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Foi um debate longo, tenso e com ícones visuais como uma palmatória levada por Pacheco Pereira para ilustrar as torturas corporais.

Justo de levantar a pau.

André Ventura manteve o que disse na cerimónia dos 50 anos da Constituição, procurando documentar-se.

Erramos. Havia menos de 200 presos políticos em Portugal, na metrópole, na noite de 25 de abril.

Mas Pacheco Pereira contrapunha.

André Ventura, você mete-se em cada sarilho.

Justificando que o número de presos em todas as colónias era muito superior, afastando a tese de que os militares que defenderam Portugal foram maltratados.

O número de presos que eram guerrilheiros, chamemos assim, era relativamente pequeno. Por uma razão: ou iam parar à PIDE ou iam parar aos aquartelamentos militares e muitos deles foram executados e torturados.

Pacheco Pereira apontava como exemplo negativo Marcelino da Mata, André Ventura, Otelo Saraiva de Carvalho, com o líder do Chega a recusar pedidos de desculpa.

E as igrejas construídas, e as barragens, e as estradas, e os hospitais, e as escolas, e tudo aquilo que construímos lá?

Mas a relativização levou Pacheco Pereira a colar Ventura ao antigo regime.

Ao fazer uma comparação, que é toda falsa, o que está a dizer é que o que aconteceu depois era semelhante ao que acontecia antes. Só que você não pode comparar 10 ou 20 mil casos de tortura que ocorreram durante 48 anos com meia dúzia de casos de tortura que ocorreram-

Foi em dois anos, Pacheco Pereira?

E para lá da história, à atualidade.

O José Sócrates roubou muito mais que o Salazar. Isso não tenham dúvidas. Desculpem dizer isto assim, mas roubou muito mais. Claro que o Estado Novo tinha corrupção, como o regime a seguir ao 25 de abril teve corrupção, como a nossa democracia hoje está cheia de corrupção.

André Ventura socorreu-se dos argumentos habituais, a defesa dos militares, das forças policiais e a crítica ao caso José Sócrates, com Pacheco Pereira a expor a mensagem subliminar do presidente do Chega.

O que está a dizer é que a democracia é um regime naturalmente corrupto. E o Estado Novo não era. Não, está 50 anos de democracia.

Mas está no cartaz que os anteriores não são?

Não.

Agora, por isso se falar de mil anos antes.

Você pensa que está a falar com um atrasado mental?

O debate histórico entre Pacheco Pereira e André Ventura, com laivos de atualidade, depois de um desafio público do historiador e antigo líder parlamentar do PSD ao presidente do Chega.