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Guardo as melhores memórias da Maria João, ela era uma rainha do teatro e fez comigo talvez o papel da sua vida em teatro, que foi a Rainha do Ferro Velho, onde ela tinha uma interpretação notável ao lado de José Raposo e de João Baião. Muitos espetáculos fez comigo, não só pra televisão, o Cabaré, a Grande Noite, como também de revista. A última revista que ela fez, que foi o Portugal à Gargalhada, que foi um êxito, teve quase um ano no Politeama e onde ela também era soberba nas suas interpretações, sobretudo no número em que ela contava a vida e como foi parar ao teatro, que era um número chamado "Mamãe, eu quero ser artista", que ela fazia maravilhosamente. Era uma atriz genérica, tanto fazia o drama como a comédia, portanto muito versátil, uma boa profissional e hoje estou muito triste, porque de facto desapareceu uma rainha do teatro.
Já que fizemos menção a isso, começou no teatro, mas passou depois para a televisão e foi na televisão que catapultou a imagem da atriz, tal como hoje a conhecemos. Gostava mais de a ver fazer teatro ou televisão?
Acho que fazia bem os dois gêneros. Mas a grande paixão da Maria João, como quase todos os atrizes e atores, era o teatro. O teatro para um ator é a mãe de todas as artes. Uma boa atriz de teatro faz bem todos os gêneros.
E era fácil dirigir a atriz Maria João Abreu?
Sim, ela sobretudo deu a alma e o corpo ao fazer a Billy, a corista da Rainha de Ferro Velho, que tinha sido uma interpretação lendária da Laura Alves, e que ela reviveu essa personagem extraordinariamente. Foi mesmo talvez a maior interpretação que ela fez na sua vida.
Já aqui falámos com algumas pessoas ao longo desta emissão que puseram em evidência a dimensão humana de Maria João Abreu. É também uma dimensão que reconhece?
Eu tinha uma grande admiração por ela como mãe, porque era uma mãe extraordinária do Ricardo e do Miguel, aliás, que são dois jovens e talentosíssimos atores, filhos da Maria João e do José Raposo. E era de facto uma mãe com uma ternura, uma atenção, uma dedicação. Foi mesmo uma mulher que nasceu pra ser mãe.
Alguma história que queira partilhar connosco neste momento e que recorde com especial saudade?
Então vou lhe contar uma história divertida, neste momento tão doloroso como estamos a passar. Uma vez filmamos um espetáculo que era ao vivo e transmitido na RTP, que era o Cabaré. E ela fez muito bem uma personagem e eu decidi fazer-lhe um grande mas como sou um bocado deslexico, troquei o nome. Em vez de Maria João, disse Maria José ou outro nome qualquer, o que deu para uma grande gargalhada da parte dela e da parte do público. Portanto, é uma história divertida que eu vou sempre recordar.