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Em direto neste jornal está precisamente Luís Mira, o Secretário-Geral da CAP. Muito bom dia, obrigada por estar já conosco. Pode explicar-nos o que o Governo não está a cumprir daquilo que prometeu?

Houve uma promessa durante a campanha eleitoral de que esta má decisão de colocar as Direções Regionais de Agricultura sob a tutela das CCDRs iria ser revertida, assim como a questão das florestas. As florestas já foram revertidas, esta promessa eleitoral está por cumprir. Isto prejudica a execução dos fundos agrícolas em Portugal. Não faz nenhum sentido que o Ministério da Agricultura, que tem a responsabilidade da gestão e aplicação dos fundos, tenha as estruturas que estão no terreno, na tutela das CCDR. Isto não faz nenhum sentido, é um mau funcionamento. Quem perde é o país, quem perde são os agricultores. Nós não estamos a fazer nenhuma exigência, estamos a pedir que seja cumprida uma promessa eleitoral, que se honre a palavra dada e portanto, é isso que está em causa. Não é mais dinheiro, não são exigências, é cumprir o prometido.

E já teve a oportunidade de alertar pessoalmente o ministro da Agricultura, o atual ministro, para essa promessa não cumprida?

Sim, o ministro da Agricultura sabe bem desta promessa que está por cumprir, que para ele lhe fazia muito jeito também, porque é uma estrutura que lhe faz falta para a sua função. E portanto, o problema não está no ministro da Agricultura, o problema está no Governo. É uma decisão que terá que ser o primeiro-ministro a tomá-la, porque há aqui, eu diria, quase que um conflito de interesse entre o Ministério da Coesão e o Ministério da Agricultura. Não faz nenhum sentido, é uma má decisão que o anterior governo tomou. Não é por mudou o governo que a decisão se torna boa. Portanto, ela continua a ser má e a promessa foi de reverter. É isso que nós pedimos, é que ela seja cumprida.

Se isso não acontecer, Luís Mira diz que em setembro pode haver protestos. Falamos de quê, concretamente?

Sim. Se isso não acontecer, não é pode haver, vai haver protestos. E não é só em setembro, vai haver protestos até que esta decisão seja revertida, até que o governo lá esteja. Nós não temos duas palavras, só temos uma. A decisão era má, nós fizemos protestos o ano passado no início do ano e continua sem ser resolvido esse problema grave para o bom funcionamento da política agrícola comum. Por isso nós vamos protestar enquanto essa promessa não for cumprida.

Podemos concluir então que para os agricultores o governo já não está em estado de graça?

Não, não está em estado de graça porque há uma promessa que já passaram quatro meses e não foi cumprida. E as promessas são para cumprir, não é na campanha eleitoral que se prometem as coisas. Não é nenhuma exigência. Nós não estamos a pedir aumentos de verbas, não estamos a pedir mais programas, não estamos a pedir nada disso. Estamos a pedir o cumprimento de uma promessa eleitoral, governar é cumprir aquilo que prometeu. É isso que nós estamos a pedir