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Os frente a frente com os líderes partidários só terminam a 28 deste mês, mas a forma como os debates se vão realizar já deram origem a várias queixas, quer para a Comissão Nacional de Eleições, a entidade reguladora para a comunicação social e os próprios canais de televisão. É para conversar sobre tudo isto que convidamos para se juntar a esta hora da campanha da Rádio Observador, Nuno Santos, diretor de informação da TVI e CNN Portugal. Carla Jorge Carvalho. Bom dia, Nuno Santos. Bem-vindo à Rádio Observador. Há, de facto, muitas polémicas a marcar estes debates e que envolvem também as televisões, a começar pela indicação de Nuno Melo para representar a AD em alguns destes frente a frente e não o primeiro-ministro. A ERC já disse ontem que cabe apenas aos partidos definir quem representa. Mas os canais de televisão, Nuno, podem ter alguma intervenção nesta matéria, podem de alguma forma influenciar?
Bom dia e obrigado pelo convite. Em relação a esse ponto concreto, vale a pena talvez lembrar aquilo que aconteceu o ano passado. O ano passado, os três canais de televisão, quando foram confrontados pela AD, pela coligação, com a possibilidade de o Nuno Melo substituir Luís Montenegro em alguns dos debates, disseram que isso não deveria acontecer. E, de facto, não aconteceu. Qual foi o argumento que nós utilizámos o ano passado e que nos parecia bastante sólido? É que o CDS não tinha representação parlamentar. O argumento da coligação é que o CDS tinha um histórico, estava representado em inúmeras câmaras municipais, tinha representação no Parlamento Europeu, mas o nosso argumento é que não tinha, e não tinha, de facto, representação parlamentar. Ora, esse argumento este ano deixou de ser válido. E, portanto, nós tomámos como boa a proposta da AD para que a coligação pudesse estar representada pelos seus dois líderes ou pelos líderes dos dois partidos. Coisa diferente é o fato de a coligação ter indicado Luís Montenegro para um conjunto de debates e Nuno Melo para outro. Portanto, nós não fomos tidos, nem achados, para usar uma expressão comum, nessa escolha e até de um ponto de vista estritamente editorial, não estamos de acordo com ela. Mas como a própria ERC disse, no limite, não nos compete fazer essa escolha.
E fazerem essa definição. Há o risco de haver cadeiras vazias no estúdio um dia destes para esses debates?
Eu diria que nós temos que estar preparados para tudo. O facto de a entidade reguladora não ter dado razão, designadamente ao Livre, não inibe o Livre de tomar, que é o primeiro caso que vamos ter aqui na sexta-feira, esse debate será na TVI. Portanto, vou eu ter que gerir essa situação, mas poderia ser em algum dos outros canais. O Livre, passe a redundância, é livre de tomar a posição que lhe parecer mais adequada.
E depois, concretamente tu, Nuno Santos, terás que tomar uma decisão muito rapidamente relativamente aos debates. Hoje entramos no terceiro dia dos debates. Os espectadores, as audiências estão a gostar do que está a acontecer?
A exemplo do que sucedeu em anos anteriores, a resposta é sim. Ontem foi o segundo dia. O primeiro ficou condicionado pelo fato de existir um jogo de futebol de grande impacto, exatamente no mesmo horário, e que teve uma audiência muito significativa. Mas olhando para os números de ontem, eu estava a acabar de o fazer, o debate entre Mariana Mortágua e Pedro Nuno Santos, no conjunto do canal generalista e do canal dedicado, isto é, entre a SIC e a SIC Notícias, teve mais de 1 milhão de espectadores, talvez 1 milhão e 100 mil espectadores. O debate entre André Ventura e Rui Tavares na RTP3 teve cerca de 150 mil espectadores, audiência média. E isso são números muito significativos. E eu acho que nós também não podemos olhar para a questão das audiências pela estrita leitura destes números, porque o que acontece é que depois muito daquilo que é dito pelos candidatos naquela meia hora, continua a viajar muitas horas depois, nas redes dos próprios candidatos, desde logo, mas também na Rádio Observador, noutras estações de rádio, noutros meios. É alvo de comentários, eu às vezes vejo alguma depreciação ao facto de estações de televisão e de rádio dedicarem muito do seu tempo à análise dos debates, mas isso é também uma forma de nós verificarmos aquilo que é dito pelos atores políticos e, portanto, os debates não se esgotam naquilo que é dito pelos protagonistas políticos naquele momento e naquela circunstância.
É muito mais do que aquela meia hora. Nuno Santos, obrigada por teres vindo à Rádio Observador. Relativamente a debates, hoje há apenas um, às 18h, na SIC Notícias, entre Paulo Raimundo e Rui Tavares.