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Perguntava-lhe, Gonçalo da Câmara Pereira, qual é o objetivo do partido, para além de eleger um deputado, que já era algo que queriam quando tentaram negociar com o PSD e com o CDS esta antiga nova coligação, quais são os objetivos do PPM para estas eleições?

Vamos lá ver. O PPM é um partido que quando integra a AD, potencia os votos nos outros partidos. É uma coisa engraçada, porque o PPM sozinho poucos votos tem, mas quando vai em coligação com algum, potencia de tal maneira que as pessoas, quando veem o PPM com a hipótese de apresentar o seu programa, as pessoas saem de casa e vão votar.

Acha que a ausência do PPM pode, por exemplo, fazer com que a AD perca as eleições?

Espero bem que sim. Que os votos daqueles que querem castigar esta nomenclatura, esta direção do PSD, que o PSD não tem culpa nenhuma da direção, neste momento, que tem, passe a expressão, eu também não quero influenciar nada do PSD, mas o PPM foi sempre um partido amigo do PSD. Sempre. Sempre o PSD contou conosco. E agora fomos maltratados, espezinhados. Atacam o nosso programa, que é as nossas reservas. O PPM sempre foi um partido ecologista e dos agricultores. É o grande partido dos agricultores. E já desde 1980, chamamos que se não se fizer as reservas ecológicas e as reservas agrícolas, vai começar a haver corrupção autárquica. E foi a primeira coisa, a lei ainda não tinha saído e já havia corrupção dentro dos próprios autarcas do PSD. Uma coisa incrível. Nós temos razão. Temos razão de não ter entrado nesta coligação.

E sendo assim, quais são os objetivos do partido?

Os objetivos do partido é tentar ter uma representação na Assembleia da República, porque se tivermos, podemos aí, como fazemos-

Para um partido que neste momento ainda não tem, um deputado já seria uma grande conquista, por exemplo.

Claro, um ou dois, seria bom que a gente tivesse. Por quê? Para termos uma voz diferente a mostrar o que é que se passa. E a fazermos acordos mediante as nossas propostas e tentar influenciar o nosso programa, que quer queiramos, quer não, é o melhor programa destes partidos todos que se apresentam, neste momento, às eleições, o programa melhor, e a considerar de toda a gente, é o programa do PPM. E até era bom que toda a gente lesse para saber qual era as nossas propostas.

Isso quer dizer, voltando uma das questões mais emblemáticas desta campanha eleitoral, será sempre a governabilidade, colocando a AD ou, neste caso, PSD e CDS de fora, onde é que o PPM se poderia colocar em termos de possíveis alianças dentro do Parlamento?

Isso depende tudo do espectro. Nós não somos um partido do bota abaixo, nós somos um partido de construir pontes e tentar dar estabilidade. Os portugueses precisam de estabilidade. Isso é quer queiramos, quer não. Nós precisamos de ter estabilidade. E o que não há dúvida nenhuma é que os candidatos, neste momento, dos dois partidos maioritários, estão com problemas judiciais. E nós precisamos de estabilidade. Qualquer um que vá governar, vai ter processo em tribunal. Se o primeiro-ministro inglês teve que sair porque deu uma festa, na altura da pandemia e teve que sair, nunca mais pode ser-

Está a falar de Boris Johnson?

Exatamente, não se pode candidatar. E nós temos aqui os dois principais candidatos com processo em tribunal. Isto não faz sentido. Isto é um descrédito para os portugueses e para a democracia portuguesa. Não se deviam poder candidatar. Quer dizer, eu acho eu, mas pronto, quem sou eu? Mas este é um país que acha que os políticos podem roubar, desde que façam obra, e está tudo dito. O que eu vou dizer aos meus filhos? "Olha, podes roubar, mas tens que fazer obra". E é isto que a gente não queria passar.