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Temos conosco Nuno Sampaio, especialista em assuntos europeus. Boa tarde, bem-vindo à Rádio Observador. Será que podemos mesmo ver Boris Johnson de regresso à Downing Street?

Boa tarde. É preciso recordar que Boris Johnson se despediu do Parlamento com a ação à vista. O problema do Partido Conservador é que Boris Johnson é uma espécie de Dr. Jekyll e Mr. Hyde do partido. Por um lado, é preciso não esquecer que saiu apenas há poucos meses depois de uma sucessão de demissões dos seus próprios ministros, e que foi o próprio partido que pediu para sair, contra aquela que era a sua manifesta vontade de continuar, depois de uma sucessão de escândalos que desacreditaram o seu governo. Por outro lado, a verdade é que Boris Johnson tem uma autoconfiança muito grande, que transborda para as bases do Partido Conservador e continua a alimentar a imagem de ser um vencedor. E é nestes dois pratos da balança que se tem que ver este eventual regresso de Boris Johnson. Eu penso que de uma forma racional, se o Partido Conservador escolher pelo regresso de Boris Johnson, poderá ter ganhos de muito curto prazo, mas não conseguir recuperar a sua credibilidade de forma substantiva.

Entretanto, temos ouvido vários nomes, o de Rishi Sunak parece ser o mais sonante. É possível que seja este o próximo líder conservador e, por consequência, primeiro-ministro britânico?

Rishi Sunak tem a seu favor o facto de estas últimas seis semanas e a forma como os mercados reagiram ao pacote fiscal apresentado por Liz Truss, que em grande medida veio contrariar aquilo que era a linha de Rishi Sunak como ministro das Finanças de Boris Johnson, que tinha proposto um aumento de impostos às empresas. De certa forma, estas seis semanas e o falhanço da escolha de Liz Truss veio dar razão a Rishi Sunak. A grande batalha e aquilo que vamos assistir, a grande escolha do Partido Conservador, vai ser entre a ala em alguma medida mais populista, mais pró-Brexit, de alguma forma mais nacionalista, com maior otimismo em relação à economia personificada por Boris Johnson como expoente máximo, e outra ala que agora está a ser liderada por Rishi Sunak, de uma perspetiva mais moderada, em que as finanças públicas são olhadas de uma forma mais conservadora e de uma forma mais responsável. E é esta escolha que o Partido Conservador, primeiro os deputados, e se houver mais do que um, só pode haver no máximo três, possivelmente haverá dois candidatos, a escolha passará para os militantes base do Partido Conservador, que terão que escolher entre a linha que tem sido seguida por Boris Johnson e uma linha mais moderada e mais conservadora personificada por Rishi Sunak.