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Relatório do jogo. Vamos dissecar este empate do Sporting na Vila das Aves. Aves-Sporting 2, com emoção até o fim, com muitos lances polêmicos que também vamos dissecar no "Sem Falta" com o Pedro Henriques. Mas aqui olhamos para aquilo que aconteceu no jogo e já percebemos que Rui Borges, por exemplo, nas declarações, deu um sublinhado destacado, bem destacado a amarelo fluorescente, à arbitragem. Mas, Agostinho, é preciso também dizer que o Sporting sai deste jogo, de acordo com as estatísticas, com menos remates do que a equipe do Aves. Menos remates no total, menos remates à baliza, quatro remates à baliza para a equipe da Vila das Aves, três para o lado do Sporting. Pouca produção ofensiva do Sporting, principalmente na segunda parte. O que se passa nas segundas partes do Sporting? E pergunto diretamente: até agora atribuímos isso à questão física, ou seja, os jogadores do Sporting estavam cansados. Devemos começar a atribuir isso também a uma questão estratégica do Rui Borges?

As análises são mais fáceis de comentar depois daquilo que a gente viu. Eu não sei o que o Rui Borges pensou para a segunda parte. Ok, teve o problema do Quaresma, mas depois eu não sei qual foi a estratégia que ele entendeu que devia dar à equipe para a segunda parte, já que estava no intervalo a ganhar por 2 a 0. Ou seja, nós tivemos aqui um Sporting bipolar, como tem sido às vezes. Boas primeiras partes, enquanto tem força física, enquanto a equipe funciona enquanto equipe, independentemente dos problemas que o Sporting tem, principalmente na zona do meio-campo, onde tem muito poucas soluções. E a gente já sabe que o pulmão de uma equipe muitas vezes é o meio-campo. Ou seja, o Sporting tem que ter qualidade de jogo através das alas e através dos laterais, mas porque na zona do meio-campo é pouco sumo para aquilo que o Sporting precisa. E mesmo assim, Alexandre Brito jogou muito bem e o Debast também jogou muito bem, mas não tem aquela criatividade de depois ligar um pouquinho o jogo pra frente, dar mais coisa à linha da frente, para o Sporting ter mais qualidade. A nível ofensivo, muito bem, mas depois a nível ofensivo, não se pode contar muito com esses dois jogadores, porque não têm propensão para isso. E eu diria que o Sporting é bipolar, porque o Sporting mostrou uma primeira parte muito boa, forte, dinâmica, intensa. Aliás, os primeiros 20 minutos foram muito bons parte a parte. O Aves a criar chegar à baliza do Sporting e o Sporting a criar chegar à baliza do Aves. E o Sporting acabou por marcar dois gols e dava para saber que o Sporting estava confortável no jogo. Na segunda parte, cala o meu espanto, e estou a falar por mim, o Sporting recua no terreno, dando sinais de que estava ali para gerir mais o jogo, do que propriamente para ferir a baliza do adversário. O que é certo é que neste tipo de jogos, 2 a 0, a equipe adversária, se marca um gol, entra no jogo e ganha uma alma grande e diferente.

Ainda por cima a jogar em casa.

A jogar em casa. E se o Sporting marca o terceiro, mata o jogo. A história do 2 a 0 é sempre assim. O que é certo é que do nada, porque na segunda parte, e isso tem que ser realçado para as pessoas, quem não viu o jogo ou quem não ouviu o relato no Observador, tentar perceber, é que na segunda parte, praticamente não houve nenhuma oportunidade da parte do Sporting e também não houve nenhuma oportunidade da parte do Aves. Um jogo, como eu costumo dizer, banhado na maionese. Andava ali naquela, o tempo está a passar e o Sporting a tentar esticar o jogo pro Gyökeres, muito sozinho na frente na segunda parte, e o Aves a não ter capacidade para poder ferir a baliza do Sporting. Mas depois o futebol tem essas coisas. Por isso que no futebol, às vezes, a gente não pode ter certezas, porque no futebol não há certezas nenhumas. Do nada, de um lance de bola parada, de um canto a favor do Aves, o Diomande tem aquele desfasamento, aquele chip que às vezes parece estar avariado e depois arranja-se o chip e depois o chip avaria-se outra vez. Eu diria que o Diomande deu a oportunidade do Aves entrar no jogo. Uma grande penalidade e uma situação disciplinar que podia muito bem também ser cartão vermelho, porque quando o VAR chama o árbitro para ele ver, é para mostrar o cartão vermelho, porque acha que é, mas o Fábio Veríssimo entendeu, isso é para o Pedro Henriques, como é evidente, entendeu que dava um amarelo, mas marcou a grande penalidade que entendeu que havia falta. E o Aves entra no jogo, um, dois. E depois o Diomande é expulso e claramente que aí, penso eu, que o treinador do Sporting tem que conhecer melhor os seus jogadores.

Não devia ter tirado mais cedo o Diomande? Mais cedo, tirado, ponto final.

Devia conhecer melhor, porque se não o conhece, alguém devia ter dito que atenção, que a reação dos jogadores numa situação é esta, o treinador também tem que ser ajudado. E o que é certo é que o Diomande, depois de uma jogada em que faz uma falta e o árbitro entendeu expulsá-lo, avisado pelo VAR, mas isso é para o Pedro Henriques, como eu já disse, não vou entrar se é justo, não é justo, não estou a falar nada disso, é expulso. E entretanto, o Sporting fica à mercê daquilo que são os certilégios daquilo que é um jogo de futebol. Mais uma bola parada, bola entrada da área, remate e 2 a 2. Numa situação em que o Sporting já não tinha forças para ir pra frente, o Trincão raramente fez a diferença na segunda parte, estourou fisicamente, é verdade, teve que sair do jogo, mas Aouar, na minha opinião, entrou muito tarde, porque era capaz de alguns avanços com a sua pujança física, da mesma forma como também ataque e como defende também, porque dá muita luta aos centrais do Aves. Se entrasse mais cedo, digo eu, e não é dizer depois do jogo, é fácil dizer assim, não, mas durante o jogo nós até falamos sobre isso.

Sim. E o que te pareceram as mudanças do Rui Borges? Principalmente aquela alteração de Eduardo Quaresma, que agora já sabemos que foi por problemas físicos, mas principalmente a entrada do Matheus Reis e a mudança do sistema.

Pronto, esse é que é o problema que eu acho que houve aqui. Se o Sporting estava se a dar bem com aquele sistema, se o Sporting estava a dominar o jogo com aquele sistema, se o Sporting estava confortável com aquele sistema, não se entende por que o Sporting, na segunda parte, muda de sistema. Ok, o Quaresma saiu lesionado. Ok

Ricardo Esgaio até entrou

Agora, colocando uma zona de três centrais, em que praticamente deu a sensação que o Sporting estava ali mais para defender, e a postura dos jogadores foi assim mesmo, estava ali mais para defender do que para atacar, sujeitou-se a isso e claramente que o Sporting é o grande culpado da perda destes dois pontos. Se falarmos individualmente, o grande culpado ou que deu o mote para que isto possa acontecer, claramente foi Diomande, mas também temos que dizer que Rui Borges teve uma abordagem que não foi a mais feliz. Acontece, não foi a mais feliz. O que é certo é que o Sporting, de um jogo completamente controlado, deixou dois pontos nas aves que no futuro pode fazer muita falta.

Augusto Inácio, são nesta altura cinco jogos consecutivos do Sporting sem vencer. É o pior momento de Rui Borges até agora?

É o pior momento para o Rui Borges e o pior momento para qualquer treinador que estivesse a treinar o Sporting e tivesse estes resultados. É verdade que as primeiras partes do Sporting até costumam ser boas, como foi a de hoje, mas também não deixa de ser verdade que as segundas partes do Sporting nunca são iguais às primeiras e, por isso, alguma coisa não está bem. Claramente que há aqui um déficit de jogadores do meio-campo e de jogadores que fazem muita falta, mas mesmo assim, eu acho que o Sporting não pode baixar tanto o seu nível exibições das primeiras para as segundas partes.

Augusto Inácio, vamos fechar este relatório de jogo. Para ti, o que foi o melhor?

O melhor foi claramente aquilo que eu achei que foi uma equipa que quer ser campeã, poderosa como é a do Sporting, com tantas pedras de fora que fazem muita falta e que o Sporting demonstrou ali uma grande capacidade e uma grande intensidade e que praticamente dominou o jogo todo, tirando os primeiros 20 minutos, em que realmente o Aves também tentou chegar à baliza do Sporting, mas claramente foi a atitude dos jogadores do Sporting, como eu dizia, uma atitude à campeão.

E o pior deste jogo, deste empate?

Lá estão as tais duas caras, claramente que a segunda parte do Sporting, em que não é isto a cara de um campeão, embora, vou repetir outra vez, para as pessoas não entenderem que eu estou aqui com desculpas. Faz muita falta aos jogadores que estão de fora, mas claramente que a mudança de sistema, a baixa de intensidade, não sei se fisicamente o Sporting está preparado para ter esta intensidade durante muitos minutos. Não estou a dizer durante 90 minutos, mas pelo menos com alguma arrogância. Se isso realmente é um fator de desequilíbrio negativo para o Sporting, é um assunto que o Sporting tem que rever e o Rui Borges também.

Augusto Inácio, muito obrigado por ter estado conosco mais uma vez. Para os teus fãs que nos ouvem, vais estar conosco no Euroca Futebol Clube do Porto, no próximo dia 1 de março, no próximo sábado, para acompanhar também aqui na Rádio Observador. Obrigado, Augusto. Até à próxima.

Um abraço.