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A Rádio Observador está em Londres e a esta hora tomamos o pequeno-almoço num café português. Mais concretamente, no café A Barca, em Hammersmith, onde está o enviado especial Luís Soares. Luís, bom dia. Não sei se já conseguiste beber aquele café o mais parecido com o português possível.

Bom dia, Carla. Bom dia, Maria João. Foi um café que o Sr. Mário me trouxe e que naturalmente foi o melhor que bebi até agora aqui em Londres. O Sr. Mário está aqui comigo. Bom dia, Sr. Mário, obrigado por nos receber aqui, a Rádio Observador, no café A Barca. Sr. Mário, olhando ali para a montra vejo pastéis de nata, bolas de Berlim, bolos de arroz. Os britânicos vêm cá à procura dessas iguarias de Portugal ou são mais os outros portugueses que vêm aqui?

Não. Os britânicos agora procuram muito o pastel de nata e o bolo de arroz, muita doçura portuguesa.

E é feito aqui ou manda vir de Portugal?

Não, fazemos nós cá. Fazemos aqui e vai-se criando. Porque o pastel de nata começou-se a conhecer com os britânicos, depois que começou o turismo a entrar fortemente em Portugal, então já começam a vir e veem um pastel de nata ou estes pastéis de Belém, que não são iguais, não é a mesma coisa.

Mas é parecido.

Já é parecido.

Eles também não sabem ver bem a diferença.

A diferença também não conhecem muito.

Sr. Mário, o que é que serve de mais tipicamente para além desses doces aqui de Portugal?

Nós, de Portugal, aos fins de semana usamos sempre um prato tradicional português, um cozido à portuguesa, uma feijoada à transmontana.

Isso tem saída para os britânicos? Eles vêm cá à procura disso?

Não. O que tem saída de comida para o britânico é o peixe, a dourada bem feita, o bacalhau com natas sai muito bem para eles também. Bacalhau grelhado não comem, não querem, mas tudo o que vai no forno, bacalhau com natas, bacalhau à Gomes Sá, já agarram. Mas feijoada também não querem.

É estranho para eles.

É muito estranho para eles. E pronto, de resto vão comendo comida diária, mas mais o género deles. Mais o inglês, um stew, como nós dizemos. Se nós fazemos uma jardineira, eles comem, porque é parecido com um prato deles que chamam de stew.

Uma espécie de guisado, não é?

Tipo um guisado, que seja de porco, que seja de vaca. E de resto é o breakfast tradicional.

Sr. Mário, onde é que estava quando soube da morte da rainha? Estava aqui a trabalhar?

Eu estava aqui a trabalhar.

E como é que soube? Pela televisão, pela rádio?

Sim, pelas notícias, que as notícias aqui também passam rapidamente.

Diga-me uma coisa, como é que a comunidade portuguesa acompanha também estes momentos da monarquia? São importantes também para a comunidade portuguesa?

Sim, foi muito importante, porque foi uma perca grande para o país. Para quem cá trabalha, tem os seus empregos, tem os seus negócios, porque era uma coisa que trazia muito turismo aqui. Havia muito movimento por causa da rainha, porque vinham aqui visitar e para o mercado foi uma perca grande. E como pessoa, também era uma grande pessoa.

E o que é que pensa agora do novo rei, do Carlos?

O novo rei, do Carlos, talvez eu pense que não chegará ao que a mãe chegou, mas não é que seja má pessoa. Ele é boa pessoa. Eu, há uns 20 e tal anos, uns 25 anos, trabalhava num hotel que se chamava Grosvenor House Hotel, onde eles faziam os partes do King. Todos os anos servi-os a todos eles com vinhos, que eu servia vinhos. O Carlos, a Diana, no tempo da Diana, os filhos da Diana, todos eles faziam dois, três partes por ano ali. Não são más pessoas. Agora houve aquela coisa da perca da Diana, que motivou o Charles a se ajuntar com a Camila e tudo, mas isso já está tudo passado.

Algumas confusões.

Algumas confusões.

Sr. Mário, muito obrigado.

Já está tudo passado.

Muito obrigado, Sr. Mário, por nos ter recebido aqui. Já agora, se me pudesse arranjar um pastel de nata também agradecia.

Até não posso.

Carla e Maria João, já sei que vocês a esta hora habitualmente já tomaram o pequeno-almoço, agora é a minha vez.

Fazes muito bem, Luís, mas em todo o caso, um café cheio para mim e um pastel de nata para a Maria João.

Será entregue.

O Luís Soares, que está em direto de Londres, na Barca, um café português. Ele que é o enviado especial da Rádio Observador.