Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

É um momento muito triste. Não quer dizer que não fosse esperado, porque eu fui tentando acompanhar a doença dela desde há 15 dias para cá e as esperanças parece que não eram muito grandes. Enfim, enquanto há vida há esperança. Mas é uma perda muito grande. Era uma atriz extraordinária e era uma pessoa fabulosa, amiga do seu amigo e amiga de todos, sobretudo dos mais novos. Ainda o José Raposo há dois dias me dizia: a Maria João era uma pessoa que vivia para ajudar os outros. O primeiro objetivo dela era ajudar os outros. E depois era uma atriz fabulosa e depois eu tenho sempre muita pena quando morrem pessoas com esta idade, 57 anos, francamente, não são idades para desaparecer. Ela morre sem mostrar exatamente tudo aquilo que podia ter mostrado como a atriz fabulosa que era. Eu trabalhei bastante com ela.

Era o que eu ia perguntar, se contracenaram juntos.

Sim, contracenamos muito, sobretudo na televisão. Criamos uma grande amizade. Eu tinha uma grande admiração por ela e uma enorme amizade. Eu penso que é muito triste e é uma grande perda para o teatro português, para a televisão portuguesa, para o cinema português, o desaparecimento da Maria João Abreu.

Já que se referiu que era uma atriz que fazia essencialmente comédia, mas era uma atriz também talhada para o drama?

Ela era capaz de fazer tudo. Havia uma coisa curiosa. Nestes momentos tristes, a gente pode lembrar-se de coisas engraçadas. É um louvor que se faz a quem desaparece. Ela tinha uma facilidade enorme enquanto representava, de chorar. A gente não estava nada à espera, sempre a propósito. De repente, as lágrimas vinham-lhe aos olhos, sempre, dentro da personagem. Eu nunca vi nenhum ator, nenhuma atriz, com uma capacidade tão grande de chegarem as lágrimas aos olhos e de chorar verdadeiramente. Isso revela uma sensibilidade e uma capacidade de atriz incrível e fabulosa. É uma pena que ela tinha ainda 20, 30 anos à frente para mostrar todo o seu grande talento.

Agradeço-te, Rui Mendes.

Obrigado.

Um enormíssimo ator que também aqui presta o seu testemunho a propósito da morte de Maria João Abreu, a atriz que nos deixa aos 57 anos.