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Muito bem, Carlos Alberto Dinis. Já fomos comentando ao longo destes 90 minutos as principais incidências. Uma análise rápida às palavras de Fernando Santos e depois ao jogo.
Sim, o Fernando normalmente tem uma capacidade de síntese boa relativamente àquilo que se passa no jogo. Eu penso que ele tem razão, que a primeira parte acabou por ser melhor do que a segunda. Fomos mais incisivos, rematamos mais vezes, tivemos mais possibilidades de marcar, mas acabamos por marcar num autogolo. A segunda parte, não entrámos, de facto, melhor no jogo. Talvez a entrada do Bruno tinha essa intenção de dar maior intensidade, criatividade e até poder de fogo da entrada da área, mas isso na prática não aconteceu bem. Penso que a equipa melhorou claramente e também concordo muito com o Fernando Santos na entrada do João Félix, talvez um pouco tardia, em função daquilo que se estava a passar. Trouxe mais alegria, um pouco mais de criatividade, saiu da zona mais avançada e procurou outros terrenos e isso deu alguma clarividência à seleção. Estava a ver a estatística, se olhássemos só para a estatística, Portugal rematou 29 vezes. Não é fácil num jogo ter esta capacidade de rematar 29 vezes, mas o que é facto é que, de todo, não foi uma exibição muito conseguida. Foi uma exibição mais para o fraco, naturalmente. Conseguiu o seu objetivo. Penso que também houve aquela preocupação de gerir um pouco o jogo e os jogadores. Sabemos que a seleção teve só dois dias e já não se encontrava desde novembro. Conseguimos sempre encontrar algumas atenuantes para aquilo que não foi uma exibição de encher o olho, de facto, mas não foi de todo, apesar de termos ganho justamente, podíamos ter ganho por mais, mas o que é facto é que o resultado foi melhor que a exibição, sem dúvida nenhuma.
As estreias de Nuno Mendes e de João Palhinha.
Claramente, o Nuno Mendes não é uma surpresa se ter estreado pela seleção. Apesar da sua tenra idade, de ser um júnior ainda, mas estar a mostrar grande potencial, tem um futuro forte, mas tem que continuar também ele forte e determinado naquilo que faz. Penso que é um dos candidatos a ser o titular da Seleção Nacional num futuro próximo. Está a dar passos para isso e esperemos que o consiga. É sinal que ele vai solidificando todo o seu percurso. Isso é determinante, importante e tem a ver com a cabeça dele, fundamentalmente, porque as oportunidades estão a aparecer. O Palhinha também me parece que, de alguma maneira, está a fazer uma época fantástica. Eu conheço o Palhinha há uns bons anos, mesmo da formação, e sempre foi um jogador muito esforçado. Penso que ele deu um salto fantástico quando teve a oportunidade de jogar duas épocas seguidas no Braga, titular, indiscutível. Cresceu como jogador.
Tarimba e bagagem.
Sim, completamente. E está outro jogador, claramente, porque o Palhinha nunca foi um jogador de grandes recursos técnicos, mas tinha uma entrega ao jogo sempre muito forte. E neste momento, ele para além de ter essa entrega, tem a inteligência de jogo e a capacidade que tem demonstrado, mesmo em termos técnicos, porque tecnicamente ser evoluído não quer dizer que meta a bola no bolso e faça o que quer da bola. Não é isso. No aspecto técnico, é outra coisa bem diferente. É adaptar-se a cada situação e sair dessa situação o melhor possível, em termos tanto táticos como da execução exclusivamente técnica. E parece-me que ele justificou esta chamada também à Seleção Nacional.
Queres fazer mais alguma análise antes de irmos para o mais e para o menos?
Não, fundamentalmente que este jogo é sempre um jogo ingrato de jogar por vários fatores, porque o nome não é muito atrativo do adversário que vamos jogar, porque os nossos jogadores têm grande utilização. Muito jogo, muita sobrecarga, um ano diferente para tudo, outros problemas sem ser exclusivamente de lesões. Esperávamos mais, claramente, mas compreendemos aquilo que se passou dentro de campo.
Vamos então ao menos ou ao pior deste relatório de jogo.
O menos, claramente a exibição menos colorida e menos conseguida da nossa seleção. Foi, de facto, uma seleção que jogou o quanto baste para ganhar. Curiosamente, encontro aqui muitas coisas positivas num jogo em que não foi de todo o melhor. As estreias que já falamos dos novos internacionais, o resultado e até a exibição do guarda-redes Aziri, que realmente não sendo tecnicamente famoso, tem algumas defesas menos ortodoxas, digamos assim, mas fez aquilo que é o mais importante.
Parece um guarda-redes de futsal.
Exatamente.
E o menos?
O menos, como sabemos por isso. A exibição menos conseguida da seleção.
E a mais?
O mais, todas estas questões que eu falei.
Ficamos assim fechados com este relatório de jogo.
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