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Em 2019, a proposta do curso foi chumbada. E a razão para o chumbo foi, nomeadamente, a falta de resposta do sistema de saúde a tantos médicos que saíam dos diversos cursos já acreditados no ensino superior. Queria que comentasse um pouco esta alteração da decisão da agência que tutela as acreditações e a que se deveu esta mudança de posição.

Acho que aqui há duas questões que é importante distinguir. Uma questão é a questão da qualidade do curso e a qualidade da proposta que nós apresentámos. No ano passado, a proposta que nós apresentámos não foi aprovada por preocupações em relação à exequibilidade e à qualidade da proposta. E nós alterámos a proposta de acordo com as sugestões da agência da acreditação, com as sugestões feitas pela Ordem dos Médicos, de maneira a que a proposta deste ano claramente vai ao encontro àquilo que nos foi sugerido e, portanto, o nosso curso foi aprovado pela agência da acreditação, pelo Conselho de Administração da Agência da Acreditação, com base na qualidade do curso que nós vamos propor. Em relação ao número de médicos e à capacidade do sistema para formar mais médicos, já não é da nossa competência, isso é uma competência pós-graduada, é uma competência do Sistema Nacional de Saúde, da Ordem dos Médicos, dos Colégios da Especialidade, à qual nós não conseguimos suprir como faculdade. A única coisa que nós queremos fazer é ter um curso de Medicina de elevada qualidade em Portugal, de maneira a podermos formar médicos para Portugal e para o mundo, que possam seguir a sua carreira como querem. Isto, de resto, é como todos os cursos superiores que nós temos. Pode não haver mercado de trabalho, mas o importante é que as universidades deem ferramentas aos alunos para poderem perseguir as carreiras que eles querem, e é isso que nós entendemos fazer com o curso de Medicina. Nós vamos usar uma metodologia muito centrada no aluno, em que a aprendizagem é feita à base de resolução de problemas, mais do que numa educação passiva. Portanto, os alunos vão ter uma participação ativa na sua aprendizagem, aprendendo através da solução de problemas, de experiências práticas, com introdução de comunicação e contacto com doentes simulados e depois doentes reais numa fase muito próxima do curso. A partir do primeiro ano já têm treino clínico e a partir do terceiro ano já têm contacto com doentes. E a terceira vertente importante é a vertente, precisamente, do contacto clínico em que os nossos alunos vão estar inseridos nas equipas hospitalares e dos centros de saúde. E esta inserção nas equipas vai ser feita com poucos alunos por equipa, de maneira a que os alunos possam verdadeiramente participar na vida do dia a dia da equipa e não ser somente observadores. Este modelo de curso, que já foi implementado na Universidade Máximo, é um modelo que demonstra que ao fim do curso, os alunos têm muito mais confiança profissional, muito mais à vontade em ser médicos e muito mais satisfação profissional. Portanto, terão o mesmo conhecimento que os alunos no ensino mais convencional, mas as competências profissionais são mais desenvolvidas com esta metodologia.

Ou seja, o que se promete é um curso essencialmente mais prático, é isso?

O que queremos é um curso muito prático, mas que foque essencialmente na aquisição de muitas competências que os clínicos precisam ter. Claro que é um curso que também vai conseguir dar os conhecimentos que um clínico precisa ter, mas hoje em dia, no século XXI, com o aumento dos conhecimentos da Medicina, o mais importante é os alunos saberem onde ir buscar a informação e como a aplicar, e também terem competências clínicas, como abordar o doente, como abordar os problemas, e é nisso que nos vamos focar, além de todo o conhecimento científico essencial para um médico.