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Está agora José Abrão, é secretário-geral da FESAP e do SINTAP, que representam os trabalhadores da administração pública. José Abrão, bom dia.
Bom dia.
Esta situação da falta de viaturas é específica desta direção-geral ou é mais recorrente na administração pública?
Infelizmente não é. É já uma situação recorrente em diversos serviços da administração pública, onde nós temos vindo permanentemente a sugerir mais investimento, mais condições de trabalho, para que as pessoas possam desempenhar as suas funções. E por consequência disso, há seguramente outros serviços, não será este o único, que têm carros com um milhão, meio milhão de quilómetros, que muitas vezes até ficam parados na estrada, porque não são substituídos quando deviam ser. E daí, claramente, da nossa parte, não nos surpreender esta situação, porque as pessoas têm que fazer o seu trabalho. Há serviços até que pagam quilómetros em viaturas próprias aos trabalhadores para que possam desempenhar as suas funções e, portanto, neste quadro, o que nos parece importante é que se dotem os serviços públicos dos meios e das condições de trabalho para que possam desempenhar a sua função e os seus trabalhadores, levárem por diante aquilo que é a sua missão, porque definitivamente a carência, a falta de investimento nos serviços públicos, é já uma situação que não é desconhecida. É verdade também que há outros serviços públicos que têm já adquirido viaturas de última geração elétrica, já preocupados com aquilo que é a parte energética e a situação climática que vivemos. Mas é manifestamente insuficiente e é preciso ir mais além naquilo que é o investimento nos serviços públicos, seja em transporte, seja em recursos humanos, seja em condições de trabalho.
Ou seja, José Abrão, o que está a dizer é que os serviços têm meios muito diferentes, uns mais atualizados do que outros, e que já está de alguma forma normalizada a utilização de viatura própria nos serviços que não têm uma frota adequada.
É verdade, é uma situação já recorrente. Muitas vezes as pessoas não conseguem fazer o seu trabalho ou então, como lhe digo, em alternativa, muitos casos, são os próprios serviços que se disponibilizam para pagar quilómetros e viaturas dos próprios trabalhadores e muitos casos estarão à disposição de colocá-lo ao serviço, outros não. E portanto, há diferenças enormes de ministério para ministério, de serviço para serviço e aquilo que se apela claramente é para que os serviços, mais uma vez, sejam dotados das condições de trabalho para que eficientemente possam os trabalhadores desempenhar as suas funções ao serviço dos cidadãos, como é expectável para todos.