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Quais têm sido as principais tendências em Portugal no que concerne ao investimento e à educação, e a evolução do ecossistema de investigação e desenvolvimento em Portugal?
Gabriel, o que tem acontecido em Portugal nos últimos anos é que as empresas têm investido na área de R&D, ou seja, de investigação e desenvolvimento. Este ecossistema de inovação em Portugal está bastante ativo nos últimos anos. Tem havido da parte das empresas uma preocupação muito grande na captação de recursos altamente qualificados para estes projetos. E aquilo que temos de dados, de estudos que temos feito, também mais recentemente, este ecossistema de inovação e desenvolvimento tem sido responsável por um acelerar ou um motivar das empresas para recrutarem os profissionais para estas áreas. A verdade é que nós temos um sistema extremamente burocrático de acesso aos fundos que permitem às empresas capitalizarem-se para acederem a estes profissionais, para terem acesso a estes projetos de investigação e desenvolvimento. O que faz com que a grande maioria delas, ou não recorram, por questões de burocracia ou por desconhecimento daquilo que são os mecanismos que lhes permitem recorrer em caso de investimento nestas áreas, e muitas delas têm sido elas próprias a investir diretamente dos seus fundos e dos seus capitais para estas áreas de inovação e desenvolvimento. Mas eu diria que é um ecossistema que está muito ativo e que continua a crescer.
E quais são as principais dificuldades nas empresas no acesso a benefícios fiscais para desenvolver as áreas de R&D e inovação?
O primeiro grande motivo é a burocracia que está associada ao acesso a esses fundos. As empresas continuam a identificar essa burocracia como um dos principais fatores de não aceder tão rapidamente, ou seja, acontecer tão rapidamente aquilo que são as suas ambições. E por isso aquilo que também vamos vendo é que, como lhe dizia há bocado, a maioria delas, a grande maioria delas, recorre a financiamento próprio das empresas para reforçar as suas equipas de investigação e desenvolvimento. O segundo ponto que tem sido referido pelos atores deste ecossistema é muitas vezes o próprio desconhecimento dos fundos que estão disponíveis e como aceder aos mesmos. Esse tem sido o segundo ponto apontado, em grande percentagem, pelo menos no nosso país, em Portugal.
O estudo da FY Group, AALEC e ManpowerGroup conclui uma escassez de recursos humanos nestas áreas. Eu perguntava-lhe quais são os motivos para isto e como é que esta escassez compromete a evolução do país em termos de R&D e, por conseguinte, em termos de competitividade?
Vamos ver. Eu diria que temos aqui duas grandes dimensões de análise. O primeiro tem a ver com a própria realidade das remunerações em Portugal. Portugal não é um país, e é sobejamente conhecido e reconhecido, isso temos sentido nos últimos tempos, aliás, até após a pandemia, que muitos destes profissionais, ou na maioria dos profissionais em vários setores, saem de Portugal à procura de melhores condições. Esta área, estes profissionais são altamente qualificados e também são muito requisitados por entidades fora do país. E o acesso aos mesmos. Nós somos menos competitivos e o acesso mais fácil a estas estruturas, eles rapidamente emigram. Esse é o primeiro problema. Nós enquanto não revirmos aquilo que são as práticas fiscais em sede de trabalho, que nos possa aumentar a competitividade das empresas na contratação e na apresentação de melhores salários, eu acho que temos aqui um problema de retenção. Esse é o primeiro ponto. O segundo ponto tem a ver com o próprio crescimento da área. A verdade é que a área tem vindo a desenvolver em Portugal, em vários setores de atividade, nós temos essa informação, vamos vendo que há vários setores que têm investido muito na área e nós não temos produzido em quantidade, em qualidade, profissionais, e não temos pessoas com a experiência que as empresas pretendem para reforçar as suas equipas. Mas eu diria que acima de tudo tem muito a ver com aquilo que é o reconhecimento financeiro e a capacidade das empresas em pagarem, serem competitivas a profissionais com o perfil e com a senioridade que o mercado pretende. E olhando para isto, quais são as áreas que mais hoje têm estado a liderar este processo de contratação? As áreas de engenharias, as áreas de tecnologia de informação, são áreas que estão claramente, ainda por cima hoje, à procura, ainda por cima hoje, são as áreas onde esta atração e retenção pelo talento é uma batalha enorme, de tentar atrair e reter.
E que soluções é que podem ser colocadas em prática para termos aqui mais desenvolvimento na área da inovação em Portugal? E perguntava-lhe também qual deve ser o papel do Estado em função das conclusões do estudo?
Simplificar o processo eu acho que seria um primeiro passo muito importante. O Estado deve ser um ator presente no processo. O setor privado tem uma dinâmica própria e o Estado devia simplificar, mas não se imiscuindo as suas responsabilidades enquanto entidade que é de todo interessada, por um lado, em atrair para Portugal investimento nesta área, reter em Portugal talento altamente qualificado e, por que não, criar condições para que recursos altamente qualificados possam entrar no nosso país e contribuir. Estou?
Diga, sim, estou a ouvir.
Peço desculpa. E recursos que possam arrancar, que possam vir de fora, quadros qualificados nestas áreas e que na verdade possam trazer valor também para o nosso país. Por isso, o Estado aqui tem um papel dinamizador, sendo um ator também principal nesta dinâmica. Agora, a mensagem seria simplificar, desburocratizar, investir nos recursos, melhorar as políticas de incentivos para podermos ser mais competitivos do ponto de vista da contratação e da retenção local e criar condições para atrair quadros qualificados de fora para estas áreas em Portugal.