O Haiti confirmou a entrega de vários suspeitos aos Estados Unidos (EUA) pelo alegado envolvimento na morte do Presidente Jovenel Moise, em 2021, e reconheceu a falta de progresso do caso na justiça haitiana.
Em comunicado divulgado no domingo, o Ministério da Justiça do Haiti evitou mencionar o número exato de pessoas e limitou-se a indicar que a entrega visa contribuir para o esclarecimento dos factos e para o apuramento de responsabilidades.
Horas antes, um procurador federal norte-americano disse que 18 pessoas foram extraditadas do Haiti para os EUA pelo alegado envolvimento na morte de Jovenel Moise.
“Hoje [domingo] assinala-se um marco importante na nossa procura pelos autores do homicídio do Presidente Jovenel Moise. (…) Cinco anos depois dos acontecimentos, ainda estamos a levar suspeitos à justiça norte-americana e ainda não terminámos”, escreveu o procurador Jason Reding Quiñones, na rede social X.
30 indicted for their involvement in assassination of Haitian president. 18 transported in military plane from Haiti to face American justice in the Southern District of Florida. pic.twitter.com/T08y0x88hj
— US Attorney Reding Quiñones (@USAO_SDFL) September 20, 2026
Tanto os EUA como o Haiti mantêm processos judiciais abertos sobre o assassinato de Moise.
Contudo, no país caribenho, “o processo continua a enfrentar dificuldades significativas e, após cinco anos de tramitação, ainda não resultou na realização de um julgamento”, admitiu o Ministério da Justiça.
Por outro lado, a tutela explicou que o processo nos EUA registou avanços significativos, sobretudo no que diz respeito a detenções, denúncias e condenações.
O ministério salientou que várias pessoas detidas no Haiti são alvo de acusações ou de mandados de detenção emitidos pelas autoridades judiciais norte-americanas em relação a este caso.
As informações e provas que possam ser obtidas em resultado desta entrega “poderão contribuir para aprofundar” as investigações realizadas no Haiti, afirmou o ministério.
De acordo com a Agência France-Presse, entre os suspeitos extraditados para os Estados Unidos está Joseph Félix Badio, antigo dirigente haitiano da unidade de combate à corrupção, sob a alçada do Ministério da Justiça.
O Presidente eleito do Haiti, Jovenel Moise, de 53 anos, foi alvejado em casa, em Port-au-Prince, na madrugada de 6 para 7 de julho de 2021.
Na altura, as autoridades haitianas detiveram cerca de 40 pessoas, entre as quais mercenários colombianos, mas a investigação não teve desenvolvimento por falhas no sistema judicial.
Os Estados Unidos decidiram instaurar um processo judicial contra 11 pessoas, alegando que o plano foi traçado na Flórida. Cinco foram condenadas a prisão perpétua e outras quatro foram consideradas culpadas, numa série de acusações, nomeadamente de conspiração.
O Haiti, o país mais pobre do continente americano, não realiza eleições há nove anos e está sem um Presidente eleito desde o homicídio de Jovenel Moise.
Atualmente, é governado por autoridades de transição, que têm tido dificuldade em chegar a um acordo sobre vários assuntos, incluindo o calendário eleitoral.