Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Junta-se agora a nós, em direto, o vice-presidente do grupo parlamentar do PS, antigo secretário de Estado dos assuntos fiscais, António Mendonça Mendes, a quem agradeço desde já a disponibilidade para estar aqui conosco. Bem-vindo. Bom dia, António Mendonça Mendes.

Olá, bom dia.

O Ministro das Finanças diz que o PSD está a ir mais longe ao acrescentar 200 milhões de euros aos 1300 milhões que já estavam previstos no alívio fiscal. Por que durante o debate do programa do governo nunca foi esclarecida a dimensão deste alívio fiscal do PSD, na sua opinião?

Essa é uma questão que tem que fazer ao Ministro das Finanças, mas aquilo que se verifica é que a enorme descida de IRS não é uma descida que seja creditada a este governo, é a mesma descida que o governo anterior do PS já tinha decidido. E o que é grave neste tema é que a AD mentiu duas vezes. Mentiu durante a campanha eleitoral, porque disse que ia descer os impostos para as famílias em 1500 milhões de euros e agora mentiu no programa do governo, quando veio dizer que ia descer 1500 milhões de euros, deixou criar essa ideia, não a desmentiu, não a desmentiu no plenário e ontem veio finalmente dizer aquilo que seria depois evidente para todos, que afinal a descida de impostos prometida não era uma descida de impostos na realidade. Portanto, isto afeta muito a credibilidade do governo e os portugueses terão que ter muitas dúvidas sempre que o governo disser o que quer que seja, porque isso é absolutamente inadmissível do ponto de vista do debate democrático.

António Mendonça Mendes, daquilo que conhece também das contas do Estado, considera que havia margem orçamental para duplicar o valor face ao que estava previsto no orçamento do Estado, ou seja, para aliviar em mais 1500 milhões o IRS, que foi o que toda a gente percebeu da proposta original do PSD?

Essa foi a questão que o PS colocou durante a campanha eleitoral ao atual primeiro-ministro e que nunca foi respondido. Como é que era possível descer 5000 milhões de euros de impostos e aumentar 2200 milhões de euros a despesa e ao mesmo tempo manter as contas equilibradas como era o cenário macroeconômico da AD. Nós sempre dissemos que o cenário macroeconômico da AD era irrealista, que não era assente em nenhuma projeção que fosse credível por parte de qualquer instituição e veio a se revelar rapidamente que tínhamos razão, que temos razão, que o cenário que a AD prometeu não foi mais do que uma construção para poder caber tudo aquilo que eram as promessas que diziam que tinham. Na realidade, vai um pouco mais longe, porque as promessas não eram afinal promessas. Afinal, os impostos para as famílias não vão baixar. Aquilo que realmente a AD pretende é apenas baixar os impostos para as empresas. Agora, como digo, para mim, o mais relevante deste tema, infelizmente, já não tem a ver com a proposta em si, tem a ver com a falta de credibilidade que o atual governo merece aos portugueses. Mentiu durante a campanha eleitoral e mentiu na Assembleia da República.

Mesmo para fechar, gostava de lhe perguntar se, tendo em conta que o PS se sente nesta altura enganado, se vai chumbar a proposta quando for ao Parlamento.

Sabe que nós temos sempre que ver com muita atenção as propostas concretas que o governo apresenta, porque quem apresenta esta falta de credibilidade nos anúncios tem que nos fazer muita cautela antes de podermos olhar e comentar propostas que não conhecemos. Agora, aquilo que hoje conhecemos é que o alívio fiscal de 1500 milhões de euros que o primeiro-ministro prometeu às famílias não vai além dos 200 milhões de euros, segundo o ministro das Finanças