Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Está agora conosco o Bastonário da Ordem dos Psicólogos, Francisco Miranda Rodrigues, a quem agradeço a presença neste jornal. Bom dia!
Bom dia. Obrigado.
Como está o país em matéria de saúde mental?
Eu focava em dizer o seguinte: as novas gerações, particularmente as novas gerações, olham para as suas prioridades de uma forma diferente. Ainda ontem, o jornal Público apresentava resultados de um trabalho que trazia precisamente ao de cima aquilo que são diferentes prioridades dessas novas gerações e, no topo, vem como preocupação, como prioridade, a saúde mental. E vem a saúde mental, mesmo naquilo que é a sua expressão, por exemplo, ao nível das suas escolhas no mercado de trabalho. O que significa que a indissociação entre bem-estar e aquilo que é a competitividade da nossa economia e a coesão social, é hoje algo que já não tem espaço para ficar esquecido. As novas gerações procuram um novo paradigma de atuação e valorizam de forma diferente estas dimensões. E, por isso, depois da visibilidade muito grande e de uma maior consciencialização que a pandemia também nos trouxe para esta área, também é verdade que nos trouxe impactos acrescidos em cima de uma realidade que era muito deficitária. O PRR veio trazer respostas para aqueles que eram os mais vulneráveis dos vulneráveis, para as pessoas que sofrem de doença mental, mas não pode ficar esquecido que o trabalho de promoção da saúde e de prevenção continua a estar muito deficitário e continua a não haver nenhuma medida que garanta um compromisso com, por exemplo, uma resposta de proximidade ao nível dos centros de saúde, que há tanto tempo é prometida, é reclamada, é evidenciada como absolutamente necessária, é consensual dos diversos agentes na comunidade, na sociedade portuguesa e continua a não chegar. Ou seja, nós continuamos sem ter essa resposta de intervenção psicológica nos cuidados de saúde primários, ao nível dos centros de saúde, que permita que os portugueses, nomeadamente aqueles, que no seu dia a dia não têm recursos e são, provavelmente, cerca de metade ou mais dos portugueses, não têm recursos para ir ao setor privado, precisam de ter uma resposta no setor público. Ainda mais nós sabendo a circularidade que existe entre a saúde mental ou a falta dela e fenômenos como a pobreza. E, portanto, isto é absolutamente crítico, que haja um investimento de forma diferente e que aquilo que se anda a adiar há tantos e tantos anos, mesmo com o consenso na sociedade portuguesa, que é um investimento nesta área, mas do ponto de vista preventivo. Aconteceu nas escolas e também faz parte daquilo que é o Estado da Nação. Nas escolas houve um investimento grande para tentar haver recursos para esta área, mas esses recursos estão a ser muito minados por aquilo que é a falta de resposta nos centros de saúde e, portanto, o que acontece, por exemplo, com os nossos profissionais, é estarem a ter que responder nas escolas àquilo que é a ausência de resposta, por falta de recursos, nos centros de saúde. E, portanto, isto é cada vez mais gritante e cada vez mais difícil de compreender, por que não há uma resposta rápida. E é algo que precisa acontecer em benefício de todos, mas em benefício também, do ponto de vista mais estrutural, da credibilidade das instituições públicas. As instituições públicas precisam atender mais rapidamente àquilo que são estas necessidades, não do ponto de vista apenas reativo, ou seja, quando há uma crise, seja ela uma crise de maior dimensão, seja uma crise mais localizada, no sentido de uma urgência, mas conseguir antecipar e preparar os sistemas e, neste caso, estamos a falar do Serviço Nacional de Saúde ou do sistema educativo, ou mesmo ao nível do sistema de justiça, que é outro onde também esta dimensão necessita de muito maior atenção, pois se não for feito, andamos sempre a correr atrás do prejuízo, andamos sempre na espuma dos dias e a não trabalhar para o futuro e para o futuro das novas gerações.
Francisco Miranda Rodrigues, muito obrigada. Fica traçado em breves minutos o retrato da saúde mental dos portugueses. Há mudanças, motivações diferentes por parte da população, mas ainda não há uma aplicação prática dessas medidas.