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Perguntava-lhe se, apesar de ser obviamente um problema e de ser grave, estas urgências fechadas, é uma situação que acabou por se tornar normal nos últimos anos.

A questão é que isto também não é um imprevisto. Mais uma vez, é uma escolha política. E o governo Montenegro sabia há meses, que chegamos ao Natal e ao Ano Novo, que isto ia acontecer e mesmo assim não fez absolutamente nada para garantir urgências abertas, sobretudo em áreas mais sensíveis, como a pediatria e obstetrícia. E o governo Montenegro tenta sempre atirar as culpas para os médicos, que é algo que nós não aceitamos. Os médicos não desaparecem assim e também não foram todos de férias. O que acontece é simples: não há médicos suficientes para garantir escalas e também nesta altura, porque quer o governo Montenegro, quer a Ana Paula Martins, falharam redondamente na contratação, na valorização dos médicos e na retenção. E nós aqui estamos a falar de grávidas e de crianças em um país europeu, a entrar em 2026, em pleno Natal. Isto é inaceitável, que urgências de ginecologia-obstetrícia e pediatria estejam fechadas ou condicionadas em série. Isto vai obrigar mulheres grávidas, bebês, crianças, a correrem ainda mais dezenas de quilômetros do que o habitual e depender da sorte. Aliás, nasceu o bebê número 76 ainda agora na ambulância este fim de semana. Portanto, o que o portal das urgências do SNS confirma é o colapso anunciado de urgências encerradas. Isto é o resultado direto de uma política que empurra os médicos para a exaustão e para fora do SNS, porque, de facto, os médicos não chegam. E a Ministra da Saúde já sabia disto, já sabia que não havia equipas, já sabia que havia serviços que estão no limite, já sabia que estas alturas expõem esta fragilidade e, no fundo, continuam a empurrar o problema com a barriga e ignoram tudo isto. E a verdade é que não se governa a saúde pública nem com comunicados, nem com propaganda. Governa-se com planeamento, com investimento, com respeito pelos profissionais, com uma negociação séria para que as condições de trabalho dos médicos sejam melhores e haja mais médicos no SNS, mas nada disto foi feito. Portanto, isto não é um problema de férias, é mesmo um problema de desresponsabilização política total. E obviamente que quando este governo Montenegro falha, quem paga são as grávidas, são as crianças, são as famílias.

E, portanto, para o próximo ano, para que não volte a acontecer isto nesta época de festas, o que acha que o governo pode fazer? Ou alguém, o que se pode fazer para no próximo ano ser diferente?

O que tem que acontecer é uma negociação séria, correta e transparente com a Federação Nacional dos Médicos, de forma a melhorar as condições de trabalho dos médicos. Nós temos solução. Aliás, foram apresentadas e vamos entrar em negociação agora já no início de janeiro. E se a negociação for séria e for correta, se os salários base melhorarem, se as condições de trabalho melhorarem, seguramente nós vamos ter mais médicos no Serviço Nacional de Saúde em todas as áreas, porque não há problemas apenas na área da obstetrícia, na área da pediatria. Temos também a medicina interna. Aliás, estamos a ver o que é que está a acontecer no ULS de São João da Madeira com doentes internados nos corredores e também com equipas a trabalharem totalmente em exaustão. Estamos também a ver a falta que há de médicos de família, que também ajudam nestas alturas do ano a mitigar esta situação, mas estão a faltar médicos em todas as áreas. E para nós termos médicos em todas as áreas, seja a nível hospitalar, seja a nível dos médicos de família, seja a nível da saúde pública, nós temos que negociar urgentemente e rapidamente. E a Federação Nacional dos Médicos tem soluções, quer negociá-las e isso só não acontece se, de facto, este governo, Montenegro e Ana Paula Martins, mantiverem a intransigência que tiveram nestes últimos dois anos.