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Junta-se a este jornal Rui Garrido, presidente da Federação das Associações de Agricultores do Baixo Alentejo. Bom dia, Rui Garrido. Já há consequências desta falta de chuva?

Bom dia. Nós estamos, de facto, a acompanhar com muita preocupação a evolução da nossa meteorologia, até porque para os próximos 14 dias, ainda há bocadinho estava a ver isso, não dão chuva nenhuma. É como você dizia há pouco, as nossas preocupações situam-se a dois níveis: o nível do sequeiro e o nível do regadio, que são com impactos um bocadinho diferentes. No sequeiro, muitas das culturas que nós semeamos, e quando digo muitas culturas, estou-me a referir a pastagens que foram semeadas mais cedo e agora um pouco mais tarde, cereais, em muitos casos nasceram muito mal, portanto já há imediatamente perdidas as suas rentabilidades. Noutros casos, que nasceram, ainda bem, a erva não cresce porque não chove. Nos solos a sul, onde normalmente os nossos solos são mais fracos, menor potencial produtivo, solos mais escretizados, se passarem no scanner nas estradas e olhar para os campos, começam já a ver, em muitos casos, a ficarem assim azulados, sintoma nítido de falta d'água. Portanto, o que é que isto faz? Não havendo pastagens para o gado, os agricultores são levados a consumir muitos dos alimentos que tinham conservados, como é o caso de fenos, palhas, e a adquirir rações.

E não é a mesma coisa, não é? Para os animais não é a mesma coisa.

Não só não é a mesma coisa, como é muito mais caro. Não só que eu tenho que destruir, como a esmagadora maioria dos nossos fatores de produção, também como dizia e bem, aumentaram de uma forma perfeitamente extraordinária, de um ano para o outro. Neste caso que eu estava a falar da pecuária, naturalmente para fazer a cultura, teve que gastar cerca de 30% a 40% mais dinheiro em sementes, 40% a 50% mais dinheiro em gasóleo, teve que gastar, por vezes duplicar o preço dos fertilizantes.

E, portanto, Rui Garrido, isto vai ser mais caro, a carne vai ser mais cara para o consumidor.

Não sei se isso já se fez refletir bem na prateleira. Talvez ainda não. Mas de qualquer maneira, este é um drama, ou seja, como eu já disse, a seca, neste momento, associado ao aumento dos fatores de produção, é como que um filme de terror aqui para a nossa agricultura de sequeiro. Depois, temos que falar também da falta de água nas barragens. Isto tem que chover, porque não imaginamos que amanhã tenhamos água para dar de beber ao gado. E dos nossos pequenos regadios, porque há muito pequeno regadio aqui na nossa região, as barragens não têm água para regar. Não estou a falar do Alqueva, o nosso grande lago, felizmente, tem muita água e mete água com alguma facilidade, que já está mais do que provado. Agora, os regadios que dependem do Alqueva para serem abastecidos, todos os nossos regadios aqui, nomeadamente da Bacia do Sado, para que os agricultores possam regar, têm que comprar água ao Alqueva. E portanto, além de todos os fatores de produção que eu já falei há bocadinho, que todos aumentaram, ainda vão ter que regar com uma água muito mais cara, porque vão ter que a comprar a EDIA.

Rui Garrido, está a ficar um drama e ficou bem claro. Muito rapidamente, o governo pode ajudar de alguma forma estes produtores?

Nós vamos equacionar medidas, precisamente, para que possam amanhã ser solicitadas. No passado, com outras secas, já houve ajudas diretas, quer para as culturas, um tanto por hectare, como para o gado, um tanto por cabeça. Há uma outra ajuda que é essa, para nós também uma figura imprescindível neste momento, é uma coisa que nós vimos falando já há muito tempo, desde que os fatores de produção começaram a aumentar, que é a questão da eletricidade verde. Nós, no tempo, como temos para a agricultura, para o gasóleo, tem um desconto, portanto, eu compro o gasóleo para fins agrícolas mais baratos, isso já aconteceu no passado para a eletricidade, coisa que não está a acontecer. Face aos aumentos dos custos de energia, seria também uma boa medida voltarmos a ter a questão da eletricidade verde.