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Luís Neves veio ao Parlamento decidido a dar provas do trabalho cumprido no governo e só por uma vez, na primeira intervenção, se referiu às polémicas em que está envolvido para admitir erros em algumas decisões, mas para garantir.
Nenhuma dessas decisões foi tomada para lesar o Estado ou prejudicar o interesse público.
Para Pedro Pinto, do Chega, esse mea-culpa não é suficiente. Deixa, por isso, uma pergunta logo respondida pelo ministro.
A pergunta que eu lhe faço é muito simples: quando é que se vai embora? Já combinou com o senhor primeiro-ministro, Luís Montenegro, qual é o prazo para continuar a ser ministro da Administração Interna?
Quando é que me vou embora? Quando o governo terminar ou quando o senhor primeiro-ministro entender.
Pedro Pinto quis saber se o ministro iria sair pelo próprio pé e Luís Neves não deixa dúvidas.
Não, claro que não.
Pelo PS, Isabel Moreira avisa que o problema já vai além do nome de Luís Neves.
O problema já não é apenas saber se o senhor ministro considera que mantém condições, é saber se o senhor primeiro-ministro considera que o governo pode continuar indefinidamente neste estado de desgaste.
E alerta que também o PS precisa de mais explicações.
O governo não pode entregar a André Ventura a definição das condições políticas dos seus ministros, mas também não pode usar o comportamento do Chega como resposta suficiente às questões que permanecem por esclarecer.
Nesta longa audição, o ministro respondeu ainda às perguntas de Paulo Muacho, do Livre, que quis saber se houve ou não contrapartidas para a empresa Constrobarcelos para que recebesse o polémico atrelado de droga.
Não houve qualquer pagamento pelo depósito durante meses que ele esteve.
E às perguntas da deputada Paula Santos, que não entende por que o Estado não tem instalações prontas para receber estes materiais.
Nós temos, de facto, isto é histórico, muitas dificuldades em encontrar depósitos, porque há cada vez mais material apreendido por todos os lados.
E o liberal Rui Rocha quis esclarecer uma dúvida antiga.
Se o senhor ministro pertence ou pertenceu à maçonaria?
Não, nunca. Não pertenço. Pertenço ao Clube Académico do Fundão e ao Clube Recreativo do Feijó e ao Atlético Clube de Almada.
Para o final, Luís Neves guardou um último esclarecimento, em jeito de aviso, para a bancada do Chega.
Nunca disse a expressão que quiseram colocar-me na boca "Vais pagá-las". Nunca disse isso. Eu vou dizer o que disse. É que vão levar comigo.
Nota que Pedro Pinto só considera ainda mais grave. São novas explicações do ministro em mais um episódio da novela Luís Neves.