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Hoje é um dia importante para a Madeira. Arranca oficialmente a campanha eleitoral para a eleição do governo regional. A Assembleia Legislativa do arquipélago foi dissolvida em janeiro deste ano pelo presidente da República, depois da aprovação de uma moção de censura apresentada pelo Chega ao Executivo regional do PSD, motivada pelas investigações judiciais a vários membros do governo regional, incluindo o presidente Miguel Albuquerque, ele que procura a reeleição para um quinto mandato, apesar de os últimos dois não terem chegado ao fim. Está no poder desde 2015. Junta-se a mim Hélvio Sousa, presidente do movimento Juntos pelo Povo. Bom dia, Hélvio.
Bom dia.
Seja bem-vindo à Rádio Observador. Miguel Albuquerque falou há instantes para pedir aos madeirenses uma maioria absoluta. Tem condições para fazer este pedido?
Nós não nos podemos fiar na palavra, em primeiro lugar, de Miguel Albuquerque, porque ele já pediu maiorias absolutas há três ou quatro situações e a população não lhe deu maioria absoluta. Ele também, por via da palavra e da falta de credibilidade nos seus termos, havia dito que se não tivesse maioria, iria demitir-se e toda a população portuguesa assistiu que ele continuou no governo.
E tem condições políticas para pedir uma maioria absoluta neste momento?
Claro que não. E nós achamos que cada vez mais o PSD e Miguel Albuquerque perdeu confiança, perdeu credibilidade no eleitorado e na população da Madeira. Por isso é que o Juntos pelo Povo está a assumir-se como um projeto alternativo, com uma frente cívica, um movimento fundado na região, com pessoas com capacidade técnica e de trabalho para ser uma alternativa ao PSD. Nós já dissemos, e continuamos a dizer, que somos um projeto alternativo ao Partido Social-Democrata, que está caduco, morto e que tem sobre si um peso enorme de suspeição desta acumulação de casos judiciais.
O Partido Social-Democrata que está no poder na Madeira, que nunca perdeu uma eleição, por exemplo, mas que está no poder na Madeira há muito tempo. Acredita que é desta que o PSD vai realmente perder o governo da Madeira?
Eu creio que sim. Eu tenho dito às pessoas que não desprestigiamos outras forças políticas partidárias, como é óbvio, mas o JPP tem fortes probabilidades de ter um bom resultado, e esse resultado nasce também por mérito do nosso trabalho na atividade parlamentar e na atividade autárquica. E só subindo expressivamente o número de votos por via de deputados é que vamos depender menos de outros. Como é óbvio.
E já lhe vou perguntar sobre as expectativas para este ato eleitoral por parte do JPP. Queria ainda só que comentasse uma outra declaração que Miguel Albuquerque fez esta manhã. Disse que esta crise política na Madeira se deve à irresponsabilidade da oposição. Que comentário é que faz?
Uma vez mais, Miguel Albuquerque padece de desinformação e de raciocínio. Miguel Albuquerque, eu recordo, falou com o representante da República em maio e garantiu ao representante da República que tinha margem de governança para capacidade e condições de governabilidade e de continuação de um governo regional. Esse é público. O que é que aconteceu? Na prática, Miguel Albuquerque não tinha essa garantia dos demais partidos. E, portanto, esta instabilidade começou no seio do PSD, começou no aliado Chega, que como sabem, garantiu ao representante da República o apoio incondicional a Miguel Albuquerque e depois com mais que um caso judicial que colocou inequivocamente grande parte dos membros do seu governo sob suspeição. E todos os madeirenses tiveram a oportunidade de verificar na imprensa a componente de prova feita por via da transcrição das escutas, que é a possibilidade muito forte de Miguel Albuquerque, há cerca de dois anos, no Dia das Reis, ter feito uma reunião na sede do Governo Regional, que é uma vergonha absoluta, na Quinta Vigia, para com algum setor empresarial muito afeto aos secretários regionais, utilizarem o dinheiro do contribuinte para financiarem as campanhas e o partido político. Isto é extremamente grave. Isto bateu no fundo e Miguel Albuquerque nem teria condições perante esta gravidade da situação, embora nós defendemos sempre o princípio da presunção de inocência, como é óbvio, mas a componente prova, as escutas, são demasiado graves para Miguel Albuquerque não ter feito como fez Pedro Calado, afastar-se da vida política. Como é óbvio.
Hélvio Sousa, são as várias investigações judiciais que assombram o governo, também a polêmica durante os incêndios na Madeira com Miguel Albuquerque. Acredita que a imagem do presidente do governo regional está desgastada?
Eu creio que sim, mas lá está, Miguel Albuquerque tem tido muitos erros de governação. É altamente espesista, não consegue reduzir ou tomar rédeas para a regulação do custo de vida e baixar O custo de vida das famílias, das empresas e dos cidadãos está refém de alguns grupos económicos, alguns monopólios que têm um peso decisivo no custo de vida da região e, por outro lado, não teve sentido de Estado, de responsabilidade e nomeadamente ser o garante da proteção da comunidade em diversas situações, tais como essas de ter voltado as costas, qual Néron na antiga Roma, à população da Madeira e voltar o olhar para o Porto Santo, enquanto a Madeira e as famílias ainda desesperavam para salvaguardar os seus bens. Bom, e isto é uma atitude que a população não esquece. Aliás, eu recordo que Miguel Albuquerque foi altamente vaiado e essa situação foi totalmente abafada por parte da comunicação social regional. E portanto, há aqui um clima de protecionismo vergonhoso de alguma comunicação social que depende da majora do orçamento para tratar dos seus negócios e que está nitidamente preocupada e ansiosa de que haja uma mudança na governança regional.
Hã, Hélvio Sousa, vamos agora ao Juntos pelo Povo, que teve um crescimento exponencial nas últimas eleições. Qual é que é a meta do partido para estas eleições?
Nós já dissemos e vamos reiteradamente repetir: nós estamos a concorrer diretamente com o Partido Social-Democrata. Olhos nos olhos, "mano a mano", como se costuma dizer. Estamos a concorrer diretamente e precisamos de ter um resultado satisfatório. O que é um resultado satisfatório? É subirmos claramente o número de deputados. Eu não vou agora quantificar porque ali para o final da primeira semana de campanha consigo ter uma melhor perceção do eleitorado por via dos contactos que nós temos. Mas o que nós verificamos é que as pessoas estão a premiar o nosso trabalho e estão a premiar o nosso trabalho não só pela fraqueza do adversário político PSD, mas também por mérito próprio, de sermos coerentes na mensagem e de falarmos com verdade. Eu, como sabe, nunca tive filiação partidária anterior ao JPP. Venho da sociedade, venho do mundo associativo e há uma coisa que eu sempre privilegiei na vida: é falar a verdade sempre que possível para o eleitorado, mesmo que essa verdade seja difícil de ser contada.
No cenário de o PSD de Miguel Albuquerque não conseguir formar governo e o Juntos pelo Povo mantiver um bom resultado, coligações: volta a chutar para depois das eleições?
Sim, há um princípio que nós temos que explicar às pessoas. Muitas vezes esta questão das grandes maiorias é ainda um cenário relativamente recente na conjuntura política regional. E portanto, as pessoas terão que ter um Parlamento constituído por 47 lugares, de onde sai um governo que terá que ser constituído por 24 deputados para constituir maioria. Qualquer partido que aspire ter a possibilidade de governar a região para baixar o custo de vida, melhorar a saúde e até colocar como prioridade a habitação, tem que estar disponível para cooperar com outros partidos.
E o Juntos pelo Povo está.
Nomeadamente para constituir uma alternativa. E nós já dissemos isso, que temos que estar preparados para, depois dos resultados eleitorais, perguntar à população o que é que deseja da nossa parte. Claro, com base nos resultados eleitorais. Se nós conseguirmos um excelente resultado e um excelente resultado a equiparar-se ao PSD, claramente que estamos em condições de liderar um governo regional. E dizemos particularmente que nem sempre o partido mais votado é o partido que poderá governar em conjunto com outros a região autónoma. Portanto, isto tem uma aritmética parlamentar, tal como temos vários exemplos pela Europa e pelo país. Nós estamos disponíveis para liderar um governo regional e por isso precisamos de toda a ajuda e de toda a confiança do eleitorado. Na segunda-feira, a seguir a conhecer os resultados eleitorais, imediata a leitura dos resultados, vamos reunir a comissão política, os militantes e vamos consultar a população. Já pedimos ao senhor Presidente da República na última audiência que tivemos, ao representante, para não acelerar o processo, aguardar pelos resultados oficiais homologados no final da semana. Estamos a falar a partir do dia 26, 27 de março. Aguardar que isso depois vai dar tempo para consultarmos as pessoas, para falarmos eventualmente com os partidos e verificarmos se teremos condições objetivas para liderar um governo. Eu coloco, e com toda a confiança e também com toda a modéstia à parte, deposito o apelo à população uma maioria de confiança. E uma maioria de confiança não significa uma maioria absoluta, significa uma maioria de confiança num projeto cívico e um projeto fundado na Madeira.
O secretário-geral do Juntos pelo Povo, Hélvio Sousa, aqui a fazer a leitura da crise política na Madeira, neste que é o primeiro dia da campanha eleitoral para as eleições regionais no arquipélago da Madeira. Muito obrigado, Hélvio. Tenha um bom dia.
Muito obrigado. Bom dia.
Obrigado