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Contamos agora com o presidente do município de Oliveira do Hospital, José Francisco Rolo. Bem-vindo nesta edição. Pergunto-lhe se também assistiu a este momento e como é que avalia este desentendimento entre a autarca de Coimbra e o ministro da Agricultura.

Boa tarde. Eu não estava presente propriamente no momento. Tive conhecimento pelas redes sociais e interpelaram-me no sentido de manifestar uma opinião. Ora, factos: eu conheço o senhor ministro José Manuel Fernandes, já quando dos incêndios e da visita aqui a Oliveira do Hospital, e conheço a senhora presidente Ana Abrunhosa. Curiosamente, na sequência desta sucessão de tempestades, os autarcas de freguesia, os autarcas de câmara municipal, os presidentes de câmara municipal, vereadores, os serviços municipais de proteção civil, foram todos elogiados pela prontidão, pela presença com que socorreram as pessoas. Ora, naturalmente, isto deu relevância ao papel dos autarcas. Também sei um argumento óbvio: eu, se for a uma freguesia, contacto o senhor presidente de junta para marcar a presença no local. E também sei que é prática, e particularmente o senhor ministro José Manuel Fernandes, quando visitou Oliveira do Hospital, também o seu gabinete ou ele próprio contactou o presidente da Câmara para estar presente ou acompanhar na visita aos incêndios. Relativamente àquilo que se passou. De facto, é boa prática que o ministro se faça anunciar e que ouça os autarcas, até porque foi por todos relevado, pelos órgãos de comunicação social, pela Assembleia da República, pelos analistas e cronistas políticos. Todos demonstraram, todos de alguma forma tomaram como relevante o papel que os autarcas exercem.

Foi então o ministro que esteve mal neste momento.

Eu acho que há uma regra a cumprir, e acho que sempre a cumprir num ambiente democrático e de relação institucional, que é anunciar as visitas ao território. Isso é uma boa prática que sempre existiu. E ouvir os autarcas antes de uma tomada de posição. Eu percebo perfeitamente a reação da senhora presidente da Câmara Municipal de Coimbra, que ela própria já foi ministra e acompanhou aqui Oliveira do Hospital e toda a região centro, e ela sempre que vinha, na altura dos incêndios de 2017, anunciava a sua presença junto dos autarcas e fazia-se acompanhar dos autarcas quando ia ao terreno falar com as pessoas, interessar-se dos problemas e dos danos e prejuízos.

E agradecemos também o exemplo que nos deixa dessa altura e a comparação que faz com o momento de agora. Agradecemos.

É factual. E também dizer uma coisa: nós vivemos um momento de extrema calamidade. Há pessoas a sofrer, há graves prejuízos no terreno. Precisamos que autarcas, o governo, deem as mãos, as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional. Trabalhemos todos em conjunto para encontrar soluções concretas para as pessoas. O diálogo e o consenso é produtivo e resulta a favor das populações. É esse o meu apelo: diálogo e cooperação.