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É precisamente Frederico Gil que se junta a nós neste jornal das 10 em direto, a quem agradeço desde já a disponibilidade para estar aqui conosco. Frederico Gil, muito bom dia, bem-vindo. Gostava de lhe perguntar em primeiro lugar, tendo em conta que tem também essa experiência, como é que se prepara uma final? É mais importante a parte psicológica ou a parte física?

Bom dia. Acho que as duas, a parte mental e a parte tática também. Hoje acho que vai ser um jogo bastante difícil, sobretudo contra o rei da terra batida. Mas é continuar o processo que o Nuno está a fazer e preparar-se para mais um jogo. Às vezes é preciso relativizar um bocado, independentemente do adversário que temos pela frente, temos que focar no nosso processo e preparar o melhor possível para aquela situação. No fundo, basicamente é isso que eles devem estar a fazer e a concentrar-se no processo do Nuno e de como é que o Nuno poderá jogar o melhor possível contra o jogo do Nadal. Acho que isso é o mais importante.

Há pouco, como disse, e é inegável, Rafael Nadal é o melhor jogador da história em terra batida. Obviamente que isso terá um certo peso antes de defrontar o tenista espanhol, mas também é verdade que neste momento Rafael Nadal tem 38 anos, já não está também na melhor forma física, teve bastantes dificuldades até agora com o Alcaraz na meia-final. Isso pode ser também uma oportunidade para o Nuno Borges no dia de hoje, ou seja, é a melhor altura possível para defrontar Rafael Nadal?

Sem dúvida. E ele ontem à tarde retirou-se também dos pares, claramente porque estava com algum receio de alguma condição física. E sinceramente, eu acho que o jogo do Nuno encaixa bem no jogo do Nadal, ou seja, a esquerda cruzada do Nuno, onde consegue fazer mais mossa, que é na direita do Nadal. Porque para jogar com o Nadal e para tentar fazer alguma mossa, tu tens que ir muito rápido e flat sobre a direita dele para depois conseguir movimentar para a esquerda. E eu acho que o Nuno tem um bom jogo para isso. Eu acho que pode ser uma boa oportunidade, não me surpreendia no final do dia de hoje se o Nuno conseguisse a vitória, sinceramente. Acho que vai ser difícil, mas pode ser possível.

Frederico Gil é da mesma geração de Rafael Nadal, jogou contra ele duas vezes, foram duas vitórias para Nadal.

Três vezes.

Três vezes. Como é que é defrontar Rafael Nadal e se pudesse deixar alguma dica de quem tem essa experiência própria a Nuno Borges, o que é que diria hoje a Nuno Borges para tentar finalmente esta vingança, de certa forma, até porque na final do Estoril Open, como dissemos há pouco, foi precisamente também contra um espanhol que jogou, contra o Albert Montañés. O que é que diria hoje ao Nuno Borges?

Para dar tudo. E é isto que eu estava a lhe dizer. Ele tem que atacar primeiro a direita, flat na direita, para depois poder abrir na esquerda. Às vezes é um erro ir para a esquerda do Nadal à primeira ou à segunda. Tu tens que primeiro fazê-lo movimentar para a direita para depois teres o campo aberto para a esquerda. E não ir para a esquerda a tentar fugir daquela direita. Tu tens que começar a abrir pela direita para depois ir para a esquerda. Espero que o Rui Machado e que a equipa técnica dele lhe deem essa informação. Mas vai ser um jogo que ele vai ter que dar tudo. O Nadal em terra é o jogo mais difícil e por experiência própria digo, eu joguei na altura que ele estava mesmo a ganhar tudo. É o jogo mais difícil que existe no mundo do ténis é jogar contra o Rafa na terra batida.

É para si o melhor tenista da história?

Em terra, sim. Em overall, para mim, são mais Federer.

Time Federer. Frederico Gil, apenas para terminar, e obviamente que aqui é sempre injusto fazer comparações, mas se Nuno Borges vencer hoje Rafael Nadal, tendo em conta o adversário que é, tendo em conta também o simbolismo que tem, pode ser o ponto mais alto da história do ténis português, na sua opinião?

Mais um. Não, o João já ganhou quatro títulos. Acho que vai ser um ponto muito forte. E o fato de ter feito final e jogar contra o Nadal já é uma história, mas não diria que seria o ponto mais alto, não. Seria um ponto alto, sem dúvida, mas acho que os mais altos até agora foram os meus na altura e agora os do João Sousa depois. Mas seria mais um ponto muito alto para a história do ténis português.

Seria mais uma página dourada no livro.

Uma página muito forte.

Exatamente.

Uma página forte, não a mais forte.

Exatamente.

Mas uma página muito forte.