Acompanhe o nosso liveblog de conflitos internacionais

O Presidente russo, Vladimir Putin, defendeu esta quarta-feira a realização de um encontro com os líderes dos Estados Unidos e da China no próximo mês, no país asiático, que acolhe a cimeira do Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC).

À margem da visita do enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, a Moscovo, para se reunir com o Presidente russo, depois de um encontro em Oslo com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e dirigentes europeus, Putin afirmou aguardar com expectativa o resultado da referida reunião.

Questões como a crise na Ucrânia ou a situação no golfo Pérsico estarão no centro da reunião com Witkoff, indicou, salientando que também serão temas centrais “um possível encontro” na China com Donald Trump e Xi Jinping.

Antes de participar na reunião com o enviado de Trump, o dirigente russo teceu elogios ao chefe da Casa Branca pelo seu envolvimento na resolução da guerra na Ucrânia, iniciada em 2022, na sequência da invasão em larga escala ordenada pelo Kremlin.

“Sei que o Presidente Trump atribui uma importância especial a esta questão, sobretudo devido às preocupações humanitárias, e, durante a nossa última conversa telefónica, salientou que é necessário pôr fim a este conflito, acima de tudo devido às baixas entre as tropas e aos bombardeamentos de ambos os lados”, sublinhou.

Perante Witkoff, o Presidente russo salientou que não estão em causa apenas as baixas entre os militares, mas também o sofrimento da população civil.

“Gostaria de aproveitar esta ocasião para lhe pedir que transmita os meus mais sinceros agradecimentos ao Presidente Trump e também à sua mulher, a primeira-dama, pelo seu contributo para a resolução de questões humanitárias”, acrescentou.

Putin ofereceu-se também para mediar o fim da guerra no Irão, invocando a sua “relação especial” com Teerão, estabelecida ao longo de décadas.

“Se pudermos contribuir de alguma forma para resolver essa situação, estaremos disponíveis para o fazer. Conhece muito bem as nossas propostas a este respeito”, afirmou.

Desde o início da guerra no Irão, Teerão e Washington mantêm um braço de ferro pelo controlo do estreito de Ormuz, onde a República Islâmica tenta travar o tráfego marítimo através de ataques a navios e os Estados Unidos procuram manter a circulação de petroleiros para controlar o preço do crude.

Em contrapartida, o Irão e a Rússia reforçaram as suas relações nos últimos anos, sobretudo após o início da guerra na Ucrânia, tendo assinado, em 2025, um acordo de parceria estratégica.

Hoje, Putin mostrou-se disponível para uma eventual reunião com os líderes dos Estados Unidos e da China, depois de o próprio Trump ter admitido participar na cimeira prevista para 18 e 19 de novembro, na cidade chinesa de Shenzhen.

A diplomacia norte-americana defendeu a possibilidade de realização desta cimeira face às críticas da Ucrânia, segundo as quais o encontro daria mais margem de manobra a Moscovo no contexto da invasão do país vizinho.

Neste sentido, Kiev pediu que haja “maturidade” nas questões de política externa, defendendo a importância de uma eventual cimeira trilateral.