelo, mas depois, na forma como vê aquele cartão, que era perfeitamente dispensável e que limita, claro, o Sporting para o Dragão. É um jogador muito importante e que podia ter passado sem este cartão, claramente. E o próprio Pedro Gonçalves, que tem oscilado muito mais em relação à época passada, continua a ser um jogador de grande qualidade, continua a resolver, mas parece-me que está mais intermitente em termos exibicionais. Hoje não faz uma exibição de encher o olho, não aparece tanto, não assume tanto como se previa. E por isso mesmo, não é um fator negativo, e vamos reforçar isso, mas há aqui, de facto, alguma irregularidade exibicional em Pedro Gonçalves, porque se calhar nos habituou mal na época passada.
Mário Cajica, está feita a entrega o relatório de jogo deste Sporting 2, Famalicão 0. Até à próxima. Obrigado.
Muito obrigado.
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