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Este Campeonato do Mundo era para ter sido realizado em março, em Israel. Pelos motivos conhecidos não foi, teve que ser naturalmente retirada a realização em Israel e colocada a candidatura novamente para os países que quisessem. Entretanto, a Federação Internacional de Ginástica pediu se nós queríamos realizar. Realizámos, fizemo-lo em seis meses e naturalmente todas as pessoas, todos os países e a própria equipa da Federação Internacional de Ginástica foram unânimes em considerar uma realização e uma organização fantástica, porque de facto temos uma equipa que já está muito rotinada em organizações internacionais e esta foi talvez a melhor realização de eventos internacionais de ginástica em Portugal. Quanto à prestação dos nossos ginastas, foi algo fantástico. Tivemos, como sabe, duas medalhas de prata e uma medalha de ouro pelo nosso par masculino, que tiveram umas atuações brilhantes, mas toda a equipa, visto que tivemos praticamente finalistas em todos os quatro grupos, esteve muito bem. Já na semana passada, na Competição Mundial por Grupos de Idades e no primeiro Campeonato do Mundo de Juniores, nós tivemos várias medalhas também. Portanto, quero dizer que os nossos ginastas estão, de facto, a treinar muito bem. Temos ginastas fantásticos, temos treinadores, porque não podemos ter ginastas medalhados num Campeonato do Mundo sem termos alguns dos melhores treinadores do mundo. Também tivemos, neste caso específico, vários juízes portugueses que foram convocados para estar presentes. Foi um campeonato fantástico, que superou todos os objetivos e até posso considerar todos os sonhos que tínhamos para esta competição. Foi algo fora de série. Quero dizer também que juntando a todos os outros resultados que já tivemos nos Campeonatos da Europa, Taças do Mundo, nos Jogos Olímpicos, onde tivemos de facto os melhores resultados de sempre da ginástica portuguesa, este ano está a ser mágico.

Qual foi o feedback dos outros países acerca da realização da prova por parte de Portugal? Se houve esse feedback, claro.

Sim. Toda a organização da Federação Internacional de Ginástica foi unânime e ontem à noite, na festa de encerramento, inclusivamente nos disseram que aquilo que iriam transmitir para o executivo da FIG foi que este foi o melhor Campeonato do Mundo de sempre. Quanto aos países, aqueles que eu vi, não falei com todos, mas com grande parte, também nos deram os parabéns pela organização, sabendo que nós agarrámos neste evento e conseguimos aproximá-lo em seis meses. Por isso, da parte dos países presentes não tivemos nenhuma queixa, pelo menos conhecida, e portanto penso que as pessoas ficaram satisfeitas com a organização.

Esta vertente da ginástica não é considerada uma modalidade olímpica. No seu entender, por quê?

Os Jogos Olímpicos, como sabe, tiveram as primeiras modalidades que foram consideradas olímpicas, que eram aquelas que de facto apareciam e existiam na altura da fundação dos Jogos Modernos. A ginástica acrobática não existia nessa altura, portanto o primeiro Campeonato do Mundo foi precisamente há 50 anos e por isso é uma das disciplinas mais recentes, em termos médios, da ginástica. Nesta altura, grande parte das pessoas reconhecem que é uma disciplina fantástica, tem tudo o que pode proporcionar um grande evento: tem a música, tem as coreografias, tem a dificuldade, tem que haver uma interação muito forte entre todos os elementos, porque não é individual, no mínimo tem duas, três ou quatro pessoas que intervêm. Pensamos nós, e discutimos isso duas vezes com o presidente da Federação Internacional de Ginástica, que esteve presente nesta competição, e discutimos que temos que começar a pensar em que a disciplina da acrobática deveria integrar os Jogos de 2032. Penso que neste momento o atual presidente também já está consciente disso. Como sabe também, não é fácil entrar novas modalidades, nem novas disciplinas nos Jogos, mas nós vamos continuar a lutar para que isso seja uma realidade, não em 2028, porque já está fechado, mas em 2032.