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Bom dia, desde já obrigada pela disponibilidade para falar com a Rádio Observador. Estou com o José Machado, o presidente da Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra. A Associação Académica de Coimbra apresentou mesmo há pouco o manifesto jovem da Associação Académica de Coimbra para as eleições presidenciais de 2026. E queria começar por lhe perguntar, José, de onde é que surgiu esta ideia e em que é que consiste este manifesto?

Antes de mais, agradeço à Rádio Observador pela disponibilidade em nos dar algum palco mediático para falar um pouco sobre o nosso trabalho. Nós, quando tomámos posse há cerca de duas semanas, estávamos plenamente cientes de que o ato eleitoral que se avizinhava era de extrema importância. Um presidente da República tem confiado poderes que têm uma capacidade transformadora no país considerável, única, arrisco-me a dizer. E nós, enquanto estudantes do ensino superior, apercebemo-nos de que o próximo presidente da República poderá ser um fator decisivo na transformação do nosso dia a dia, no ensino superior e, de certo modo, no solucionamento de uma série de problemáticas que já se arrastam há vários anos. Desta vontade surgiu a capacidade de trabalho de gerar um documento que explana genericamente e objetivamente aquilo que são as nossas principais preocupações, para que possamos também entregá-lo aos diversos candidatos e enquadrar as próprias candidaturas naquilo que deverá ser a sua atuação política, caso eleitos.

E essa entrega vai ser feita em mão, vão lhes enviar?

O nosso objetivo será agora sair do nosso espaço, do nosso edifício sede, será ir ao encontro dos diversos candidatos e, enquadrado numa nova estratégia de comunicação política da nossa parte, gerar algum conteúdo que procure quebrar barreiras entre os candidatos e entre a academia e gerar algum conteúdo digital para que possamos aproximar os nossos estudantes, os nossos pares, do próprio processo eleitoral. Essa será uma intenção de ir ao encontro dos candidatos, entregar presencialmente o nosso manifesto, trocar algumas ideias, debater um pouco o futuro da juventude e apresentar um conteúdo diferente daquilo que é o habitual no ensino superior, seja no âmbito político, seja no âmbito cívico.

E queria lhe perguntar, lá está no documento, neste manifesto, que preocupações, prioridades e propostas é que são apresentadas?

Nós procurámos segmentar em seis áreas temáticas aquilo que eram as nossas preocupações. Desde a saúde mental à sustentabilidade, passando enfaticamente pela habitação e, por exemplo, pela ação social. Nós acabamos por diferenciar aqui alguns setores que consideramos essenciais para o sucesso futuro da juventude. Nestes capítulos, nós acabamos por ter a capacidade de enquadrar os candidatos para aquilo que é a atual realidade dos diversos setores, das diversas áreas que abordamos e, de modo objetivo, apresentar recomendações políticas de qual deverá ser a postura do próximo presidente da República perante estes problemas que enfrentamos há tanto tempo. É o condensar de um trabalho muito extenso de vários anos de auscultação à academia, que apresenta agora um documento que em 30 páginas tem uma capacidade transformadora considerável junto do próximo presidente da República.

Exatamente, acabou de mencionar que apresentaram recomendações políticas que esperam que os candidatos sigam. Como é que a Associação Académica de Coimbra defende então que deve ser o próximo presidente da República? Que perfil e em termos de jovens, o que é que ele deveria defender?

Nós ambicionamos que, acima de tudo, o próximo presidente da República seja alguém próximo da juventude, que não ouça apenas a juventude por ouvir, mas que saiba transpor as nossas reivindicações para a realidade. Esse é um problema com o qual nos temos debatido, com a banalização da voz da juventude e, de facto, ambicionamos que o próximo presidente seja alguém capaz de incorporar as nossas visões naquilo que é a complexidade da governação do nosso país. Acreditamos que, se temos um presidente que seja próximo dos jovens, que tenha os jovens em consideração, poderemos transformar em conjunto, não dependendo apenas do governo, nem dos partidos políticos, poderemos transformar o futuro da juventude portuguesa. Esta é uma grande expectativa nossa, de que o próximo presidente da República, seja ele quem for, seja próximo da juventude, ouça a juventude e coloque em prática as nossas reivindicações, ou seja, através de um modo esclarecido, um modo agregador, que procure fazer a ponte entre o próprio governo, muitas vezes, e a própria academia, neste caso, a nossa academia coimbrã, com tanta estima que temos.

E queria lhe também perguntar que expectativas é que têm para a campanha eleitoral, se pensam que os candidatos estão a falar muito ou pouco dos jovens, se esperam que vão muito de encontro aos jovens agora nesta campanha que está prestes a começar. Que expectativas é que têm?

O próprio documento alerta para esse facto, para a participação cívica da juventude. Nós reconhecemos que a eleição presidencial é uma eleição distante dos jovens, que por muitas vezes assume âmbitos que não se cruzam com o quotidiano da juventude portuguesa. E nós, por reconhecer esta importância, iremos também predispor-nos a uma campanha de apelo ao voto bastante diferente do habitual. Uma grande aposta no digital, com a capacidade de comunicar na língua do jovem, na linguagem atual dos jovens e que aproxime a própria juventude deste processo eleitoral. Acreditamos que não só tendo esse posicionamento político através do manifesto, poderemos fomentar esta participação, bem como através destas campanhas de promoção cívica e democrática aqui no seio da juventude, mais em concreto na Academia de Coimbra, poderemos aproximar os jovens da eleição que agora aí se avizinha. Através daí, teremos inevitavelmente uma participação acrescida da juventude, que se irá, esperemos nós, transpor para a própria atuação política do próximo presidente da República. Nós queremos, como disse há pouco, que não se banalize a voz dos jovens, que não se fale da juventude por se falar, nem que se materialize a juventude para finalidades políticas, mas que sim se ouça a juventude para podermos transformar aquilo que é a sua própria realidade. Esta é a nossa grande missão, emancipar aqui os jovens também, de certo modo, na própria política.

E acredita que os candidatos presidenciais vão ter no centro da campanha os jovens? Acredita que este manifesto pode, de facto, fazer algum tipo de diferença? Acha que estão pouco virados para os jovens, que agora podem vir a virar mais?

Acredito que sim e espero que sim, acima de tudo. Este documento tem como objetivo também isso mesmo, fomentar nos candidatos este interesse acrescido por parte da juventude e dar provas concretas do nosso trabalho e da nossa consciência para com a realidade que enfrentamos diariamente. Ao apresentar um documento como este, tão completo, tão genérico e objetivo, poderemos de facto alertar os candidatos para a urgência de integrarem a juventude no seio do debate político e, caso eleitos, de o transpor para a própria atuação política que terão enquanto próximo presidente da República.

Creio que foi quando tomou posse, anunciaram que queriam lançar este manifesto e acho que foi o José que disse que queriam expor um documento político com a visão para o ensino superior. Queria lhe perguntar se considera que este documento representa a visão de todo o país, de todas as federações, de todas as associações académicas, de todos os estudantes do ensino superior, ou apenas a visão de Coimbra.

Eu acredito, como mencionei até na própria conferência de imprensa, que há causas comuns que se cruzam com todo o movimento estudantil neste manifesto. Daqui terei que realçar inevitavelmente a habitação, a saúde mental, a sustentabilidade e a participação cívica como áreas que são comuns ao movimento estudantil. No entanto, este é um documento da Associação Académica de Coimbra que faz jus àquilo que é o nosso legado político enquanto Académica de Coimbra e que expõe, acima de tudo, a nossa realidade enquanto academia. No entanto, é verdade que os problemas que o ensino superior enfrenta do ponto de vista estrutural são os mesmos. No que diz respeito à ação social, à habitação, ao modelo de financiamento do ensino superior, e cruzam-se com reivindicações de outras academias, nomeadamente Lisboa, Porto, Minho, Aveiro, etc., que conseguem de certa forma cruzar-se com o nosso próprio posicionamento político. No entanto, este é um documento originário da Académica de Coimbra, que tem por detrás um longo trabalho de auscultação e participação estudantil na sua própria construção e que faz jus, acima de tudo, à visão da Academia de Coimbra para o próximo presidente da República. Este é o grande mote que queremos deixar. Queremos liderar o movimento estudantil, dando razões e material para o fazer.