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O responsável por esta iniciativa, Fernando Maia, é proprietário de uma empresa de outdoors, o caso deste de que aqui falamos junto à Cidade do Futebol. Boa tarde, Fernando Maia, bem-vindo à antena do Observador. O que lhe levou a manifestar este apoio em forma de cartaz a Cristiano Ronaldo?
Olá, Miguel, muito boa tarde. Antes de mais, boa tarde também a todos os ouvintes da Rádio Observador. Quero lhe dizer que esta é a única conversa e entrevista que eu vou ter e dar sobre este tema, por uma questão de respeito ao Observador e é um canal que eu gosto de ouvir. De qualquer forma, o que eu lhe quero dizer é o seguinte: isto já começa em 2004, não tem a ver com o Ronaldo, mas tem a ver com outdoors a apoiar a seleção nacional, com um outdoor em frente à academia do Sporting, em 2004. Colocámos o primeiro outdoor a apoiar o guarda-redes Ricardo e depois todos os outros começámos a fazer algumas imagens criativas a apoiar jogo a jogo, com alguns trocadilhos, com as seleções que iríamos jogar. Esse outdoor durou, em 2004, até à final e quando fomos à final, depois retirámos o outdoor. Foi um outdoor muito badalado, apareceu em todos os canais de comunicação em Portugal. Foi um outdoor que teve muito sucesso.
Sinto que este, Fernando Maia, destaca-se pelo facto de, neste caso, termos aqui um herói e um vilão, o que não acontecia com esse de 2004.
Eu passo a explicar. Relativamente àquilo que disse ao início da abertura do noticiário, o que eu quero dizer é que eu coloco estes cartazes em nome individual e não tem a ver com empresa nenhuma. Sou eu que estou a custear os cartazes em nome individual, não tem a ver com empresa nenhuma. E em 2004 foi um grupo de amigos que o fez. Portanto, este cartaz não pretende incendiar ninguém, não pretende criar mais polêmica. A única coisa que pode eventualmente até ser questionável é uma frase do "é de inflamar". Tudo o resto, eu acho que é uma verdade que qualquer português, ou pelo menos os portugueses que apoiam o Cristiano Ronaldo, concordam.
Então deixe-me perguntar-lhe: por que o Jorge Jesus não esteve à altura? Que é uma das inscrições que surge neste cartaz.
Repare uma coisa, há de concordar comigo que a marca Cristiano Ronaldo é muito superior a tudo o que tem acontecido até esta data, não superior à Nação e à seleção portuguesa, como é óbvio, concordo com isso plenamente, mas a marca CR7, Cristiano Ronaldo, é muito mais importante, até por alguma utilidade pública que presta ao mundo todo, nem só em Portugal. Na minha opinião, não esteve na altura, e isto é só a minha opinião pessoal, que pode ser contraditada e pode ser discordada com muita elevação e com educação, que é aquilo que eu fiz na produção deste cartaz, que foi uma coisa muito simples, que até utilizei a IA para o criar. Não quis meter aqui nenhuma empresa, nem nenhum design gráfico a trabalhar para isso, foi uma coisa espontânea. Agora, o que se cria no cartaz tem 70% de um apoio ao Cristiano Ronaldo e tem 30% de uma crítica positiva e nada desrespeitosa a Jorge Jesus. E repare, eu vou debater isso. Jorge Jesus, pelo que se diz e pelo que a comunicação social fala, porque até agora é só o que nós sabemos, é o que disse Jorge Jesus e o que diz a comunicação social, ainda não houve o contraditório de Cristiano Ronaldo. Mas o que se diz é que realmente houve um acordo ou um pré-acordo de um determinado jogo do Cristiano Ronaldo jogar uns minutos. Não sei se eram 30, se eram 15, se eram 20, se eram 25, se eram 45 minutos. E o que acontece é que a determinada altura do jogo, Cristiano Ronaldo é questionado e é pedido pelo estacionador para ir aquecer. Ao ir aquecer, passa alguns minutos a aquecer e mandam-no sentar novamente e fica no banco. Eu acho, mas isto é a minha visão pessoal, se existiu um acordo e se realmente tendo em conta que estamos a falar de um ativo que já deu muito a Portugal, porque não podemos deixar de olhar para os 20 anos que Cristiano Ronaldo esteve na seleção e o que fez por Portugal. Mas a acontecer isto como aconteceu, eu acho que Jorge Jesus não soube estar à altura desta situação.
Essa questão do aquecimento, o próprio Jorge Jesus na conferência de imprensa reconheceu que errou ao colocar Cristiano Ronaldo a aquecer durante tanto tempo. Mas gostava de lhe perguntar se com base nas informações disponíveis, sendo que ainda não conhecemos todos os pormenores, Cristiano Ronaldo diz que tem uma verdade e que essa verdade vai ser explanada em breve. Não temos todos os pormenores e é para si já claro que há um herói e um vilão?
É para mim claro. Repare, a questão aqui, eu não coloco Jorge Jesus no panorama de ser vilão.
Não é um vilão.
No caso do Cristiano Ronaldo, para mim, esteve mal, mas é uma opinião própria e que eu expresso enquanto cidadão.
Claro.
Aliás, quando coloco o outdoor, é enquanto cidadão.
E em que momento é que decidiu avançar com a iniciativa? Em que momento decidiu: "Vou fazer um cartaz." Foi ontem?
Foi ontem de manhã e disputei tudo para acontecer hoje de manhã. Deixe-me dizer uma coisa: fala-se muito que o cartaz é ilegal. Como é óbvio, isto está a avançar e provavelmente vai avançar. Cremos que cada um vai expor os seus argumentos e vai de alguma forma contratar meios jurídicos para se defender. Eu não sei se a liberdade de expressão não permite a um cidadão colocar um outdoor provisório, porque aquele outdoor não era para ficar lá 10 anos, era para ficar cinco ou seis dias, e retirá-lo. Mas aqui também mostra já uma coisa, na minha opinião: a liberdade de expressão só funciona para um lado, não funciona para todos. Aquele outdoor não é comercial, não tem uma marca, não tem uma Coca-Cola, não tem qualquer marca associada. É um outdoor que fala de um facto que aconteceu há dois ou três dias e é a expressão da opinião de um cidadão, que eu acho que pode ter liberdade de expressão.
E dispensa o pedido de autorização à Câmara Municipal onde está instalado esse outdoor?
Não sei, porque a lei permite movimentos, grupos de cidadãos, partidos, colocarem outdoors com mensagens que achem que são úteis ou de utilidade pública. Não sei. Não quero dizer com isso que pode eventualmente estar sob este chapéu. Não sei, mas também se houver uma multa, estou cá para pagar a multa da colocação do outdoor e não há problema nenhum.
Mas vai contestar esta decisão da Câmara Municipal de Oeiras?
Eu não fui contactado, nem fui multado, mas se for, claro que sim. Aliás, até vou apresentar à Câmara Municipal de Oeiras 70 ou 80 outdoors que estão lá ilegais, com publicidade comercial em vias de grande tráfego, que não os tira e estão lá há dois ou três anos, inclusive a não cobrar receitas ao erário público e o erário público a sair prejudicado. Mas isso são outros 500 e são outras guerras. O que eu lhe quero dizer em relação a isto é: é muito estranho a autarquia ter ido retirar logo o cartaz e não haver aqui uma possibilidade de uma liberdade de expressão. O outdoor ia lá estar até às oito ou às nove dias.
A autarquia tinha forma de identificar o proprietário daquele outdoor e daquele cartaz?
Repare, a empresa que foi lá colocar tinha os carros identificados com o logotipo, portanto era fácil chegar. Independentemente disso, eu não quero tornar isto num tema. Aquilo que foi a intenção foi realmente o que fizemos em 2004, dar continuidade e agora apoiar um jogador que de certeza que está a sofrer. Quero deixar bem clara outra questão: não conheço o Ronaldo, não conheço ninguém da equipa do Ronaldo.
Essa era uma pergunta que me pediam para lhe fazer. Será que Fernando Maia foi instigado por alguém próximo de Cristiano Ronaldo a colocar ali aquele cartaz?
Claro, depois é fácil agora fazer essas triangulações e essas situações todas. O que eu lhe quero dizer é que não o conheço, não conheço ninguém da equipa do Cristiano Ronaldo. Conheço-me a mim e eu tenho uma coisa que se chama gratidão e não descartar as pessoas que foram úteis e que são úteis a Portugal. E eu posso lhe dar um exemplo. Esse exemplo também, de certeza absoluta, que já o viveu. Em qualquer parte do mundo, quando chega e diz que é de Portugal, 99% das pessoas só ouve o nome. E eu acho que esta gratidão obrigava, pelo menos, a Ronaldo sair bem da federação. E aqui, na minha opinião, o Jorge Jesus foi só o veículo para isso ter acontecido, mas há mais culpados.
Nada a apontar a Cristiano Ronaldo, Fernando Maia. Nesta contenda.
Claro que sim, como é óbvio. Claro que o Cristiano Ronaldo provavelmente também se antecipou, tem o ego dele. Mas repare, entre dois egos, pense comigo, se calhar não pode pensar de voz alta, mas pense comigo, qual é o ego que mais tem razão de ser. Portanto, na minha opinião, este cartaz, a única coisa realmente que pode essencialmente ser considerado excessivo é a questão da frase do ego inflamado. Mas mesmo assim é o que aconteceu, porque Cristiano Ronaldo calou-se e está calado e Jorge Jesus ainda ontem deu duas ou três indiretas na conferência de imprensa e continua, de alguma forma, a fazer vincar aquilo que aconteceu.
Diga-me uma coisa, Fernando Maia, apesar desta consideração de que aquela frase ali poderá eventualmente ser excessiva, vai levar por diante a intenção de colocar este mesmo cartaz no outdoor junto ao Estádio do Dragão, onde Portugal joga no próximo fim de semana?
Sim, provavelmente, se calhar sem essa frase, porque realmente a frase é excessiva, não é desrespeitosa, mas é excessiva, mas vou colocar outro outdoor junto ao Dragão. Vou colocar. E se houver alguma coima, estou cá para responder por isso, como é óbvio. Porque eu acho que os portugueses descartam as pessoas de uma forma muito crua e nua. Independentemente do Cristiano Ronaldo estar bem ou mal, independentemente do Cristiano Ronaldo estar a dizer um ano ou dois de sair da seleção portuguesa, eu acho que todos nós, ou a grande parte, neste momento, está a se esquecer do que era há 20 anos a seleção portuguesa e do que é a seleção portuguesa depois do Ronaldo, independentemente de poder ter acabado em 2018.
Isso sequer está em discussão, não é, Fernando Maia? O papel relevante é Cristiano Ronaldo para Portugal e para o futebol português.
Eu sei que não. Mas agora repare, sem o contraditório e sem haver qualquer tipo de comunicado oficial da outra parte, veja o que se tentará fazer a um jogador que deu o que dá a Portugal. Diga-me, a opinião pública e muitos comentadores e muitas pessoas acham que não era preciso equilibrar a balança?
Fernando Maia, deixe-me fazer uma pergunta, porventura, eventualmente invasiva. Quanto é que custou este cartaz?
Estes cartazes são telas, andam na ordem dos €215, mais a montagem, e as estruturas na ordem dos €195 para cerca de cinco dias. Estamos a falar de uma ação que pode custar aí €1900.
Diga-me uma coisa, sei que também colocou dois cartazes na Segunda Circular, desta feita no município de Lisboa. O procedimento foi o mesmo? Houve algum pedido de autorização à Câmara, não houve?
Os cartazes são de cinco dias, é a expressão de uma opinião de um cidadão comum. Não pedimos a licença, vamos os retirar na próxima semana, na segunda ou terça-feira. Se houver coima, estamos cá para responder. Estamos? Estou. Isto é em nome pessoal, portanto, sabem onde é que eu me contactar, sabem como me notificar e se tiver que pagar alguma coima, o que eu acho que seria completamente surreal. Mas tudo bem, ok.
Teme que, aliás, desta decisão da Câmara Municipal de Oeiras, possa ser impedido de afixar o cartaz na cidade do Porto?
Como é óbvio, sim, o presidente está no seu direito e se me impedir, eu também não coloco. Se tiver lá a Polícia Municipal e não deixar colocar, eu não coloco. Eu cumpro a lei neste sentido, de não me deixarem e dizerem que é ilegal. Agora, eu acho é que o outdoor tem 70% de agradecimento a Cristiano Ronaldo e isto só mostra mais uma ingratidão daquilo que são os adeptos. Portanto, é questionável, realmente.
Mas não percebe as críticas feitas por alguns adeptos, por alguns de nós, a Cristiano Ronaldo pela forma como abandonou o estágio da seleção portuguesa?
Percebo, mas isso não pode atenuar, nem pode eliminar tudo o que o homem fez nos últimos 20 anos. Não pode, na minha opinião, e neste momento, o que está a vincar e o que está a amplificar é esta parte negativa do que aconteceu na seleção. Que houve alguém, que pode ter sido também o Cristiano, também se pode ter excedido, mas que houve alguém que não geriu bem. Peço desculpa, houve aqui alguém que não geriu bem esta situação. E eu acho que o selecionador não o tinha convocado. Assumia logo: "Olha, eu não vou convocar o Cristiano Ronaldo." E não convocava o Cristiano Ronaldo e hoje não estávamos a falar nisto.
Fernando Maia, este seu sentimento, a forma como interpreta este diferendo, condicionou, de alguma forma, a forma como ontem viu aquele Dinamarca-Portugal e a vitória da seleção nacional portuguesa?
Como é óbvio que não. A seleção está acima disto tudo. Agora estamos a falar de pessoas, não estamos a falar de seleção, não estamos a falar de uma nação, não estamos a falar de Portugal. Portugal, a seleção, a nação está acima disto tudo. Está acima de pessoas. Agora, se me perguntar num quadro que todas as pessoas são intervenientes nesta situação, qual é aquela que eu vejo mais, é Cristiano Ronaldo, sem dúvida.
E isso mesmo expressou naquele cartaz afixado junto à Cidade do Futebol, retirado entretanto. Há mais dois na Segunda Circular em Lisboa e há um a ser afixado junto ao Estádio do Dragão, a pretexto do jogo da seleção nacional portuguesa frente à Noruega este fim de semana. Para terminar, Fernando Maia.
Deixe-me só colocar aqui uma questão. O cartaz de Oeiras não foi retirado, foi retirada a imagem e a tela. O cartaz a ser retirado está ilegal, tinham que retirar o cartaz todo. Não sei se houve aqui uma analogia que eu também não percebi bem, mas o que eu lhe quero dizer é que o cartaz ia ser retirado segunda ou terça-feira e isto era uma ação curta, mas está tudo bem.
Isso já ficou claro. Fernando Maia, obrigado pela sua presença