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Tal como lhe estava a dizer, eu estou a contactar a acerca desta pós-graduação sobre o racismo, que foi agora retirado o anúncio. Antes de mais, consegue explicar mais ou menos em que é que consistia esta pós-graduação?

Sim, boa tarde e obrigada pelo seu contacto. O Observatório do Racismo e da Xenofobia, andando um pouco para trás, foi criado em 2023, segundo a iniciativa do XXIII Governo Constitucional, ou seja, o anterior governo, no âmbito do seu programa. O governo aprovou um plano nacional de combate ao racismo e à discriminação de 2021 a 2025, e no contexto desse programa estaria a criação de um observatório de âmbito nacional. E foi convidada para presidir a este observatório a professora Teresa Pizarro Beleza, nossa professora, e daí ter a nossa faculdade alojado este observatório, que é uma iniciativa de âmbito e de alcance nacional. Não é só nosso, mas nós, como instituição do ensino superior à que pertence a respetiva presidente, acabamos por albergar este observatório. Neste contexto, o observatório foi criado no ano passado, com o próprio programa, diversas iniciativas, entre as quais o lançamento de uma pós-graduação que o observatório intitulou de pós-graduação em racismo e xenofobia, aqui na nossa faculdade. Essa pós-graduação foi desenhada pelos responsáveis do observatório e em julho de 2024, foi pedida autorização ao nosso conselho científico para avançar. Foi apresentado um programa dessa pós-graduação. Ora bem, o nosso conselho científico analisou o programa. Já anteriormente, aquando da constituição do observatório, o tema tinha sido analisado pelo conselho científico e tinha ficado estabelecido que a criação e o alojamento deste observatório se enquadrava na nossa estratégia, tendo em conta que a inclusão e a diversidade são condições indispensáveis para o cumprimento da nossa missão e ficando expressamente referido que num projeto em torno de um tema socialmente tão relevante e sensível quanto o tema do racismo e da xenofobia, seria especialmente importante garantir, agora estou a citar: "Especialmente importante garantir uma equipa que, na sua composição, se paute pelos valores da diversidade e inclusão, dando voz às principais categorias de pessoas historicamente discriminadas". Isto ficou em ata. E o programa que nos foi apresentado e que foi aprovado em julho, era um programa que se pautava pela diversidade, tendo pessoas de diversas origens étnico-raciais. Ora, eu vim depois a perceber, quando esta questão estalou, que entre o momento em que o programa, dito diverso e inclusivo, foi aprovado em conselho científico em julho, e depois o momento em que foi divulgado, houve uma série de pessoas que inicialmente estavam previstas e que não aceitaram o convite e foram sendo substituídas e pude eu perceber, entretanto, o resultado final, sem que nós tivéssemos tido o devido controle da matéria, o resultado final que acabou por ser divulgado na semana passada apresentou um programa completamente branco, em termos simples. Quando isto causou, e justamente, algum clamor social, apercebemo-nos do problema, verificámos que o programa era diferente daquele que tinha sido aprovado e, portanto, retirámos o programa do ar.

Tal como referiu, isto gerou aqui várias críticas. Esperava estas críticas?

Eu não só esperava, como secundo as críticas. Eu própria, quando me apercebi do que tinha acontecido, acho que a nossa posição enquanto instituição só pode ser de pedir desculpa. Pedir desculpa porque foi um erro da nossa parte. Eu gostava de esclarecer que isto foi um erro de falta de controle, porque a deliberação tomada assegurava a existência de um programa diverso e inclusivo. Foi um erro de desatenção, eventualmente, mas ainda assim um erro, que pelos vistos causou algum desagrado justo, e só me cabe pedir desculpa e assumir que o erro aconteceu. A pós-graduação, o anúncio foi retirado imediatamente do ar e obviamente que não vai avançar nestes termos.

Mas caso consigam colmatar esses erros que me está a enumerar, esta pós-graduação poderá voltar outra vez a ver a luz do dia?

Eu acho que neste momento é prematuro responder, porque qualquer pós-graduação nesta matéria terá que regressar ao conselho científico. Portanto, não vai avançar agora uma versão imediatamente corrigida, entre aspas, porque este tema, com o impacto negativo que justamente causou, terá sempre de regressar ao conselho científico da nossa faculdade. E a partir daí, não me cabe a mim, individualmente, tomar uma decisão sobre se a pós-graduação avança ou não. Aí, depois será o conselho científico, que é composto por 25 membros do nosso corpo docente, é que decidirá.