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Paulo Neves, muito bom dia. Obrigado por ter aceitado este nosso convite. Depois da queda de dois governos do PSD em tão pouco tempo, ligados a questões judiciais, que legitimidade é que Miguel Albuquerque tem para pedir uma maioria absoluta?
O presidente do Partido Social-Democrata e candidato a mais um mandato como presidente do Governo da Madeira tem toda a legitimidade. E o governo não caiu por questões judiciais, como disse. O governo caiu porque a oposição deitou o governo abaixo.
Uma moção de censura relacionada com essas questões judiciais.
Repare uma coisa: mal de nós quando os políticos se substituírem aos tribunais. Isso aí é o princípio do fim. Os tribunais é que tomam decisões judiciais, os políticos não tomam. Portanto, aquilo que os políticos tomam são decisões políticas. Aquilo que foi tomado pela oposição na Madeira foi querer derrubar o governo. Nós já percebemos, já todos percebemos, e a oposição na Madeira perceba isto: a oposição na Madeira não consegue governar a região há 50 anos. E agora percebeu que através da secretaria vai derrubando o governo. Não é o povo que derruba o governo, se reparar, porque o Partido Social-Democrata há 50 anos que vence as eleições na Madeira. Portanto, o povo quer que nós governemos, a oposição não quer. E a partir de agora a oposição junta-se no Parlamento da Madeira e vai derrubando os governos, mas curiosamente derruba o governo, mas não vence as eleições. Aliás, os madeirenses só não percebem como é que nós já vamos para as terceiras eleições em pouco mais de um ano. De ano e meio. Quer dizer, não é normal. Nós temos mais eleições neste país qualquer dia do que em qualquer associação acadêmica, num qualquer sítio de escola secundária deste país. Não é normal num ano e meio irmos pela terceira vez a eleições. E tem dúvidas que o Partido Social-Democrata vai voltar a ganhar? Não tenha. Aquilo que se passa é: a oposição já percebeu que nas urnas não ganha. A fazer este tipo de jogos políticos no Parlamento, vai derrubando o governo para tentar desgastar o governo. Como é evidente, quem perde são os madeirenses. Os madeirenses olham para esta classe política e não percebem, até porque, permita-me que lhe lembre, os resultados macroeconômicos da Madeira são excepcionais. Temos estabilidade social, temos o crescimento económico é o superior no país, temos uma baixa de impostos. Não sei se sabe, no país onde menos paga impostos é na Madeira. Nós temos o aumento dos rendimentos das famílias. Olha só esse número: em 10 anos, o rendimento das famílias aumentou 65% na Madeira. O desemprego nunca foi tão baixo na Madeira. Nós estamos a construir a maior obra pública do país, neste momento está a ser construída na Madeira, é o novo hospital da Madeira, como sabe. Nós temos agora soluções até com o Governo da República para o subsídio de mobilidade, para ter o ferry a ligar a Madeira ao continente, para termos um segundo helicóptero para os incêndios o ano todo aqui na Madeira. Ou seja, o Governo da Madeira, apesar desta loucura da instabilidade criada pela oposição, continua a governar, a governar bem e a ter bons resultados. A oposição, como é evidente, não gosta. Portanto, nunca se diga, porque é um erro, que é uma questão judicial. Repare uma coisa: a oposição já percebeu o seguinte: enquanto Miguel Albuquerque for o nosso candidato, nós vamos ganhar. É tão simples quanto isto.
Miguel Albuquerque não é um líder fragilizado, Paulo Neves?
Isso dá vontade de rir ao macaco. Um líder fragilizado que ganha todas as eleições, diga-me lá o que é que seria se não fosse fragilizado? Está a perceber?
Tendo em conta a nuvem de suspeição?
Neste país agora também há muita nuvem. Está muito nublado este país em demasia. E muito artificial, como deve imaginar. Os políticos, como eu já lhe disse e vou lhe repetir: os políticos não são tribunais. Nós não temos o poder, e ainda bem, de julgar judicialmente ninguém. E nós estamos a entrar agora numa facilidade que acusamos tudo e mais alguma coisa e entramos depois nesta instabilidade. Não é normal. Miguel Albuquerque, sabe do que é que ele foi acusado? De nada. Ainda não foi acusado de nada. Como é que nós já estamos a fazer? Nós, quer dizer, alguns políticos já estão a fazer o julgamento de Miguel Albuquerque sem saberem sequer o que é que ele é acusado. Isto é o princípio, é uma regressão civilizacional, neste momento, que se está a assistir neste país, que é quando você é investigado, esse estatuto já é pior do que culpado. Como é que nós podemos ter o atrevimento de tirar o poder de cidadania a um qualquer cidadão lá porque está a ser investigado? Isso é o pior que pode acontecer. E como deve imaginar, não podemos ser ingénuos, e eu penso que também não é, a pensar que é esse o problema da oposição. Não é. A oposição só não quer Miguel Albuquerque como candidato a presidente do governo por simples razão: porque ele ganha sempre as eleições. Tão simples quanto isto.
Paulo Neves, uma última questão. Miguel Albuquerque disse esta semana que dispensava a presença do primeiro-ministro na campanha. Entende-se esta posição do líder do governo regional?
Repare uma coisa, não se pode fazer essa leitura agora que a gente não quer Luís Montenegro na Madeira. Pelo contrário, nós estamos ao lado do Luís Montenegro, seja lá, seja Luís Montenegro aqui na Madeira. Aquilo que nós dizemos é um princípio nosso. Se for ver o historial das eleições regionais da Madeira, verá que, nem sei se alguma vez vai, mas que nunca vem o líder nacional. São umas eleições muito locais, são umas eleições muito regionais. Faz parte da nossa forma de ser inserida na política. Isto são umas eleições muito locais. Não é que a gente não queira, é umas eleições locais e, portanto, é nesse princípio. Não entenda isto como não precisamos, não queremos, não é nada disso. Isto é uma eleição que diz respeito ao povo da Madeira escolher os seus deputados ao Parlamento Regional. Se me perguntar, nós temos a solidariedade, o empenho, o entusiasmo do líder do Partido Social-Democrata a nível nacional, do líder do grupo parlamentar a nível nacional, posso lhe garantir que temos o seu total entusiasmo, a sua total presença, mesmo que não esteja cá, mas sabemos que nos acompanha