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Eugénia Santo garante que nem hesitou. Assim que a ordem foi ficar em casa, abriu as portas do quiosque para ajudar quem precisava.
Foi direto. Assim que recebi o e-mail, a comunicação social e tudo disse que as escolas iriam fechar e que iria funcionar por teletrabalho, online, que era preciso fotocópias, eu disse: "Bom, aparte das fotocópias, como é que os pais que não têm fotocopiadoras, não têm computadores, não têm nada em casa, como é que vão fazer? Vão ter que ter a ajuda de alguém". Mas é que foi direto.
Com o regresso à telescola no horizonte, os pedidos de ajuda começam a surgir, mas depois de um ano difícil, Eugénia Santos já não consegue suportar os custos.
Por muito que me custe, porque me custa até chorar, mal vi a mensagem da Sara, de uma cliente nossa, eu disse: "Eu não vou conseguir, eu peço imensa desculpa, mas desta vez não dá, eu não tenho suporte financeiro neste momento para aguentar outra vez 3000 a 4000 fotocópias".
E foi exatamente isto que Eugénia Santo disse na página de Facebook do quiosque. O que não esperava foi a onda de solidariedade que aí surgiu, com várias pessoas a disponibilizarem papel e tinteiros. Assim sendo, Eugénia Santo garante que vai pôr mãos à obra para minimizar o transtorno que a telescola causa.
É muito cansativo, os pais têm que andar a correr à procura de um sítio para fazer as fotocópias, irem para casa para o aluno fazer o trabalho, fotografar, enviar e depois os pais, que por exemplo, trabalham. Aconteceu-me a mim, por exemplo, no ano passado. Eu mandei e-mail a todos os professores, eu disse: "Eu peço imensa desculpa, mas eu não consigo. Eu trabalho das 07h às 19h, eu não consigo ficar em casa, ainda estar a imprimir, a fazer com que eles façam os trabalhos, a fotografar, a enviar". Eu às vezes baralhava, mandava uns trabalhos para os professores diferentes.
As circunstâncias também não estão fáceis para Eugénia Santo, mas a comerciante da Figueira da Foz garante que enquanto puder, vai continuar a ajudar quem precisa.