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Jornal do Meio-Dia, edição com Miguel Viterbo Dias. Começamos com a ex-vereadora da Habitação na Câmara de Lisboa, Filipa Roseta. Diz que para haver uma boa lei do arrendamento, é preciso haver consenso entre todos os partidos.

A arquiteta e ex-vereadora da autarquia de Lisboa foi a convidada do Explicador desta manhã da Rádio Observador e começa por dizer que a resolução dos problemas no setor da habitação passa por um consenso entre todos os partidos para que o mercado não perca confiança.

O mercado só vai ter confiança quando sentir isto. Enquanto sentir que está tudo muito dividido, não vai ter confiança. Agora, também é preciso, obviamente, ver que não é a lei do arrendamento que vai produzir aqui qualquer espécie de milagre. Nós temos que realmente ter mais casas no mercado de habitação acessível. A lei do arrendamento, o que tem que ser, e a grande responsabilidade de todos os partidos, é conseguir um consenso multipartidário. Isto tem que ficar bem claro. É a única coisa que vai dar confiança ao mercado. O mercado não confia quando uma lei está de X em X anos a mudar.

A antiga vereadora social-democrata sublinha que o agravamento da situação no mercado habitacional em nada tem a ver com as medidas de apoio à compra de casa para os jovens. Explica também que o Estado está a acabar de fazer um levantamento de 81 mil imóveis públicos e sugere que quando esse processo terminar, as autarquias devem ser chamadas para distribuir estes imóveis.

O Estado está a acabar este grande levantamento dos 81 mil imóveis públicos, que está espalhado por todo o país. A minha sugestão é que os entregue rapidamente às câmaras e que sejam elas a executar estes programas, porque dificilmente o Estado terá capacidade para conseguir agir com a velocidade necessária.

Filipa Roseta a defender a maior ação do poder local. A arquiteta e ex-vereadora da Habitação na Câmara de Lisboa diz ainda que é preciso criar uma oferta acessível no setor da habitação com a doação de terrenos públicos.

A líder da Iniciativa Liberal diz que está mais preocupada com a inação do que com o silêncio do primeiro-ministro.

Mariana Leitão mostra-se preocupada com a falta de medidas do governo perante a crise da habitação que afeta milhares de pessoas e pede ao governo mais propostas e soluções para o imediato.

Em relação ao silêncio do senhor primeiro-ministro, preocupa-me bastante mais a sua inação do que propriamente o silêncio. Eu quero que o governo, perante a situação grave que se está a viver, perante um problema que afeta milhares de pessoas, desde os mais jovens aos mais velhos, mas com particular enfoque nos jovens agora por uma razão, porque os jovens, neste momento, aquilo que todos nós sentimos é que os jovens, neste momento, arriscam-se a viver pior que os seus pais. E enquanto o problema da habitação não for resolvido, isso será quase uma inevitabilidade. E, portanto, preocupa-me é que o governo não esteja a conseguir pôr em prática propostas, medidas, soluções para a tal necessidade premente que nós temos, que é de construir muito mais.

Mariana Leitão aos jornalistas, à margem da quinta Conferência Leiria + Liberal, a líder da IL defende que é preciso construir mais através da utilização de imóveis devolutos do Estado. Diz que já foi feito um levantamento destes imóveis, mas questiona onde é que está a listagem e quando é que podem ser postos à disposição da população.

O secretário-geral do Partido Socialista insiste com o primeiro-ministro para deixar cair a lei das rendas.

José Luís Carneiro aconselha Luís Montenegro a guardar a nova lei do arrendamento na gaveta. Em declarações aos jornalistas, o secretário-geral do PS focou as atenções no primeiro-ministro e realçou que a nova lei não pode avançar.

O primeiro-ministro tem um desafio que foi colocado pelo PS. O desafio é: meta esta lei do arrendamento na gaveta, ponto um. Ponto dois, que se disponibilize a trabalhar com o PS numa garantia pública que responda aos proprietários e que responda também aos inquilinos.

José Luís Carneiro, que se disponibiliza a trabalhar com o governo para criar um mecanismo público que assegure a proteção de senhorios e de arrendatários. O líder do PS classifica ainda as declarações do presidente do IRHU como infelizes e diz que é Luís Montenegro quem tem que tomar a decisão se deve ou não demitir Benjamim Pereira.

As manifestações pela habitação têm ficado marcadas pela realização de várias assembleias populares.

É um dos símbolos dos movimentos que têm ocupado as praças de Lisboa e do Porto. Oficialmente, as acampadas não têm líderes. Os manifestantes tomam decisões através das assembleias populares, que dizem ser horizontais. É nesses momentos que votam os próximos passos, como se pernoitam ou não no local e se permanecem dentro das tendas ou ao relento. A jornalista do Observador, Mariana Furtado, acompanhou de perto as várias assembleias populares e descreve o processo de funcionamento.

O que é certo é que as assembleias populares acontecem todos os dias por volta das 19h, salvo alguns atrasos, e têm sempre os tais dois momentos, o da apresentação de propostas ou intervenções e o das votações. Por vezes, é também definida uma ordem de trabalhos, algumas com mais pontos, outras com menos, e noutras vezes abre-se simplesmente o microfone e qualquer pessoa pode ir apresentar propostas para serem votadas num segundo momento. Mas também já chegou a acontecer de serem iniciadas votações e depois abrir-se novamente o debate. Não há aqui nada muito rígido.

É o que explica a jornalista Mariana Furtado na história do dia da Rádio Observador. Hoje há também várias manifestações marcadas para vários pontos do país. Em Lisboa, está marcada pras 15h, no Marquês de Pombal, no Porto, às 16h, na Praça da Batalha. Protestos que se estendem também a cidades como Aveiro, Braga, Coimbra e Faro.

André Ventura diz estar disponível para ser ouvido na Comissão de Inquérito Luís Neves, mas reconhece uma situação inédita.

O presidente do Chega é presidente também da Comissão de Inquérito e o Livre quer ouvir André Ventura por causa do assalto ao gabinete na Assembleia da República, em que terão sido roubados documentos relacionados com o ministro da Administração Interna. Esta manhã, em comunicado, o Chega diz que André Ventura está disponível para ser ouvido, caso essa seja a vontade dos partidos, mas também diz que ser inquirido numa comissão e ser presidente não são exercícios compatíveis. Assim, o Chega diz que André Ventura vai avaliar com os coordenadores de cada partido a melhor forma de garantir a integridade do funcionamento da Comissão, a independência e credibilidade junto da opinião pública.

Nas eleições do Brasil, Lula da Silva puxou dos galões no combate à pobreza no último debate televisivo antes das eleições.

Eleições marcadas para amanhã. Um debate que ficou marcado por questões como a segurança ou os impostos. Lula da Silva desvalorizou as acusações de Flávio Bolsonaro sobre a elevada carga fiscal e puxou do legado no combate à pobreza.

Outros atores se incomodam com o pobre na universidade, com o pobre no Instituto Federal, com a pessoa ganhando mais que o salário mínimo Com filha de pedreiro virando engenheira, virando médica. Isso incomoda. Ele fica no mesmo discursinho: "Pepê, vai atrasar". Eu tinha acabado com a fome nesse país em 2012. Eu voltei em 2023 com 33 mil pessoas passando fome. Ele se importa com isso? Não, porque onde ele mora as pessoas não passam fome. No condomínio dele, as pessoas não passam fome, a família dele não passa fome e ele não sabe o que é fome. Essa é a verdade.

Lula da Silva a responder a Flávio Bolsonaro, que acusa o presidente do Brasil de criar o maior imposto do mundo.

Você simplesmente invade o bolso do contribuinte. Você implementou a carga tributária mais alta desse país na história. Até agora, com a reforma tributária, ninguém sabe quanto vai ser o valor do Imposto de Valor Agregado, o IVA, que é o novo imposto que ele vai começar a cobrar a partir do ano que vem. Estima-se que seja de 28%. Ele já tinha que ter enviado pro Congresso Nacional um projeto de lei, falando qual é a alíquota. Sabe por que ele não fez? Porque vai ser o maior IVA do mundo. O brasileiro vai pagar o maior imposto do mundo na era Lula.

Flávio Bolsonaro, no último debate televisivo, em que Lula pediu aos brasileiros para evitarem o governo de um miliciano. Já Flávio Bolsonaro pede uma reflexão sobre se a vida dos brasileiros melhorou ou piorou nos últimos quatro anos.

No futebol, há novidades sobre o estado de saúde do treinador do Bayern de Munique.

Vincent Kompany foi internado ontem depois ter desmaiado enquanto assistia a um treino. O estado de saúde do técnico do Bayern de Munique é estável, mas o diretor desportivo, que marcou hoje presença na conferência de imprensa de antevisão ao jogo frente ao Friburgo, diz que Kompany falou ontem à noite com a família, mas vai continuar internado mais alguns dias e que só regressará quando o problema de saúde estiver totalmente resolvido, o que pode durar algumas semanas. O treinador de 40 anos estava a passar por uma infecção viral. Chegou a falhar um treino, tendo desmaiado ontem e sido transportado pro hospital. O Bayern de Munique diz também que nunca ponderou adiar o jogo frente ao Friburgo, marcado para domingo.

Vamos a outras notícias. Em destaque a esta hora.

A base de dados do recenseamento nacional de bombeiros portugueses foi alvo de um ataque informático. Os piratas que levaram a cabo este ataque acederam a mais de 60 mil registos com dados pessoais. A Proteção Civil enviou um alerta aos comandos regionais e responsáveis dos Açores e da Madeira, em que confirma este ataque e diz que foi feita uma cópia dos dados pessoais dos bombeiros portugueses, entre eles nome completo, cartão de cidadão, identificação fiscal, segurança social, contactos e moradas. Em declarações à Agência Lusa, o presidente da Liga Portuguesa dos Bombeiros, António Nunes, confirma também este ataque, mas diz que ainda não consegue perceber se existiu ou não capacidade para retirar os dados pessoais dos bombeiros portugueses.

Atualizamos as notícias às 11h30.