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Depois da cerimónia, a urna saiu para as ruas de Londres. Já passou por vários milhares de pessoas na cidade, onde está a jornalista Francisca Ferreira Marques. Francisca, como é que as pessoas estão a reagir? Aquelas que estão também há várias horas a aguardar pela passagem da urna da rainha Isabel II. Boa tarde, Miguel. É um momento emotivo para quem está aqui posicionado ao longo das ruas por onde passa o cortejo, neste que é o último adeus, na capital britânica, a Isabel II, que reinou durante 70 anos. Composto por quase uma centena de militares da Marinha Real Britânica, este cortejo, onde estes militares envergam um uniforme branco e onde há também outros representantes das outras Forças Armadas, assim como mais de 200 músicos trajados com os típicos uniformes vermelhos. É um longo cortejo, que também tem trabalhadores do Serviço Nacional de Saúde Britânico. É, aliás, a enfermeira que administrou a primeira vacina contra a Covid-19, que lidera este longo cortejo, também aqui numa aproximação da família real às pessoas. E é esta Marinha Real Britânica, que enverga o uniforme branco, portanto esta mancha branca, que vai puxando o caixão de Isabel II. Um caixão que está colocado em cima de uma espécie de coche, mas que tem apenas a parte de baixo, portanto é totalmente visível. É transportado por quatro grandes rodas. O caixão está coberto pela bandeira real, não pela habitual do Reino Unido, que costumamos ver, mas esta é uma que tem símbolos que representam as várias partes do Reino Unido, tem as cores amarela, vermelha e azul e em cima desta bandeira há então uma almofada púrpura, onde está a coroa que a coroou Isabel II há 70 anos. Também o ceptro, flores e uma curta nota que foi deixada por Carlos III. E portanto, é este longo cortejo que as pessoas veem à medida que ele vai percorrendo as ruas de Londres. Como dizia, há uma nota de Carlos III, o rei agora do Reino Unido, que está a acompanhar também este cortejo, conjuntamente com os três irmãos, a princesa Ana e os príncipes André e Eduardo. E estão também presentes três dos netos de Isabel II, o príncipe William e Harry, e também Pedro Phillips, que é filho da princesa Ana. Esse cortejo, como dizias, Miguel, está quase a terminar e é recebido com muita emoção pelas pessoas que aqui estão à espera, muitas delas há muitas horas, não só hoje, mas também durante estes cinco dias de velório, onde pessoas aguardaram na fila por mais de 14 horas e portanto, como não podia deixar de ser, também sinal dos tempos. Há muitas pessoas a filmar quando este cortejo se aproxima, mas há também pessoas mais recolhidas, que fazem apenas uma vénia ou que abraçam algum familiar ou até enxugam uma ou outra lágrima. Há pouco eu falava com três irmãs que vivem em diferentes partes do Reino Unido, reuniram-se aqui hoje e diziam que sabem que é estranho, mas que parece que se estão a despedir de alguém da família. Um relato, desde logo, bastante repetido ao longo dos últimos dias. Lembrar que este é o culminar de 11 dias de luto, por isso há também muitas partidas que já foram feitas por quem aqui está hoje. Falava também com duas senhoras de cerca de 60 anos, britânicas, que partilhavam que agora é que lhes vai mesmo custar, por assim dizer, porque sentiam que havia uma certa continuidade no reinado de Isabel II, já que durante estes dias tudo girou ainda em torno da monarca, mas agora, neste último adeus, neste último cortejo, apercebiam-se que é mesmo o fim de uma era. Uma era de 70 anos. Estas senhoras nunca conheceram outra monarca, nunca conheceram outro rei. Portanto, aqui nas ruas de Londres, há esta consciência de que hoje se fecha um ciclo, um ciclo muito longo, que acompanhou diversas mudanças no mundo, na Europa e, portanto, é este o ambiente que se sente enquanto o cortejo está a terminar. Vai seguir então para o Castelo de Windsor, onde Isabel II será enterrada junto ao príncipe Philip, seu marido, que morreu há poucos meses. E é também para lá que a reportagem da Rádio Observador vai seguir.