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Acompanhado por todos os ministros no fundo, Luís Montenegro lança um desafio direto. Em São Bento, pede aos partidos que reajam para dizer se o governo tem condições para continuar, embora admita que há partidos que nunca vão estar satisfeitos com as respostas. O primeiro-ministro diz sentir que a vontade da maioria dos portugueses é evitar a crise política, mas atira ao Parlamento essa responsabilidade para que a verdade possa ser interpretada.
Em termos políticos e governativos, insto daqui os partidos políticos representados na Assembleia da República a declarar, sem tibiezas, se consideram, depois de tudo o que já foi dito e conhecido, que o governo dispõe de condições para continuar a executar o programa do governo, como resultou há uma semana da votação da moção de censura.
Caso contrário, à falta de clarificação política da oposição, deixa no ar a possibilidade de uma moção de confiança.
Sem essa resposta, a clarificação política exigirá a confirmação dessas condições no Parlamento, o que, por iniciativa do governo, só pode acontecer com a apresentação de uma moção de confiança.
Montenegro defende que a situação política tem de ser clarificada, mas admite que uma crise pode ser inevitável. E sobre a empresa familiar, que levou a uma declaração em horário nobre, Montenegro apresenta a solução: os filhos.
Relativamente à empresa familiar, ela será, doravante, totalmente detida e gerida pelos meus filhos. Mudará a sua sede e seguirá o seu caminho exclusivamente na esfera da vida deles.
O primeiro-ministro responde ainda às polémicas para dizer que nada foi descoberto.
Portugueses, eu confio no vosso critério. É verdade, eu nunca o escondi. E é bom repetir e lembrar: tudo isto foi declarado por mim. Ninguém descobriu nada. Está tudo nas minhas declarações de interesses.
Luís Montenegro mostra-se pronto para ser escrutinado pela oposição e pelos portugueses.