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O Ministro da Economia e também o Ministro da Cultura apresentaram agora medidas para este mês de confinamento, de novos apoios. Qual é que será o impacto destas medidas? É possível conter os danos de mais um mês de confinamento?

Antes de mais, muito obrigado por esta oportunidade e por pôr um contabilista a falar sobre estas matérias, já que o senhor ministro esqueceu-se de referir que não são as empresas que tratam destes assuntos todos, são os contabilistas. O dano vai ser maior e vai ser grande, sem dúvida alguma. Estas medidas visam mitigar e visam, usando uma linguagem que as pessoas percebem, pôr as empresas ligadas à máquina e ver se elas sobrevivem. Não é só o confinamento, é o mês de confinamento mais o período de recuperação que há de vir se ficarmos só por um mês de confinamento. Portanto, o dano continua a ser grande, vai continuar a ser grande, os negócios e a vida económica de muitas empresas já têm estado nas últimas semanas a travar bastante, já desde novembro, concretamente. E agora vamos entrar em mais uma fase em que para muitas delas a questão que se coloca não é saber se estão melhor ou pior, é saber se conseguem resistir. E estas medidas visam, sobretudo, ver se as empresas e os empresários em nome individual conseguem resistir do ponto de vista económico ao longo deste tempo.

Exactamente da sua experiência também enquanto contabilista, as empresas mais pequenas, as PMEs, que constituem grande parte do tecido empresarial em Portugal, como é que gerem com estes apoios? Chegam em tempo útil ou as empresas têm alguma dificuldade, quem vive mais do dinheiro de caixa com menos almofada financeira?

Tem existido um bocado de tudo ao longo deste tempo. Temos que reconhecer que os apoios começaram a funcionar ao longo do tempo, têm vindo a funcionar melhor e o senhor ministro fez ali bastantes afirmações em como haverá capacidade de pagar já no início de fevereiro se as empresas começarem já a meter os apoios, sendo certo que é verdade, que ainda não vimos a regulamentação concreta e isto é um ponto que importa dizer aos empresários, que temos que esperar pela regulamentação concreta. Que é para não suceder as coisas como sucederam de ontem para hoje, em que surgiu muita coisa na comunicação social e depois houve alguns setores da sociedade que tiveram grandes decepções, porque pensavam que iam poder estar abertos e, entretanto, a partir das 15h, perceberam que afinal não era assim. Temos que esperar pela regulamentação para ver as questões concretas, para ver se, por exemplo, a questão dos prejuízos que foram inibidores de pedir, dos prejuízos contáveis para os negativos, que foram inibidores no programa Apoiar de muitas empresas terem pedido apoios, se entretanto essa regulamentação já não existe este requisito. Portanto, se as regras efetivamente forem mais simplificadas e forem regras de emergência que tenham em atenção a situação de falta de capital das empresas, se essas regras vierem a ser feitas e o Estado cumprir aquilo que pela voz do governo disse, acho que existe capacidade de os apoios virem a ser colocados depressa e ajudarem de facto a que muitas empresas e muitos empresários consigam nestas semanas se aguentar, porque é disso que nós estamos a falar. Estamos a falar de ver se eles se aguentam, não é fazer negócio, se aguentam enquanto entidades que têm esperança de um dia voltarem a fazer negócio.

Do ponto de vista contabilístico, onde é que acha que o governo ficou aquém? O que é que ainda não está oleado suficientemente para as empresas acederem aos apoios ou serem elegíveis, como explicava agora, essas questões mais técnicas de serem elegíveis ou não para os apoios?

Vamos lá ver. A ideia que continua a se dar de repente, embora haja muitos mais apoios, e estamos a falar de uma conferência de imprensa em que o senhor ministro anunciou, não sabemos se foram 10, 15, 20 medidas, são muitas medidas. Há um trabalho ali muito intenso que vamos ter que fazer agora de análise destas medidas todas e de aplicar caso a caso, porque há ali muita coisa. Mas deu para perceber que há novamente ali uma propensão a falar de linhas de crédito, que não é seguramente aquilo que mais interessa às empresas, porque isso é criar novos problemas para a frente. E pareceu-me perceber que continua a haver uma ideia que não é simplificada das empresas ainda pagarem uma pequena parte do salário dos colaboradores que estão em casa, que não estão a trabalhar. E isso parece-nos que é muito complicado as empresas conseguirem gerir mesmo essa pequena parte de salário que terão de pagar. Portanto, isso é algo que provavelmente seria bom que fosse resolvido nesta fase. Mas temos que aguardar agora, sobretudo, e esta é uma mensagem muito importante, os textos concretos da regulamentação das diferentes medidas para perceber exatamente em cada empresa, em cada empresário individual, em cada pessoa da cultura que estão angustiados, e nós sabemos disso, e todos nós sabemos disso, perceber como é que se pode aplicar esta situação e durante quanto tempo. Há também, temos que ser honestos, ter que há empresas que estão a prosperar e portanto isto é como em tudo, em todas as situações das economias. No entanto, pensamos que o número das empresas e empresários que estão com dificuldades é muito maior do que as que estão a prosperar. Aquilo que se antevê neste momento, eu acho que é um aumento que poderá ser mais ligeiro, porque o governo também está a fazer estas medidas todas para travar a crescida do desemprego, mas poderá ser um aumento ligeiro do desemprego nos próximos tempos e vai ser o agravar de situações de crise económica e social que já existem. Não vamos ignorar isso, porque o confinamento significa que as pessoas ficam em casa e não estão a produzir, não estão a consumir ao mesmo nível que estavam e isso coloca imensos problemas a todos ou a imensos partes do setor económico. Não vamos ter qualquer dúvida quanto a isso. Pode estas medidas mitigarem um pouco isto nos próximos tempos e depois depende do que é que temos aqui por dois ou três meses, qual vai ser a situação do país do ponto de vista de retomar a vida normal.