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A cerca de três meses de terminar o ciclo como Ministro da Educação, João Costa admite agora que pode vir a haver margem para a recuperação total do tempo de serviço dos professores. Temos conosco Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof. Mário Nogueira, pergunto-lhe como é que reage a estas declarações?

Cheiram a eleições, e é sobretudo isso, porque, na verdade, como se sabe, a partir de quinta-feira, portanto, depois de amanhã, o governo não tem capacidade para avançar com negociações, porque passa a ser um governo com funções de gestão. Portanto, é muito fácil, a dois dias de poder negociar aquilo que durante oito anos não foi negociado, dizer que afinal o que não foi feito agora é que era. Não, o que temos são eleições pela frente, mas ao mesmo tempo, isso também vem provar que, na verdade, não estamos a falar de nada que seja incomportável do ponto de vista financeiro. Pelo contrário, cada ano que passa torna menos dispendiosa essa recuperação, porque há gente que se aposenta, há gente que chega ao topo de carreira e que perdeu tempo de serviço, mas já não o poderá recuperar. Há muitos colegas que entretanto vão entrando na profissão e que não perderam esse tempo, porque não trabalharam nesses anos ou trabalharam apenas em parte deles. Portanto, é fácil nesta altura, ou pelo menos não dá lugar a coisa nenhuma, neste caso, a negociações, a recuperação do tempo de serviço. Agora, evidentemente que registamos, e como nos últimos tempos tivemos propostas, nomeadamente dos partidos que pensam poder chegar ao governo. Estou a lembrar-me do PSD, que até na Assembleia da República formalizou uma proposta e já a tinha apresentado antes, que era agora de um dos candidatos à liderança do Partido Socialista, que é aliás, o que merece o apoio do senhor Ministro da Educação. Nós vamos registando isso com uma certeza sempre: quando há eleições, aqueles aspetos que foram os que levaram às lutas mais fortes da parte dos professores, acabam sempre por fazer parte do programa eleitoral dos partidos para a legislatura seguinte. Isso, às vezes, não quer dizer que se chegue lá e que é só esperar que o problema resolve-se. Não, temos muitos exemplos do passado em que, chegados às eleições e constituído o governo seguinte, houve necessidade de muita luta para o problema se resolver. Portanto, é isso que nós estamos aqui, para já, a aguardar os compromissos. Assim que houver uma nova assembleia, um novo governo, a apresentar as propostas e, se não chegarmos lá através da negociação, do diálogo, a luta voltará à rua com toda a sua força, porque esta é uma questão justíssima, entre outras, que os professores reivindicam.