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Concorda com esta data, com este plano de desconfinamento?

Não, para nós é uma grande desilusão. É uma frustração enorme, porque não compreendemos os critérios. Os ginásios são locais seguros, provamos isso. A taxa de transmissibilidade foi de 0,03. Houve estudos, por exemplo, em toda a Europa, da Europa activa, em que em 89 milhões de utilizadores tivemos taxas de 0,3 de transmissão. Portanto, não entendemos esta decisão. Vemos outros setores a abrir no dia 15 de março, que são setores importantes e que acredito que também não tenham grandes graus de transmissibilidade. Mas o nosso setor é fundamental, é um setor que trabalha na área da saúde, não só da prevenção, como também é muito importante para o sistema imunitário das pessoas, para o equilíbrio emocional e psíquico das pessoas. Portanto, acho que para nós é uma desilusão não termos estado nesta primeira fase de desconfinamento. Para nós é bastante grave esta situação.

E compreende este desfasamento? Os ginásios sem aulas de grupo podem abrir a 5 de abril, mas com aulas de grupo só podem abrir depois. Consegue perceber também este desfasamento?

Não, não consigo perceber. Porque as aulas de grupo são feitas com distanciamento. Nós cumprimos todas as regras da DGS, os lugares das pessoas estão marcados, as pessoas estão afastadas, nunca há contacto entre as pessoas e, portanto, não percebo sequer. Há aulas de grupo, como ioga, em que a frequência cardíaca nem passa dos 120, não são aulas de grande intensidade e, portanto, para nós esta situação nem percebemos onde é que está a base científica para esta distinção. Percebe-me, não percebemos. Percebemos, sim senhora, que houvesse distinção entre o ar livre e o indoor. Não temos qualquer dúvida que em termos de ar livre o risco é menor do que o indoor, mas no indoor o risco de transmissão nos ginásios é de 0,03%. Não houve surtos em ginásios. Assistimos todos os dias a notícias de surtos em bombeiros, em lares, em escolas. Em ginásios nunca houve surtos de Covid-19 e, portanto, não percebemos esta razão de ser. Nós somos locais seguros e somos locais essenciais para as pessoas. Lamentamos que continue a haver na sociedade portuguesa um completo desconhecimento do que é o trabalho que os ginásios fazem em Portugal hoje em dia.