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Mais de 300 pessoas já foram vacinadas contra a Covid-19 sem fazerem parte da lista prioritária. A vacinação indevida chegou a pelo menos 340 pessoas, é o que admite a própria entidade responsável pelo plano de vacinação. Ao Correio da Manhã, fonte da task force assume até que o número deve pecar por defeito. Ainda assim, também diz que os casos em que os critérios de vacinação foram furados têm mais a ver com a elaboração inicial das listas do que casos de aproveitamento indevido das vacinas que sobraram. O jornal adianta que nem as administrações regionais de saúde, nem a task force conseguiram analisar as listas enviadas pelas instituições a tempo de evitar abusos. O governo promete tolerância zero a estes casos a partir de agora. Francisco Ramos, o coordenador da task force criada pelo governo para coordenar o plano de vacinação contra a Covid-19, junta-se agora a nós. Francisco Ramos, bom dia. Como é que reage a estes números?

A única declaração que posso fazer em relação a isso é que considerar naturalmente que é lamentável esses casos, se forem confirmados como indevidos, mas de qualquer forma estamos a falar de um por mil em termos de vacinados, ou seja, 300 em 300 mil pessoas vacinadas já.

Aquilo que nós percebemos aqui é que a maior parte destes casos não são necessariamente vacinas que sobram, como aconteceu por exemplo no INEM, no Porto. Não são necessariamente vacinas que sobram e que são dadas a outras pessoas.

Todas essas situações terão que ser averiguadas por quem de direito. Como já disse, à task force foram pedidos organizar o plano, pô-lo em funcionamento, naturalmente prevenir essas situações, o que já foi feito com o pedido de intervenção da Inspeção-Geral das Forças Armadas e da Saúde, promovendo a tehdä de inspeções. E quanto ao resto, não tenho nenhum comentário a fazer. Obrigado.

Eu ia fazer-lhe uma pergunta muito concreta que está relacionada com as listas que as instituições enviam, por exemplo, as instituições de solidariedade particular. Essas listas não são verificadas? Não é verificado se aquelas pessoas de fato são as pessoas que precisam das vacinas?

A opção que foi feita foi imprimir celeridade ao processo e, sobretudo, confiar nos dirigentes das instituições que, nomeadamente nesses casos, acolhem nossos pais, nossos avós. E se essas pessoas são consideradas confiáveis para essa tarefa, francamente, pelo menos ao coordenador do plano, pareceu que poderiam ser confiáveis para a tarefa da vacinação. E é nesse sentido que, de facto, é naturalmente solicitado quais são as pessoas a vacinar, mas não é verificado ou não foi até aqui, espero que não seja, incluído uma enorme tarefa de verificação com pouco a ganhar sobre isso. Muito obrigado. Tchau.

Francisco Ramos, o coordenador da task force, que não quis responder a mais perguntas do Observador.