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Neste momento, em Alcácer do Sal, é possível fazer um ponto de situação com António Grilo, é vereador da Proteção Civil na Câmara Municipal de Alcácer. Muito boa noite. Que ponto de situação nos pode fazer? Sabemos que a água já subiu bastante, está na baixa e que há uma maré alta durante esta madrugada. É isso que o preocupa?
Isso também nos preocupa. Nós devíamos estar agora a caminhar para a baixa mar. Efetivamente, ela não está a acontecer. Aliás, o nível da água está a aumentar, ou seja, o caudal que está a baixar com a maré é inferior àquilo que está a vir das barragens. Portanto, o nível da água está a subir. Nós começamos a ter informação não favorável a partir das 07h. Equacionávamos um cenário muito desfavorável, mas não este cenário. Este cenário é efetivamente muito acima daquilo que seria expectável. E agora posso vos dizer que estamos a tentar tirar pessoas que nos solicitam que sejam retiradas das suas casas, uma vez que optaram por ficar inicialmente. Nós tínhamos aqui uma referência, porque fizemos um porta a porta com todos os nossos técnicos, avisamos as pessoas, solicitamos que eles pudessem ir pra casa de familiares ou caso não tivessem essa hipótese, nós poderíamos realojá-los. Portanto, neste momento já realojamos muita gente. Preocupa-nos também não só aquilo que está a acontecer aqui na cidade, mas em muitas aldeias que estão nomeadamente isoladas: Santa Catarina de Sittios, Casa Branca do Sado, São Romão do Sado, Rio de Munhes do Sado, Areez, Vale de Guiso. Portanto, preocupa-nos bastante o que se está a passar nessas localidades.
Podem ficar isoladas, é isso?
Algumas delas já estão isoladas. Temos estado a fazer um acompanhamento telefónico com entidades que estão no local, como IPSS, associações de moradores e mesmo contactos personalizados com as pessoas, telefónicos, no sentido de perceber quais são as suas necessidades e podermos responder. Neste momento o cenário não é nada favorável, portanto podemos ter aqui um aumento do caudal e como podem ver, até as operações de socorro, há dificuldade em manobrar os meios aquáticos, porque efetivamente a corrente é muito forte neste momento.
Neste momento nós estamos a ver alguns botes salva-vidas que foram também disponibilizados pela Marinha, segundo a informação que recebi, e que estão a retirar algumas pessoas. Vimos ainda, há minutos, uma família a ser retirada. Conte-nos sobre esse caso. Eram cinco pessoas?
Eram três adultos e duas crianças. Solicitaram que fossem retirados da sua habitação e as forças de segurança assim o fizeram. As pessoas foram pra residência de familiares, não carecem de realojamento. E foi uma operação que correu com algum sucesso.
Ao longo do dia de hoje, quantas pessoas já tiveram de retirar?
Eu não tenho, neste momento, esse número exato, mas seguramente perto de 50 pessoas.
Mais de 50 pessoas tiveram de ser retiradas de casa durante o dia de hoje. E estima que isso possa continuar a acontecer ao longo desta madrugada?
É possível, porque algumas pessoas optaram por ficar em casa, porque nas ruas traseiras onde as pessoas não expectavam que a água subisse, ela efetivamente subiu, já está com perto de dois metros e é possível que as pessoas se sintam inseguras e nos contactem para serem retiradas das suas habitações.
Alguma vez viu alguma situação semelhante assim em Alcácer?
Eu nunca vi, seguramente que nunca vi. Há relatos de, nos anos 60 do século passado, ter havido aqui uma cheia enorme, mas numa altura em que as barragens não eram controladas e teoricamente nesta altura deveria haver um controle diferente e uma articulação diferente.
Para amanhã espera-se continuação de chuva, maré alta durante a madrugada, o cenário pode piorar e avançar para estas ruas ainda mais acima desta baixa de Alcácer?
Eu não sei se vai subir muito mais ruas, eventualmente vai subir o nível que está nas ruas de baixo. Amanhã temos mais vento, portanto também nos vai trazer aqui alguns constrangimentos. Vamos ter que gerir e monitorizar cada um dos momentos.
Muito obrigado. Fica o testemunho, o ponto de situação feito pelo vereador da Proteção Civil de Alcácer do Sal. O que podemos descrever neste momento, de facto, é uma cheia em toda a baixa da cidade, muitas pessoas nas ruas acima a tentarem retirar material ou a retirar também algum equipamento de restaurantes, de comércio e também algumas pessoas já a deixar as habitações e a procurar casas de familiares para evitarem o pior cenário. Para já, uma enorme cheia em Alcácer do Sal, como já não há memória.