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"Quente e Frio", todas as tardes na Rádio Observador com a Filomena Martins. Filomena, voltamos a encontrar-nos finalmente, depois de alguns dias, para sabermos como vai estar a meteorologia nos próximos dias. Parece que este outubro vai despedir-se com 30 °C e o calor chega até ao Dia de Todos os Santos, domingo, 1 de novembro.
Exatamente, é isso mesmo. Estamos na última semana de outubro e as temperaturas estão a voltar a lembrar o verão. Amanhã é uma terça-feira um pouquinho mais fresca, em que as temperaturas vão descer ligeiramente e no Minho até deverá haver alguma chuva ligeira, por causa de uma frente que vai passar ali pelo norte. Os termômetros vão começar a subir e vão atingir 30 °C na sexta-feira, 30 de outubro, a apenas dois dias do final do mês, a apenas dois dias de novembro. Segundo as previsões do IPMA, Cruz e Mora, em Santarém e Évora, vão chegar aos 30 °C na sexta-feira, que é uma loucura para este mês. E o calor não se vai limitar a essas duas localidades, porque Grândola e Mértola, também em Beja, vão chegar aos 29 °C, e mesmo Évora cidade vai chegar aos 28 °C. E não é um dia quente, porque essas temperaturas elevadas vão persistir durante vários dias. Eu não sei se não haverá aqui, no fim disso tudo, mais uma onda de calor. Imaginemos uma onda de calor a terminar outubro, é uma loucura, incluindo o fim de semana em que se celebra o Dia de Todos os Santos, portanto, 1 de novembro. São muitos dias com muito calor. Eu deixei um mapa com uma vez em relação ao-
São temperaturas de verão
São temperaturas de verão, em que se pode ir pra praia, apesar destas zonas onde há mais calor, sejam mais ali no interior alentejano e ribatejano.
O Dia de Todos os Santos é um dia de família, de visita a cemitérios também, mas poderá ser um bom dia, olhando para a meteorologia, pra ir à praia já em novembro.
Já em novembro. Não será o dia ideal para estar na praia, mas as temperaturas de 27 °C em Cruz, Mora e Grândola com 26 °C também em Mértola e Évora, vai dar seguramente, embora no litoral, como eu estava a dizer, vai estar mais fresco, mas são valores muito elevados pra esta altura do ano. E olhando pras temperaturas que estive ali a espreitar do IPMA, das séries que eles têm a longo prazo, será um Dia de Todos os Santos, provavelmente, dos mais quentes de sempre, embora já tenha havido um 1 de novembro recente que passou dos 29 °C. Aliás, essa série histórica de Beja, por exemplo, estamos a falar há bocado de Mértola, que pode ter uma das temperaturas mais altas neste dia, tem valores desde 1901 e inclui vários dias 1 de novembro acima dos 25 °C e esse valor histórico de 29,11 °C. Portanto, já não é uma coisa muito estranha, mas não deixa de ser um valor absolutamente brutal para final de outubro, início de novembro.
Falamos de tardes que serão de verão nestes últimos dias de outubro, mas as noites muito frias.
Muito frias. É o contraste impressionante nesta previsão. As temperaturas podem variar mais de 20 °C entre a madrugada e a tarde. Ainda aquelas terrinhas que estávamos a falar, terrinhas sem falta de nenhuma-
Mas mais interiores, mais fora das capitais de distrito.
Mais interiores e grandes terras, algumas delas. Cruz poderá começar, por exemplo, o dia com 7 °C e acabar nos 29 °C durante a tarde. São 22 °C de diferença, portanto, constipações em força. Mora, a mínima prevista pra quinta-feira é de 8 °C e a máxima 29 °C, que são 21 °C de diferença. E, por exemplo, mais a norte, Bragança poderá registrar apenas 6 °C de mínima na quinta-feira, enquanto Braga poderá começar o dia com 8 °C e atingir 26 °C durante a tarde. No mesmo dia, exigir um casaco quente no início da manhã e roupa leve durante a tarde.
E chuva. Terça-feira traz algumas chuvas. Já durante o dia de amanhã, o mapa do IPMA mostra aqui alguns chuviscos, principalmente Minho, talvez um pouco do litoral.
Sim, antes desta subida das temperaturas, era aquilo que eu estava a dizer há pouco, esta terça-feira, 27, tem um arrefecimento sazonal, uma baixa das temperaturas, e essa precipitação, sobretudo no Minho e no litoral. Em Braga, o IPMA aponta para que haja 76% de probabilidade de chuva e uma máxima de 21 °C, menos 3 °C nesta segunda. A descida das temperaturas também vai ser sentida noutras regiões. Coimbra deve passar de 26 °C pra 21 °C, Évora de 28 °C pra 23 °C, Beja de 27 °C pra 22 °C, mas é uma interrupção de um dia. Depois, a partir de quarta já sobe, e só haverá mudanças nos mapas e nos modelos ainda só a dar sinais os primeiros dias de novembro, que apresentam alguns sinais da alteração do estado da circulação atmosférica, com aumento gradual da probabilidade de chuva a partir de segunda-feira, dia 2, sobretudo no centro e sul, pra começar mais cá por baixo, e depois na semana, sobretudo 9 e 15 de novembro, em que o IPMA já prevê precipitação acima do normal em quase todo o território. Mas isto são só ainda os modelos, portanto, ainda não são precipitações seguras.
Muito confirmadas, sim. Em resumo, outubro termina com calor intenso pra época, novembro ainda começa com temperaturas elevadas, mas a partir ali dia 2 já vamos sentir algumas mudanças no estado do tempo. Vamos ao fenômeno de hoje. Como é que o ar quente de África pode chegar a Portugal e em pleno outono?
A resposta está em grande parte na circulação atmosférica que estávamos a falar e que pode mudar depois em novembro. Não é estranho que no outono e depois na primavera, as massas de ar quente não desaparecem, as massas de ar quente mantêm-se sempre a andar e a circular na atmosfera. E não fogem, estão ali. Normalmente estão nas regiões subtropicais e continuam a existir, quer sobre o norte de África, quer sobre o Atlântico subtropical O que muda é a posição dos anticiclones e das depressões, e isso define se essas massas podem deslocar-se para latitudes mais elevadas, chegando aqui à Península Ibérica. Podemos imaginar a atmosfera como um enorme sistema de corredores que mudam de sítio e por onde circulam essas massas de ar. Quando uma depressão se posiciona sobre o Atlântico, e as depressões são aquelas que andam com os ventos ao contrário do sentido dos relógios. Elas podem ajudar a transportar ar mais quente para Portugal.
De sul, não é?
Exatamente, porque rodam assim e o vento pode andar ali por aquele lado, as massas, e rodeá-las. O mesmo com os anticiclones, que andam conforme os ponteiros do relógio, que ajudam também a transportá-las e levá-las para cima. Neste caso, é uma extensa crista anticiclônica que permite que este ar quente subtropical, vindo do Norte da África, avance para norte e nos traga este calor.
Mas há aqui ainda um outro mecanismo importante.
Há, porque nos anticiclones, que é o caso que vamos ter, o ar tende a descer. À medida que desce, encontra pressões atmosféricas mais elevadas, portanto, é comprimido e aquece com a pressão atmosférica. Este processo chama-se aquecimento por compressão. Ao mesmo tempo, o movimento descendente do ar dificulta a formação de nuvens e permite que o sol aqueça mais facilmente a superfície. É por isso que mesmo no outono podemos ter vários dias de temperaturas superiores às habituais. Nem todo o calor tardio em Portugal significa que esteja a chegar diretamente do deserto do Saara. Para confirmar a origem africana, depois de uma determinada massa de ar, os meteorologistas precisam de analisar a sua trajetória, a circulação atmosférica em diferentes altitudes. No episódio desta semana, o sinal mais claro é essa influência anticiclônica, acompanhada de temperaturas elevadas e de ventos de leste em várias regiões. E depois há uma última curiosidade, podemos ter os tais 30 °C durante a tarde e poucas horas depois, temperaturas inferiores a 15 °C ou até menos durante a noite. Isso acontece porque nesta altura do ano as noites já são muito longas e isso permite um arrefecimento significativo durante a noite, sobretudo quando o céu está limpo e o vento é fraco. Portanto, podemos ter as tardes de verão sem deixar de ter noites de outono, até de inverno. E isto vai ser o que vai marcar os próximos dias em Portugal.
Vamos à curiosidade de hoje, um lago australiano que ficou cor-de-rosa. Por quê?
Exatamente. Fica no coração da Austrália, onde há um enorme lago salgado que passa grande parte do tempo praticamente seco. Só que quando chegam as chuvas intensas, a paisagem transforma-se completamente. O lago chama-se Kati Thanda ou Lake Eyre, é mais fácil. Situa-se no estado da Austrália Meridional e ocupa uma das regiões mais áridas do continente, porque a Austrália, como sabe, é um país, uma ilha.
E grande parte da Oceania, grande parte do continente.
Não, e um continente. E, portanto, o lago encontra-se numa depressão natural e recebe água dos rios que atravessam vastas áreas do interior australiano. Como aquela região é mesmo muito seca, a água pode demorar bastante tempo a chegar lá e há muitos anos nem sequer consegue encher uma parte significativa do lago. Mas quando há muita chuva, e este ano houve, a água percorre centenas de quilômetros até chegar ao lago. Vem praticamente desde as bacias dos rios e transforma uma superfície salina, quase deserta, numa enorme extensão de água. E há uma particularidade ainda mais surpreendente, que é algumas zonas ficam com essas tonalidades cor-de-rosa, rosadas, vermelhas.
Mas por quê cor-de-rosa?
A cor está associada a micro-organismos adaptados a ambientes muito salinos, capazes de produzir estes pigmentos que conferem à água aqueles tons avermelhados, rosados, quando há condições para isso. O fenômeno não acontece sempre, nem significa que todo lago fique cor-de-rosa. É apenas um exemplo de quando há estes micro-organismos e conjugados com a meteorologia, que transformam radicalmente a paisagem. A chuva que cai a centenas de quilômetros acaba a dar vida, semanas ou meses depois, a um dos ambientes mais extremos da Austrália. Tens aí bonitas imagens, Pedro.
Belas fotos aqui do lago australiano, que fica cor-de-rosa quando começa a receber chuvas. Está a maior parte do tempo seco, mas quando começa a chover ali naquela região, ganha esta tonalidade muito bonita. Parece pintado, parece uma imagem de IA, mas parece que é verdadeiro aquilo que trouxeste.
É verdadeiro.
Ao fenômeno de hoje no "Quente e Frio" com a Filomena Martins, que está de regresso amanhã depois das 16:00. Até amanhã.
Até amanhã.