Os Emirados Árabes Unidos (EAU) interditaram mais praias à medida que uma mancha de petróleo, resultante do derrame de um petroleiro, se está a alastrar. O navio foi alvo de um ataque a 9 de outubro no estreito de Ormuz, e na sexta-feira passada Abu Dhabi anunciou uma fuga de hidrocarbonetos perto da sua costa, ao mesmo tempo que alertava para o risco de uma maré negra.

Segundo imagens do satélite Copernicus, da União Europeia, datadas de 24 de outubro, o derrame tem vindo a aumentar e está a aproximar-se da costa do emirado Umm Al Quwain, no norte do país.

“O derrame de petróleo comunicado ao largo de Umm Al Quwain constitui uma grave preocupação ambiental. O encerramento temporário das praias e zonas costeiras é uma medida de precaução sensata enquanto se avalia a dimensão do derrame e o movimento da mancha de petróleo”, disse à agência de notícias Reuters Nidal Hilal, professor de Engenharia e diretor do Centro de Investigação da Água da Universidade de Nova Iorque em Abu Dhabi.

Foram vários os emirados a restringir o acesso às suas costas. No sábado, Ras Al Khaimah, emirado no norte dos EAU, interditou uma área de cerca de 65 quilómetros, conhecida pelas praias de águas cristalinas e tranquilidade quando comparadas com as do Dubai, normalmente mais lotadas. Também o emirado vizinho de Sharjah impôs restrições, por precaução, no acesso à praia de Al Hamriyah.

À medida que a mancha negra avança crescem as preocupações ambientais, pois segundo informa a União Internacional para a Conservação da Natureza, a vida marinha dos EAU é “rica em peixes, plantas e corais, com mais de 500 espécies diferentes de peixes a habitar as águas do Golfo”, incluindo golfinhos e tartarugas marinhas.

Por isso, enquanto tentava conter a fuga do petróleo, o Ministério das Alterações Climáticas e do Ambiente avaliava os danos ecológicos causados pelo Gem N.2, avança a Reuters. Segundo fontes do setor marítimo referidas pela agência de notícias britânica, o navio foi atingido por um projétil de origem desconhecida no mês passado, que causou um incêndio que a tripulação conseguiu extinguir, a cerca de 13 milhas náuticas (24 km) a oeste de Al Jazeera, nos Emirados Árabes Unidos.

O Gem N.2, cuja bandeira ainda não foi divulgada, não é caso raro no Golfo Pérsico. O início da guerra, em fevereiro, com o ataque dos Estados Unidos da América (EUA) e Israel contra o Irão, tem tornado alvos os navios comerciais no estreito de Ormuz, a rota de energia mais importante a nível mundial, onde circula cerca de 20% do petróleo mundial localizado a sul dos EAU, aumentando os riscos de segurança para o tráfego marítimo na zona.

Segundo a Reuters, outubro foi até agora o pior mês em termos de ataques contra embarcações comerciais no estreito de Ormuz e nas vias marítimas próximas, tendo sido registados até agora pelo menos 28.

Texto editado por Dulce Neto