Os Emirados Árabes Unidos (EAU) interditaram mais praias à medida que uma mancha de petróleo, resultante do derrame de um petroleiro, se está a alastrar. O navio foi alvo de um ataque a 9 de outubro no estreito de Ormuz, e na sexta-feira passada Abu Dhabi anunciou uma fuga de hidrocarbonetos perto da sua costa, ao mesmo tempo que alertava para o risco de uma maré negra.
Segundo imagens do satélite Copernicus, da União Europeia, datadas de 24 de outubro, o derrame tem vindo a aumentar e está a aproximar-se da costa do emirado Umm Al Quwain, no norte do país.
❗️Russian Tourists Report Skin Rashes After Swimming Near UAE Oil Spill
Russian tourists have reported red spots and small white bumps on their skin after swimming in the sea near Ras Al Khaimah, where an oil spill has been reported. Those affected say the rash is not itchy and… pic.twitter.com/1AiTtcureg
— The Caspian Post (@thecaspianpost) October 26, 2026
“O derrame de petróleo comunicado ao largo de Umm Al Quwain constitui uma grave preocupação ambiental. O encerramento temporário das praias e zonas costeiras é uma medida de precaução sensata enquanto se avalia a dimensão do derrame e o movimento da mancha de petróleo”, disse à agência de notícias Reuters Nidal Hilal, professor de Engenharia e diretor do Centro de Investigação da Água da Universidade de Nova Iorque em Abu Dhabi.
Foram vários os emirados a restringir o acesso às suas costas. No sábado, Ras Al Khaimah, emirado no norte dos EAU, interditou uma área de cerca de 65 quilómetros, conhecida pelas praias de águas cristalinas e tranquilidade quando comparadas com as do Dubai, normalmente mais lotadas. Também o emirado vizinho de Sharjah impôs restrições, por precaução, no acesso à praia de Al Hamriyah.
À medida que a mancha negra avança crescem as preocupações ambientais, pois segundo informa a União Internacional para a Conservação da Natureza, a vida marinha dos EAU é “rica em peixes, plantas e corais, com mais de 500 espécies diferentes de peixes a habitar as águas do Golfo”, incluindo golfinhos e tartarugas marinhas.
The Ministry of Climate Change and Environment confirms the UAE’s technical monitoring and environmental assessment system detected a tanker oil spill affecting Umm Al Quwain’s beaches. Odors noticed in Sharjah, Ajman and Umm Al Quwain pose no health risks to residents.
Teams… pic.twitter.com/KKIP45k1Dj
— وزارة التغير المناخي والبيئة (@MoCCaEUAE) October 22, 2026
Por isso, enquanto tentava conter a fuga do petróleo, o Ministério das Alterações Climáticas e do Ambiente avaliava os danos ecológicos causados pelo Gem N.2, avança a Reuters. Segundo fontes do setor marítimo referidas pela agência de notícias britânica, o navio foi atingido por um projétil de origem desconhecida no mês passado, que causou um incêndio que a tripulação conseguiu extinguir, a cerca de 13 milhas náuticas (24 km) a oeste de Al Jazeera, nos Emirados Árabes Unidos.
O Gem N.2, cuja bandeira ainda não foi divulgada, não é caso raro no Golfo Pérsico. O início da guerra, em fevereiro, com o ataque dos Estados Unidos da América (EUA) e Israel contra o Irão, tem tornado alvos os navios comerciais no estreito de Ormuz, a rota de energia mais importante a nível mundial, onde circula cerca de 20% do petróleo mundial localizado a sul dos EAU, aumentando os riscos de segurança para o tráfego marítimo na zona.
Segundo a Reuters, outubro foi até agora o pior mês em termos de ataques contra embarcações comerciais no estreito de Ormuz e nas vias marítimas próximas, tendo sido registados até agora pelo menos 28.
Texto editado por Dulce Neto