Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
André Oliveira é sócio do Futebol Clube do Porto. Pagou quase € 1000 para regularizar as quotas e poder votar nas eleições do clube. André, boa tarde, obrigado pela disponibilidade. Eu começo por perguntar há quanto tempo é que não pagavas as quotas?
Olá, boa tarde. Antes de mais, obrigado pela oportunidade. Isto caiu-me completamente do céu. O algoritmo do Twitter pregou-me uma partida, porque fiz um tweet por curioisice, meio na brincadeira, e de repente começam a mandar links do Observador e de outros jornais em Portugal. Eu já não pagava as quotas há bastantes anos, efetivamente. A minha maior motivação para me inscrever como sócio, na altura, tal como eu tentei partilhar no tweet, foi precisamente a vontade de um dia, no futuro, poder ter uma participação no futuro do clube, obviamente no contexto de eleições, assembleias gerais ou atos do gênero. A verdade é que até há uns anos, até haver o portal e agora a app que o clube tem, onde é muito mais fácil regularizar as quotas, tinha que ser ao estádio ou a uma loja, ou então enviavam por carta. Houve ali uma altura, precisamente em 2016, em que mudei de casa e depois, não sei muito bem porquê, deixei de receber as cartas. E a partir daí, como a minha vida não propiciava muito, na altura, a participação muito regular nos jogos e tudo mais, acabou por ficar assim até janeiro. Por acaso, isso é uma coisa que eu acho que as pessoas que viram o tweet acharam que eu paguei as quotas ontem. Não, eu regularizei as quotas em janeiro.
Mas já a pensar neste momento?
Sim.
Eu não te vou perguntar em quem é que votaste, mas pergunto se ficas contente com a mudança que se verificou ontem, ou seja, se valeu a pena este investimento.
Sim, eu não tenho problemas nesse aspeto. Eu votei na lista B, André Villas-Boas, e até depois, por baixo do tweet original, também publiquei lá isso. Portanto, não tenho nada a esconder. Também não tenho qualquer filiação com qualquer uma das listas, sou um mero associado. E portanto, sim, nesse contexto, valeu a pena. É óbvio que eu tenho consciência que pagar tanto dinheiro para regularizar as quotas de um clube de futebol não é uma coisa normal. Também foi por isso, a jeito de curiosidade interessante, que eu decidi partilhar, mas também tenho noção que é um privilégio e que, felizmente, no meu caso, tenho essa possibilidade financeira, mas não quero, de forma nenhuma, e não foi de todo o meu objetivo, nem é, passar como adepto exemplo ou como uma referência a seguir. Eu simplesmente regularizei uma dívida e depois pude participar no ato eleitoral, que já agora também correu exemplarmente bem, super ordeiro, muito civismo, muito portismo, muito associativismo. Só tenho coisas boas a dizer e elogiar também agora a antiga direção nesse aspeto pela organização do ato eleitoral de ontem.
E faço-te aqui uma provocação que é: como é que te ias sentir se por acaso ontem a noite não tivesse corrido como estavas à espera? Ias achar que o investimento tinha sido em vão ou pagar as quotas é sempre o normal?
Não, eu acho que pagar as quotas é normal e é suposto. Eu é que deixei aquilo acumular durante demasiado tempo. Se o presidente dos presidentes, Pinto da Costa, tivesse sido reeleito ou até o Nuno Lobo, era o que era. Não mudaria nada da convicção da minha atitude, porque aquilo que eu quis fazer foi realmente poder participar no ato eleitoral e democrático e poder ter literalmente um voto na matéria, no futuro do clube. A partir daí, é a democracia a mandar, a maioria decide, quer eu goste, quer não goste, é o que é. Eu simplesmente tentei fazer a minha parte dentro da minha área de atuação, muito limitada, como um sócio perfeitamente anónimo. Mas evidentemente que assim sendo, fiquei contente com os resultados e de certa maneira valeu a pena ser o meme do dia, que definitivamente não estava nos meus planos para o dia de ontem. Mas o universo assim o quis.
No tweet original dizes que te fizeste sócio em 2016 e que sabias que um dia essa condição ia ser importante. Sentes-te com a missão cumprida?
Missão cumprida. É missão cumprida, que não é uma missão final, porque eu sou portista desde que me conheço e não tenho planos de mudar. Portanto, há um futuro pela frente e eu espero A partir de agora, fica aqui a promessa pública, que não vale nada, porque obviamente ninguém quer saber disso, mas fica aqui a promessa que a partir de agora vou pagar certinho. Já tenho o débito direto ativo. Acho que era uma mudança importante e eu, tal como a esmagadora maioria dos 21 mil associados que votaram no Villas-Boas, não votámos contra o Pinto da Costa, de forma alguma. O Pinto da Costa é uma lenda, o presidente dos presidentes, eterno. Merece tudo e mais alguma coisa. Simplesmente há ciclos que chegam ao fim. Obviamente, o dia de ontem é um misto de emoções, porque é muito estranho ver a figura Pinto da Costa não sendo o presidente do Futebol Clube do Porto. E sinceramente, é uma pena também que ele não tenha saído ou decidido sair num outro timing, de outra forma. Mas acho que a mudança era necessária, porque o rumo que o clube tem levado na última década não era nada positivo. E 80% dos associados, pelos vistos, partilham mais ou menos esta perspectiva e estão entusiasmados com o futuro do clube.
Era exatamente isso que eu te ia perguntar. Vês um bom futuro ou prevês um bom mandato para André Villas-Boas este primeiro mandato?
Prevejo um mandato muito difícil. Tenho alguma pena do Villas-Boas. Pena, entre aspas, ele não precisa de pena nenhuma, mas é uma forma de falar dessa perspectiva, porque acho que o clube tem problemas gravíssimos a nível financeiro e de tesouraria, que são mais ou menos do conhecimento público, mas acho que quando se começar a investigar mais, provavelmente outras coisas aparecerão. Mesmo os temas que foram acelerados na pré-campanha, desde o negócio com a ITaka, à Academia da Maia, são tudo assuntos que a nova direção vai ter que resolver. Eu pelo menos já estou consciencializado que há aqui um período de dois a quatro anos em que vai ser um período, entre aspas, de vacas magras, em que o clube vai ter que realmente reduzir os seus custos de uma forma brutal, apostar imenso na formação. E o desafio no meio disto tudo é que o Porto é um clube ganhador e, portanto, não vai haver tolerância nenhuma para o Villas-Boas nesse aspeto e para o ano é para ser campeões, independentemente do estado financeiro do clube. Acho que vai ser um mandato muito difícil. Acredito genuinamente que o Villas-Boas e a equipa que ele está a reunir estarão à altura e acho que estando o clube unido e com a capacidade, a mística e tudo aquilo que é o significado de ser Porto, estou bastante confiante que vamos conseguir manter toda a competitividade que é panágio do Futebol Clube do Porto e quem sabe para o ano conseguir começar a reestruturação financeira e na mesma ganhar títulos.
Fica então esse desejo e também a promessa de quotas em dia a partir de agora. André Oliveira, muito obrigado por ter estado na Rádio Observador.
Muito obrigado.