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Em primeiro lugar, queria perceber como é que surge este comunicado. Eu entendo que é uma clarificação daquilo que têm sido as notícias veiculadas depois da promulgação do Presidente da República, mas a verdade é que essa promulgação tem mesmo a tal exceção que vocês mencionam no vosso comunicado relativamente à liberdade religiosa e à liberdade de permanecer, enfim, esses dados prevalecerem salvaguardados. Aquilo que quero perguntar-vos é: por que surge esta necessidade de fazer o esclarecimento?

Certo. Porque algumas notícias dão a entender que as pessoas do Opus Dei seriam obrigadas a declarar a sua pertença pelo facto de pretenderem exercer cargos públicos ou políticos. Isto tem dois problemas. Um problema acho que é um defeito da leitura da lei. A lei é clara em afirmar que uma pertença a uma instituição religiosa, como é o caso do Opus Dei, que é uma instituição católica, não obriga os que a ela pertencem a ter que declarar. Portanto, a sua liberdade religiosa está salvaguardada e algumas notícias não deixaram isso claro e achamos que isso era importante. Em segundo lugar, não tem a ver tanto com o texto da lei, mas é que nas notícias que têm aparecido, no fundo, admite-se ou insinua-se que o Opus Dei interfere na atuação política dos cidadãos. E isso é totalmente falso e nós precisávamos simplesmente deixar isso claro. O Opus Dei é uma instituição católica que promove o interesse religioso dos cristãos na sua vida quotidiana e faz questão de não interferir na sua autonomia profissional e política. Gostaria de acrescentar que, aliás, para ver como esta discussão às vezes é um pouquinho desproporcionada, é que desde o 25 de Abril até agora, só houve quatro deputados que eram membros do Opus Dei.

Aqui mais a título, não de curiosidade, mas de perceber qual é a sua opinião sobre o caso. Vamos aqui um bocadinho além daquilo que é o tema principal da nossa conversa, que é perceber se o Pedro considera que devem, mesmo não sendo obrigados, obviamente, devem comunicar essa participação, serem membros do Opus Dei ou não. O que o Pedro acha?

Certo. A pertença ao Opus Dei não é protegida por segredo nenhum, nem a participação nas atividades religiosas, como retiros, recolheções, encontros de conhecimento do pensamento católico. A participação não é sujeita a segredo nenhum, é aberta e todas as pessoas podem participar. Da mesma maneira, eu penso que eu recomendaria a todas as pessoas do Opus Dei que o declarassem, mas isso é questão da liberdade deles e nós temos que respeitar essa liberdade.

Fica claro, apesar de haver essa ideia veiculada nas notícias, de que estamos a falar sobretudo do Opus Dei e da maçonaria, de que vai ser a partir de agora obrigatório os políticos, as pessoas com cargos públicos de relevo. O tema surgiu mesmo no seio da Assembleia da República, relativamente àquilo que era a obrigatoriedade dos deputados dizerem se faziam ou não parte destas associações, mas fica para vocês claro que, no caso do Opus Dei, não existe essa obrigatoriedade.

O ponto não é esse. Fica claro que para qualquer católico, a pertença a uma instituição católica não é sujeita a declaração obrigatória.

Não sei se quer acrescentar alguma coisa relativamente ao que tem sido muito debatido sobre este tema, como todos sabemos, e perceber como é que também está a evoluir a perceção sobre este tema na opinião pública. Não sei se tem prejudicado a forma como se olha pra instituição.

Penso que é muito importante a procura da transparência, sem dúvida nenhuma. Penso que também é muito importante nunca referir instituições só com base em insinuações vagas. Nós fizemos o esforço por falar com todos os grupos parlamentares. Conseguimos falar com alguns, com outros não foi possível. Mas aquilo que pensamos é que, apesar de tudo, já foram dados passos positivos em que todos aqueles que publicamente se referem a instituições católicas como o Opus Dei, o façam depois de terem um conhecimento próximo, que às vezes parece que isso não acontece.

Mas por que acha que esse esclarecimento não veio logo dos partidos que aprovaram a lei? Por que não houve logo esse esclarecimento?

Eu não posso dar uma explicação sobre aquilo que fazem outras instituições. Posso dizer aquilo que nós fizemos, o resto eu não sei dizer.

Mas surgindo o vosso comunicado tanto tempo depois de já estar a ser debatido este tema, parece-nos estranho que ainda não tivesse havido essa informação. Parece que há aqui uma lacuna da informação que passa em relação àquilo que aconteceu entretanto.

Ao longo do processo legislativo, que já recua há mais de um ano, nós tivemos a oportunidade de fazer uma contribuição escrita pro processo. Portanto, o Opus Dei fez uma declaração que está junta ao processo e está consultável. Ela é completa para demonstrar que o caráter religioso do Opus Dei não põe qualquer problema, não põe em perigo a autonomia profissional e política das pessoas que pertencem ao Opus Dei, ou as pessoas que não pertencem ao Opus Dei, que participam nas atividades religiosas do Opus Dei.