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A propósito da reunião que está marcada para hoje, que foi marcada pelo governo com o grupo de acompanhamento das condições de abastecimento de bens nos setores agroalimentar e do retalho. Perguntava-lhe, em primeiro lugar, imagino que também foram convidados a participar nesta reunião, portanto, vão participar nesta reunião?

Sim, a APERF foi convidada a participar nesta reunião, aliás, à semelhança do que aconteceu no início da pandemia, em que, de facto, quer o Ministério da Economia, quer o Ministério da Agricultura tiveram uma iniciativa semelhante e que foi, na altura, essencial, eu diria, para que não houvesse nenhuma ruptura na cadeia de distribuição. Portanto, saudamos e identificamo-nos com esta iniciativa que nos parece prudente e avisada.

E neste momento já é possível fazer um ponto de situação ou pelo menos uma antevisão do que podem ser as próximas semanas, em particular do período natalício? Portanto, há risco de ruptura nesta quadra natalícia?

Eu queria sossegar os ouvintes da Rádio Observador com um esclarecimento. É evidente que a cadeia de valor e cadeia de distribuição está com uma pressão muito grande que vem de vários fatores. Não é apenas o aumento do custo das matérias-primas e o aumento do custo da energia e dos combustíveis fósseis. Também há uma pressão sobre a cadeia de distribuição, no sentido de que há produtos que estão a ter maior dificuldade de chegarem a Portugal. Agora, no que diz respeito à cadeia alimentar, Portugal tem a cadeia alimentar bastante bem organizada, isto é, não há neste momento nenhum risco de falharem produtos alimentares para o Natal. O que há é em algumas categorias, e Portugal não é autossuficiente em todas as categorias de produtos. Há algumas categorias que são importadas, onde, naturalmente, tem havido mais dificuldade em chegarem com a mesma cadência do que nós estamos habituados. No retalho especializado, há, de facto, também uma pressão muito grande, sobretudo de produtos que vêm de outras geografias e da Ásia, em concreto, e produtos que têm alguma tecnologia e que estão associados aos chips, que estão a dificultar a produção mundial de equipamentos eletrónicos. Nessa medida, há alguns equipamentos e há alguns produtos que vêm, como disse, nesta composição entre tecnologia e produtos que vêm de outras geografias, há também algum risco de haver alguma falha, mas até agora nada de preocupante.

Mas não estamos a falar então de bens essenciais, falou dessa questão das ruturas que estão a existir.

Eu diria que a mesa de Natal, como nós temos dito, o jantar de Natal e a ceia de Natal não estão em risco, não vamos ter falhas de produtos e os nossos associados do retalho alimentar estão bastante bem capacitados para que os produtos não falhem. Diria que na árvore de Natal pode haver alguns atrasos e pode haver algum ou outro produto que possa demorar mais tempo a chegar, ou mesmo que possa haver alguma rutura nos produtos mais vendidos. Como disse, são em áreas muito específicas, alguma parte de tecnologia, alguns equipamentos eletrónicos, alguns brinquedos, pode haver eventualmente alguma rutura e temos assistido nalguns produtos de desporto e nalgumas áreas do vestuário, algumas dificuldades, mas nada de extraordinário que ponha em causa a celebração do Natal.

Mas a nível de preços, podemos esperar uma quadra mais cara, até porque já temos registro de alguns aumentos ao nível do pão, ao nível de alguns alimentos. Parece quase certo que haverá um aumento ao nível de preços também com tudo o que está a acontecer na energia e no setor dos transportes.

Eu diria que se os preços aumentam na produção e na indústria, naturalmente vão chegar ao consumidor a um valor mais alto. E se juntarmos a isso o cenário macroeconómico de inflação, naturalmente que não posso negar que estamos preocupados, atentos. A distribuição é um negócio de eficiência e de grande detalhe. Os nossos associados têm estado num caminho de tentar absorver, de alguma maneira, criando condições e melhorando ainda mais a logística, de modo que estes aumentos na produção e na indústria não se reflitam de forma tão brusca no consumidor, mas é inevitável que num cenário de aumento do custo das matérias-primas e dos preços da energia e, consequentemente, dos transportes, é inevitável que nós já estejamos a assistir a alguns preços a subir na ordem dos 10, 12, 15% em produtos que são de facto importantes para os portugueses e, naturalmente, o pão é um deles. Mas há uma tendência generalizada e que por muito esforço que a distribuição esteja a fazer para acomodar estes aumentos, criando melhores mecanismos e mais eficiência, é inevitável que tenhamos aumentos Nada de incomportável, mas estamos a assistir a essa pressão toda na cadeia de valor.

Disse que estavam preocupados. Quais são as preocupações que vão levar hoje para esta reunião com o governo?

Naturalmente que nós temos de conversar com o governo, em concreto com o Ministério da Economia e com a Secretaria de Estado do Comércio, para alertar para a escalada de preços de matérias-primas e dos custos de energia. Há questões que são nacionais, diríamos, mas há outras questões que são naturalmente globais e, particularmente na questão da energia, tem que haver uma resposta europeia. Nós vamos sensibilizar o governo para essas matérias. Sabemos que há instrumentos que podem ser utilizados, outros que não dependem apenas de Portugal, é uma resposta europeia, mas estamos a alertar o governo e a mostrar disponibilidade para colaborar nas soluções que puderem ser encontradas e a distribuição estará sempre do lado da solução, naturalmente, mais uma vez.

Vou fazer só uma última pergunta não relacionada com este encontro. O governo prepara-se para anunciar novas medidas ou, pelo menos, para discutir novas medidas por causa do aumento de casos. Perguntava-lhe se admite que em cima da mesa possa estar algum regresso de restrições que estiveram em vigor, portanto, nos supermercados, nos centros comerciais, se admite que pode haver algum regresso de algumas regras, como por exemplo, o uso mais generalizado de máscaras, se são hipóteses que estão em cima da mesa e que também têm estado em discussão com o próprio governo.

Não nos passa pela cabeça que, num cenário de Portugal com esta taxa de vacinação, o governo venha a implementar soluções drásticas como aconteceu no passado. Parece-nos razoável e prudente o que tem sido dito no que diz respeito à utilização das máscaras. É importante dizer que nós, no retalho, continuamos a manter um conjunto de medidas de distanciamento e de utilização de equipamentos de proteção individual, no sentido de dar confiança ao consumidor. Sempre dissemos, e mantemos, que não é nos espaços comerciais, seja de retalho especializado, seja de retalho alimentar, que se transmite o vírus. Nós somos espaços muito seguros e onde os cidadãos se sentem seguros e os nossos colaboradores, desde logo, é nosso principal ativo, têm que se sentir seguros nos seus postos de trabalho. De modo que não esperamos medidas extraordinárias para além do que tem sido dito no que diz respeito à utilização de máscaras e manter certo distanciamento, que nos parece razoável face ao crescimento de casos, mas face também à taxa de vacinação que Portugal tem, que é de facto extraordinária quando comparado com os Estados-membros que estão a sentir maiores dificuldades e que por isso têm medidas, porventura, mais drásticas. Em Portugal, não nos parece que tenhamos cenários desse nível de preocupação. E, como sempre, a distribuição, quer alimentar, quer no retalho especializado, tem-se mantido muito segura e muito serena para evitar mais contágios, pois não é nos nossos espaços que a pandemia se transmite.