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Nas escolas, o ano letivo no pré-escolar e no primeiro ciclo só termina no fim do mês. Ainda decorrem também exames, à semelhança do que estão a fazer alguns países na Europa que também enfrentam uma vaga de calor. Os diretores escolares veem com bons olhos a suspensão das aulas neste período e é neste sentido que temos em direto neste jornal o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, Filinto Lima. Muito bom dia e obrigada por estar connosco. É mesmo importante suspender as aulas nesta altura? Pode ser decisivo?
Temos que perceber o que se está a passar durante a semana. Vocês já noticiaram que, de facto, há calor extremo, 45ºC, mais no interior do que no litoral. Portanto, eu não me oponho em nada às aulas do pré-escolar e do primeiro ciclo, porque neste momento temos ainda mais 15 dias de aulas com estes jovens, dos 3 aos 10 anos, possam ser suspensas em algumas localidades, em alguns concelhos, em alguns distritos, não em todos, necessariamente. Aqui terá que haver uma parceria, uma interação com o Ministério da Educação, com certeza, com as escolas e com as autarquias, perceber-se em que circunstâncias e em que localidades é que, de facto, este calor extremo pode ser prejudicial para as nossas crianças.
Portanto, deveria ser feita uma avaliação localmente, mas a decisão depende de quem, nesta altura?
A decisão pertence, em última instância, ao diretor, mas com certeza com a anuência do Ministério da Educação e das autarquias do nosso país. Terá que haver aqui um acordo, uma parceria, e perceber se esse é o caminho certo de suspender, durante alguns dias, durante um dia, o tempo que for, as aulas. Até porque muitas escolas não têm condições climáticas para desenvolver um ensino normal dentro da sala de aula. Muitos professores, o que fazem nesta altura? Diversificam a situação, onde os alunos, sempre que é possível, podem vir a aprender para o exterior. Poderá ser uma solução, mas é preciso também ter escolas que tenham árvores, muitas não têm árvores. Ou seja, há aqui uma série de circunstâncias que nos leva a pensar que algumas escolas poderão, na verdade, encerrar, suspender as atividades, outras poderão continuar as atividades de modo diferenciado.
Mas para isso é preciso a anuência do Ministério da Educação, o que ainda não existe, é isso?
Sim, não existe ainda nenhuma anuência, não sabemos qual é que vai ser a posição do governo. Eu até diria mais, terá que ser até uma decisão que seja governamental, não setorial, do Ministério da Educação, mas do governo, como aconteceu, e vocês noticiaram aí bem, em França e noutros países europeus, mas terá que ser uma decisão superior perante uma situação que nunca se nos deparou. Nós nunca falámos, que eu me lembre, em suspender as aulas nesta altura de pleno verão, e estamos em pleno verão.
Uma última questão, Filinto Lima, porque para além dos alunos mais novos, como está a dizer, até ao primeiro ciclo, estão a ser realizados ainda exames para o acesso ao ensino superior e para a conclusão do secundário. Também podem ser suspensos? Haverá escolas onde os alunos não terão as condições indicadas para realizar esses exames?
Eu estou mais preocupado, sinceramente, com os alunos, com as crianças do primeiro ciclo do pré-escolar. Dos alunos do secundário, é evidente que já são mais crescidos, é evidente que os exames são feitos na maior parte da manhã, onde normalmente o clima é menos agressivo e, portanto, eu acho que isso aí poderá não ser necessário, mas também poder-se-á equacionar essa hipótese. Mas são miúdos, são alunos já mais crescidos, como eu disse, e as provas, normalmente, as provas de exame do secundário são realizadas durante a manhã, onde o tempo é menos agressivo.