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Queria começar por perguntar se poderia explicar-nos quais foram as dificuldades sentidas nas escolas durante estas provas-ensaio, como está no comunicado.

Essencialmente, há duas questões que importa sublinhar. A primeira, e que de algum modo é a principal, tem a ver com o parque tecnológico das escolas, com os equipamentos que existem nas escolas e que se estão a manifestar claramente insuficientes, muitos dos quais o parque tecnológico está bastante obsoleto e não responde àquelas que são as necessidades destas provas e que estão a obrigar a uma sobrecarga de trabalho dos professores. Muitas vezes estão a ser utilizados os próprios materiais, os routers que os professores tinham. Enfim, estão a haver um conjunto de problemas, particularmente no primeiro ciclo do ensino básico, não só, mas particularmente no primeiro ciclo do ensino básico. E portanto, de facto, esse tem sido o problema maior que se tem encontrado. Portanto, estas provas, como decorrem ao longo de um período de tempo, a situação poderá não ser tão grave como a que se vai verificar no final do ano, em que as provas têm uma data específica e têm outra rigidez em termos de calendário que estas agora não têm. Mas os problemas essencialmente são estes: um parque tecnológico obsoleto e a necessidade de serem muitas vezes os professores a procurar resolver o problema e a serem sobrecarregados, muitos deles, de trabalho para além do que já tinham até aqui. Para umas provas que elas próprias acabam por ser algo que não é necessariamente do teu puço. Se não estamos a falar da necessidade de aferir no sentido que as provas de aferição tinham no passado, esse tipo de avaliação poderia ser feito perfeitamente através de um processo de amostragem e não através de uma aplicação universal a todos os alunos, quando isto acaba por ser uma forma encapotada de voltar a introduzir exames no quarto e no sexto ano.

Queria também perguntar-lhe, finalmente, que soluções é que poderiam ser aplicadas para a resolução destes problemas? Seria mesmo o deixar de fazer essas provas ou haveria soluções tecnológicas que poderiam ser aplicadas?

Estamos a falar de dois problemas de natureza diferente. Um deles tem a ver com a existência ou não destas provas em concreto, a prova-ensaio é um treino para as provas que teremos no final do ano. E relativamente à criação das provas moda, que de algum modo vêm substituir as provas de aferição, que já sofriam do mesmo problema, aplicação universal a todos os alunos. E aqui se o propósito destas provas é identificar as aprendizagens, as dificuldades dos alunos, no fundo, dando nota às escolas de quais são as dificuldades e o que é que importa corrigir, isso poderia, como referi há pouco, ser feito através de uma amostragem, não havia uma necessidade de elas serem de aplicação universal. Mas não é esse o propósito do governo. O propósito do governo é criar exames no quarto e no sexto ano com outros nomes, porque a ideia até será no futuro fazerem-se rankings e publicação dos resultados destas provas. Ora, para uma prova desta natureza, o equipamento que existe nas escolas, porque uma grande parte das provas são digitais, portanto, as provas que teremos no final do ano, as provas moda, serão digitais, as do quarto e as do sexto ano, e as do nono ano uma é digital, a de Português, e híbrida é a de Matemática. Portanto, para esta situação, particularmente no quarto ano, porque estamos a falar de muitas escolas do primeiro ciclo, aqui o número aumenta significativamente, porque no sexto ano estamos a falar de escolas EB 2,3. No caso do nono ano, EB 2,3 e secundárias. No caso do secundário, escolas secundárias. No caso do primeiro ciclo, estamos a falar de um enorme número de escolas que estão longe de ter os equipamentos que são necessários. Ora, sendo as provas digitais, por certo, os problemas serão imensos e muitas das vezes até o que poderá suceder é nós não conseguirmos perceber se os resultados dos alunos, aquilo que for negativo, no que surgir como negativo, se aquilo depende de facto de um problema de aprendizagem do aluno ou de uma incapacidade para lidar com os meios tecnológicos ou até de incapacidade dos próprios meios tecnológicos em si.

Senhor Francisco Gonçalves, muito obrigada pela explicação e também pela disponibilidade.