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Junta-se já a nós Mário Durval, delegado de Saúde da Região de Lisboa e Vale do Tejo. No fim de semana continuámos a ver um aumento de casos. Mário Durval, ajude-nos a perceber que razões encontra para este aumento diário de casos nesta região.
Boa tarde. Enquanto não terminar a epidemia, todos os dias continuará a aumentar o número de casos. Naturalmente, uns dias mais, outros dias menos. Ontem o número foi muito superior ao de hoje, mas estamos num patamar que se tem mantido, mas naturalmente pode haver ainda aqui lugar a um desenvolvimento da situação.
Mário Durval, ajude-me aqui também a entender. Nesta altura, os transportes são um dos motivos que estão a ser apontados para este aumento de casos nesta região de Lisboa e Vale do Tejo. Tendo em conta que não haverá alterações, para já, nesta matéria, podemos antever um aumento exponencial de casos. Podemos perceber desta maneira?
Essa é uma hipótese. Não existe nenhuma prova disso. Mas, de qualquer maneira, é uma das hipóteses. As hipóteses que são mais consolidadas, são as da vida social. Portanto, que as pessoas não têm tomado as devidas precauções.
Ou seja, o que me está a dizer é que nesta altura as pessoas estão a levantar demasiado cedo as defesas?
Exatamente. As pessoas entendem que podem estar à vontade e, naturalmente, isso tem repercussões nos valores globais.
E que riscos é que isso tem para os hospitais, nesta altura? Ouvíamos, logo no arranque deste noticiário, esta situação no Hospital Amadora-Sintra, que está já a enviar doentes para outros hospitais, nomeadamente o de Santarém. Podemos vir a ter aqui uma - usemos esta palavra - falência dos hospitais na região de Lisboa e Vale do Tejo, falta de camas, até para outras doenças, para outro tipo de doentes que não os de Covid-19?
Digamos que não há, de momento, qualquer perspectiva dessas. A região está, daquilo que eu sei, relativamente aos cuidados intensivos, mantém-se uma ocupação de 65% a 66%, e não é com doentes Covid, é com outros doentes.
Como é que se entende, então, por exemplo, neste hospital, este Hospital Amadora-Sintra, que serve uma população onde há esta situação, onde uma grande parte desta população à volta fará parte destas 19 freguesias da Grande Lisboa que têm tido mais casos, em que há alguns focos. Como é que se explica, então, que o Amadora-Sintra esteja, nesta altura, a ter que reorganizar-se e enviar os doentes Covid para outros hospitais?
É que o Amadora-Sintra é um hospital que serve dois dos concelhos mais populosos do país e, precisamente, também são dois dos concelhos com maior número de casos Covid. Portanto, é natural que o hospital servindo os dois concelhos possa estar um pouco mais sobrecarregado do que outros. Mas, de qualquer maneira, na região há muitas vagas para utilizar ainda antes de haver falência.
E como é que está a ser feito esse controle entre os hospitais?
Não é da minha área de competência, isso. Eu penso que os hospitais têm entre eles um esquema de intersubstituição. Quando há um que enche algumas das suas valências e necessita de recorrer a outro hospital, eles têm estabelecido, daquilo que eu me apercebo, há muito tempo, essas formas de o fazer.
Mário Durval, nesta altura, não corremos risco, na região da Grande Lisboa, de falência dos hospitais?
Não, não há nada que diga isso.
Portanto, não haverá esse problema. E em relação a estas novas medidas em 19 freguesias da Grande Lisboa para tentar travar a pandemia, estas eram as medidas necessárias, à luz daquilo que se conhece, ou haveria necessidade de outro tipo de medidas para além destas que foram decididas pelo governo?
Como eu disse há bocadinho, é sobretudo nos esquemas de convívio social que muitas destas contágios são efetuadas. Portanto, ao se limitarem os horários, por exemplo, de abertura dos bares e cafés, ao se limitarem as possibilidades de convívio nesses espaços, naturalmente, estamos a limitar o contágio. É evidente que outras medidas mais musculadas não farão grande sentido, porque também não há ainda nenhum aumento significativo do número de novos casos. A incidência mantém-se muito equilibrada ao longo das últimas semanas e, portanto, não há-
Necessidade de outras medidas mais fortes por parte das autoridades.
Medidas mais fortes.
Muito obrigado. Diga.
A questão continua a ser a mesma de sempre, ou seja, as pessoas que estão infetadas têm de ser isoladas e esse é o trabalho da saúde pública, que é o que tem estado a fazer e, portanto, mantém-se.