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Queria começar por lhe perguntar como é que chegaram a esta conclusão com esta simulação. Que estudos é que fizeram em concreto?

Todos os meses fazemos uma atualização do acompanhamento da evolução do crédito à habitação em Portugal e fazemos uma simulação tipo que consiste no cenário de um financiamento de € 150 mil a 30 anos com um spread de 1%, e depois verificamos a evolução em função dos indexantes, ou seja, seja a Euribor a três, seis ou 12 meses. Fazemos esse acompanhamento em função da evolução do indexante e verificamos a evolução da própria prestação que daí resulta.

E esta descida é uma tendência que vamos ter nos próximos meses?

O que verificamos é que, com a média do mês de abril, existe uma descida ligeira em termos da evolução das médias da Euribor em relação ao mês anterior, mas para os consumidores, o que interessa é que nos contratos que vão ser revistos agora durante o mês de maio, qual vai ser a evolução dessa prestação em relação à última revisão. E convém lembrar que a prestação é revista consoante também a própria maturidade do indexante, ou seja, para quem tem uma Euribor seis meses, ela foi revista há seis meses. E o que nós verificamos é que vai haver então, pela primeira vez, uma descida em todas as maturidades, com maior ênfase, no caso, para quem tem Euribor seis meses, em que neste cenário que nós consideramos vai resultar numa redução da prestação em cerca de 25€. No caso da Euribor de três e 12 meses, são reduções mais pequenas. No caso da Euribor a três meses, pouco supera os 3,5€ na prestação e no caso da Euribor 12 meses, 5€ na prestação. Mas não deixa de ser uma boa notícia, porque no caso de quem tem Euribor 12 meses, há praticamente dois anos que só estava a registar aumentos sempre todos os meses. Qual é a tendência para os próximos tempos? Uma vez que estamos a começar a ter a comparação das prestações com o período de mais alto em que os valores da Euribor estavam os mais altos, que foi no final de 2023, a nossa previsão é que pelo menos nos próximos dois meses, esta tendência de descida se mantenha. Agora, se calhar nos próximos meses, um bocadinho mais acentuado para quem tem Euribor 12 meses, mas que irá manter-se esta tendência de ligeira descida em todos os indexantes. Contudo, o cenário económico e político a nível internacional está atualmente muito volátil e isto pode ter implicações, principalmente ao nível da evolução da taxa de inflação e da própria perspetiva que os mercados financeiros têm. E isto poderá então afetar a evolução da própria Euribor. O que eu diria é que pelo menos até ao final deste trimestre, esta será a tendência de ligeira descida, mas no segundo semestre, neste momento, apesar de as perspetivas serem que continuemos nesta evolução de descida ligeira, existem muitas incertezas que podem alterar estas previsões.

E qual é a expectativa que tem para a próxima reunião do Banco Central Europeu a 6 de junho?

Tudi, a nossa perspetiva e aquilo que nós temos aqui no cenário que também estamos a lidar aqui no DECO Proteste, é que possa efetivamente ocorrer uma ligeira descida na taxa diretora, isto é, ou de 0,25 ou de 0,5. Eu arriscaria a ser apenas de 0,25. O BCE está a dar essas indicações, ou seja, poderá eventualmente aliviar então os valores das taxas diretoras que estão inalterados desde setembro. Contudo, e perante até o tal contexto que eu falei há pouco, não estamos a perspetivar, pelo menos, como eu estava a dizer, em relação ao segundo semestre, após esta descida de junho, a esperada descida de junho, não estamos a perspetivar muito mais mexidas até ao final do ano. Provavelmente, uma segunda mexida no valor da taxa diretora, mas também que será certamente ligeira, lá mais para o final do ano. Mas também essa previsão muito dependente daquilo que for a evolução do contexto internacional nos próximos meses. E principalmente explicar que quem tem as prestações revistas agora durante este mês de maio, vai ter que comparar sempre com a última revisão. E muitas vezes há aquele erro comum das pessoas de olharem só para o valor das taxas no mês anterior. E já até acontecido, que não vai ser o caso este mês