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Em direto nesta edição contamos agora com Alexandre Quintas, é professor de bioquímica no Instituto Egas Moniz. Obrigada por estar com a Rádio Observador. Daquilo que percebemos, esta substância perigosa será acrilato de metila. E para começar, que substância é esta?

Muito boa tarde. A substância é uma pequena molécula, é um éster metílico do ácido acrílico e é utilizado para fazer polímeros, têxteis, por exemplo, tapetes, também para embalagens de alimentos e revestimentos. Portanto, é bastante utilizada na indústria. É uma espécie de, não é um plástico, mas é quase. O que acontece é que a molécula quando polimerizada não tem problemas nenhuns, portanto, quando temos um tapete, não há problemas, mas a molécula em si, como percursor, é tóxica, como foi referido anteriormente. É extremamente volátil e, portanto, a área tem que ser devidamente contida, as pessoas têm que ser afastadas, porque pode originar, se inalada, problemas respiratórios, como pessoas que têm hipersensibilidade, pode ter reações asmáticas, pode originar sintomas neurológicos, irritações dermatológicas, também eventuais problemas cardiovasculares. As pessoas não podem ser expostas a esta substância.

E é fácil estancar a fuga desta molécula? A atuação aqui tem de ser rápida por parte das autoridades e neste caso foi?

A atuação tem que ser rápida, mas ela vai difundir no ar e no fundo vai se diluir. Portanto, tem que ser contida no imediato enquanto está em loco, na forma líquida como está, para não evaporar e não passar para a atmosfera. Mas obviamente que há muitos outros compostos que acabam por ser dos escapes de automóveis, que também têm um certo nível de toxicidade e infelizmente o ser humano tem vindo a habituar-se a isso. Neste caso, a concentração é o problema. Portanto, se não for logo, as areias que foram referidas ou outras técnicas, removido e deixar de estar em contacto com o ar, onde ela passa ao estado volátil, se não for logo feito, obviamente que ao espalhar-se uma pessoa que seja exposta a concentrações elevadas vai ter este tipo de problemas. Eu espero que isso esteja a ser devidamente tido em conta.

Do que ouvimos o comandante dos bombeiros voluntários da Amadora dizer, ele estava tranquilo e disse que não há risco para a saúde pública. Daquilo que ouviu, deste relato que ouviu e da descrição que foi feita, fica também um pouco mais descansado?

Sim, eu não estou no local e eu não sei se as pessoas foram removidas ou não. Eu sei é que os órgãos, as autoridades, têm que utilizar formas de controle dos danos. Portanto, é natural que tenha tido esse discurso para acalmar a população. Agora, o que ele tem que fazer ou o que tem que ser feito mesmo é as pessoas serem removidas imediatamente do local e as pessoas têm que saber que não podem ficar no local. Agora, espero que estejam a fazer isso. Eu não estou no local para ver, mas eu espero mesmo que isso esteja a ser feito.